<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336</id><updated>2012-01-26T17:43:27.520-02:00</updated><title type='text'>Na Bruzundanga</title><subtitle type='html'>Este espaço é dedicado a todos os meus alunos, colegas, amigos e companheiros de viagem.  Aqui você vai encontrar referências sobre o que conversamos dentro e fora das salas de aula.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>467</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-6999384180890335003</id><published>2012-01-26T17:43:00.000-02:00</published><updated>2012-01-26T17:43:27.529-02:00</updated><title type='text'>História, Mídia e Literatura</title><content type='html'>&lt;a href="http://gthistoriacultural.com.br/VIsimposio/index.php"&gt;VI Simpósio Nacional de História Cultural&lt;/a&gt;: &lt;br /&gt;Simpósio Temático: História, Mídia e Literatura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coordenação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prof. Dr. Denílson Botelho (UFPI) e Prof.a Dr.a Maria de Fátima Fontes Piazza (UFSC)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;RESUMO: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jornalista polonês Ryszard Kapucinski certa vez afirmou que “estamos vivendo duas histórias distintas: a de verdade e a criada pelos meios de comunicação. O paradoxo, o drama e o perigo estão no fato de que conhecemos cada vez mais a história criada pelos meios de comunicação e não a de verdade”. Este Simpósio Temático tem como objetivo congregar pesquisadores que reflitam e investiguem o papel dos meios de comunicação em nossa sociedade ao longo dos séculos XIX, XX e o recém-iniciado XXI. Pesquisas voltadas para as tensões e conflitos que envolvem a paradoxal produção de uma história urdida a partir dos meios de comunicação encontrarão espaço para serem debatidas e analisadas neste fórum. Cientes de que a verdade é inatingível, os pesquisadores engajados no campo da história cultural têm, cada vez mais, investigado a história inventada e construída através da mídia. Torna-se assim fundamental analisar os embates entre diferentes versões que se constroem sobre o passado e o presente nos meios de comunicação. Neste Simpósio Temático pretende-se ainda destacar o papel desempenhado pela literatura e pelos literatos na imprensa, notadamente nos jornais e revistas publicados pelo país afora. É preciso avaliar a dimensão da contribuição da literatura para a legitimação e difusão da imprensa e vice-versa. Qual tem sido o lugar dos intelectuais nesse cenário? Em que medida usam e são usados pelos meios de comunicação? Que experiências de envolvimento entre imprensa e literatura podem se mostrar reveladoras de um determinado tempo histórico? Sabe-se que a relação entre os literatos e a imprensa atravessou diferentes etapas ao longo da história do Brasil. Na Primeira República, por exemplo, jornais e revistas representavam freqüentemente um espaço de profissionalização do ofício de escritor. Pesquisas que contemplem esse universo de relações encontrarão nesse Simpósio uma acolhida receptiva. Da mesma forma, os estudos que analisam a influência da literatura e dos literatos sobre as mais variadas formas pelas quais os meios de comunicação narram a história também serão objeto de discussão. O jornalismo literário, por exemplo, sintetiza um ramo dessa influência que nos chama a atenção pela sua entusiástica retomada nos últimos tempos. Enfim, pretende-se contemplar também, de modo geral, a trajetória e a obra dos mais variados intelectuais, escritores e jornalistas cujos textos foram difundidos e veiculados originalmente através da imprensa, que pode ser objeto de análise ou fonte para a pesquisa, merecendo em função disso algum tipo de reflexão no campo da História Cultural.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-6999384180890335003?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://gthistoriacultural.com.br/VIsimposio/inscricao-resumosst.php?menu=3' title='História, Mídia e Literatura'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/6999384180890335003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=6999384180890335003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6999384180890335003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6999384180890335003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2012/01/historia-midia-e-literatura.html' title='História, Mídia e Literatura'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-4433020790940774380</id><published>2012-01-05T14:03:00.000-02:00</published><updated>2012-01-05T14:03:18.852-02:00</updated><title type='text'>Para entender o mundo em que vivemos...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/whGQTFMXkWQ/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/whGQTFMXkWQ&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/whGQTFMXkWQ&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-4433020790940774380?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/4433020790940774380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=4433020790940774380' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4433020790940774380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4433020790940774380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2012/01/para-entender-o-mundo-em-que-vivemos.html' title='Para entender o mundo em que vivemos...'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-3112997223811455320</id><published>2011-12-17T13:00:00.001-02:00</published><updated>2011-12-17T13:18:53.610-02:00</updated><title type='text'>Conquista do Mestrado em História do Brasil da UFPI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;PROCAD é um Programa Nacional de Cooperação Acadêmica da CAPES. Por meio de edital, esta agência seleciona projetos vinculados a programas de pós-graduação. O último edital, antes do atual, de 2011, havia sido lançado em 2007.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo a CAPES, o PROCAD tem por objetivo "promover a formação de recursos humanos de alto nível, nas diversas áreas do conhecimento, através de projetos conjuntos de pesquisa de média duração. Intensificar, também, o intercâmbio científico no país, por intermédio do envolvimento de equipes acadêmicas de diversas instituições de ensino superior e de pesquisa brasileiras, criando condições para a elevação geral da qualidade do ensino superior e da pós-graduação".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu funcionamento se dá através de projetos que "serão apoiados por meio do financiamento de missões de estudo, missões de docência e pesquisa e estágio pós-doutoral. As missões devem ser planejadas de modo a assegurar a implementação das ações necessárias, destinadas a facilitar e possibilitar a interação entre as equipes, consolidando, desse modo, as redes de cooperação".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Programa de Pós-Graduação em História do Brasil (PPGHB) da UFPI (avaliado com nota 3 pela CAPES, numa escala de 3 a 7), juntamente com os programas de pós-graduação em História da PUC-SP (nota 5)&amp;nbsp;e da PUC-RS (nota 6), teve o projeto intitulado &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cultura e cidade: agentes, linguagens e sensibilidades na construção do espaço urbano no Brasil desde o final do século XIX&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; contemplado no edital de 2011, cujo resultado foi divulgado recentemente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;O projeto será coordenado pelo &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Prof. Dr. Francisco Alcides do Nascimento e viabilizará, ao longo dos próximos 4 anos (2012-2015)&amp;nbsp;variadas ações acadêmicas.&amp;nbsp;O PPGHB/UFPI receberá professores e pesquisadores da PUC-SP e PUC-RS em missões de docência e pesquisa, da mesma forma que integrantes do PPGHB/UFPI realizarão missões similares&amp;nbsp;em São Paulo e Porto Alegre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Alunos do Mestrado em História da UFPI também realizarão missões de estudo junto aos programas de pós-graduação associados (PUC-SP e PUC-RS). E alguns professores do PPGHB/UFPI terão a oportunidade de realizar pós-doutorado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;O programa proponente também será beneficiado com investimentos na sua infraestrutura ao longo dos próximos quatro anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-weight: bold; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Dessa forma, o PROCAD conquistado pelo Mestrado em História do Brasil da UFPI será um importante instrumento para atender as mais recentes recomendações da CAPES aos programas com nota 3.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-3112997223811455320?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/3112997223811455320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=3112997223811455320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3112997223811455320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3112997223811455320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/12/conquista-do-mestrado-em-historia-do.html' title='Conquista do Mestrado em História do Brasil da UFPI'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7927669031384583012</id><published>2011-12-08T11:01:00.000-02:00</published><updated>2011-12-08T11:01:42.637-02:00</updated><title type='text'>A confissão de Boni</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que significa estelionato? Nos dicionários, fonte segura que precisamos consultar regularmente, o termo significa “fraude praticada em contratos ou convenções, que induz alguém a uma falsa concepção de algo com o intuito de obter vantagem ilícita para si ou para outros” ou, mais objetivamente, uma “burla”, segundo o Houaiss. Já no Caldas Aulete, trata-se de “crime caracterizado por cometer fraude em contrato, documento, convenção etc., induzindo em erro a outra parte para com isso obter vantagem ilícita”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já o bom e velho Aurélio, meu dicionário impresso preferido, reforça nosso entendimento sobre o assunto: “ato de obter, para si ou para outrem, vantagem patrimonial ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro alguém, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Código Penal define a prática do estelionato através do seu famoso Artigo 171 (cantado em verso em letra de samba), reproduzindo com fidelidade o Aurélio. Verifique: “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. Antes que o leitor pense que quem escreve é um rábula criminalista e não um historiador, peço um pouco mais de paciência. Pois entendo que é preciso destacar ainda que o mesmo artigo prevê pena de reclusão de um a cinco anos e multa para os incursos nesse crime. O inciso IV do parágrafo segundo ainda reforça que incorre nas mesmas penas quem “defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem. Todo esse preâmbulo se faz à guisa de uma entrevista realizada por Geneton Moraes Neto com o outrora todo poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, mais conhecido como Boni. Exibida inicialmente pela Globonews, das Organizações Globo, agora já pode ser vista (pelo menos alguns de seus trechos) no Youtube também. A certa altura, o entrevistador pergunta se Boni chegou a ser procurado por algum candidato na primeira eleição direta para presidente depois do fim do regime militar. Permito-me aqui transcrever a resposta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Nós fomos procurados pela assessoria do Collor e eu achei que a briga do Collor com o Lula no debate estava desigual porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade. Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor, alguma coisa como uma glicerinazinha, e colocamos as pastas todas que estavam ali com supostas denúncias contra o Lula, mas as pastas estavam inteiramente vazias, com papéis em branco. Foi uma maneira de melhorar a postura do Collor junto aos espectadores, pra ficar em pé de igualdade com a popularidade do Lula”. Eis o que declarou publicamente Boni.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/VrpurEkmJkU/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VrpurEkmJkU&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/VrpurEkmJkU&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem quiser conferir a íntegra desse trecho, basta procurar o vídeo no Youtube com o título “Boni confessa manipulação no debate Lula x Collor”. E é exatamente isso que se vê, uma confissão de um crime de estelionato praticado pela Rede Globo de Televisão contra o povo brasileiro em 1989. Collor obteve indiscutível vantagem naquele debate, haja vista sua vitória na eleição. Boni e a Globo induziram ao erro, por meio fraudulento (pastas com papéis em branco apresentadas como se contivessem denúncias contra o adversário político), os espectadores/eleitores. Portanto, a informação (substância) que deveria ser levada e entregue ao público naquele debate nos estúdios da Globo foi fraudada, como confessa Boni.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Convém lembrar que um canal de TV é uma concessão pública (um contrato, uma convenção, como está nos dicionários), ou seja, pertence à sociedade e deve ser gerida pelo Estado. Não pode uma empresa privada fazer uso de uma concessão pública para ludibriar o espectador, enganá-lo de forma veemente. Posto dessa forma, fica parecendo que o Estado está a serviço da fraude e do estelionato que este senhor veio a público confessar. Notem que não estamos tratando de telenovela, de ficção, mas de um programa de natureza jornalística, em que uma emissora se propõe a apresentar um debate entre os candidatos ao cargo mais importante da nação, produzindo contudo uma fraude - cujas consequências que todos bem conhecem, já que culminaram num inédito impeachment.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por tudo isso, não resta dúvida que a sociedade brasileira precisa discutir e examinar de forma democrática um marco regulatório para a mídia que temos. O debate vem sendo propositalmente emperrado através de um argumento que pretende confundir a opinião pública, ao classificar a iniciativa de ser uma torpe tentativa de impor censura aos meios de comunicação. Bobagem! Quem nasceu e cresceu sob a ditadura militar abomina toda e qualquer forma de censura – e eu me incluo humildemente nesse grupo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que me parece intolerável é viver sob a égide e os desmandos de uma mídia que faz e desfaz sem sofrer quaisquer sanções ou arcar com as consequências por promover as mais bárbaras fraudes a que temos assistido. A confissão de Boni coloca sob suspeição todo o noticiário televisivo que invade os lares desse país afora diariamente – inclusive aqueles em que a internet e a blogsfera ainda não chegaram para instigar a dúvida, a reflexão e o senso crítico mais aguçado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por Denilson Botelho&lt;br /&gt;Professor de História da UFPI&lt;br /&gt;Publicado no Observatório da Imprensa, São Paulo,&amp;nbsp;Ano 16, nº 671, em 06/12/2011.&lt;br /&gt;Ver: &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed671_a_confissao_de_boni"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed671_a_confissao_de_boni&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;______________________________________&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Nota do Blog:&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse artigo deveria ter sido publicado na coluna &lt;em&gt;Fórum&lt;/em&gt;, do jornal &lt;em&gt;O Dia&lt;/em&gt;,&amp;nbsp;no sábado, dia 3/12/2011. Para isso, enviei o artigo ao jornal no dia 1º/12/2011 - com dois dias de antecedência. A coluna não foi publicada no sábado. Solicitei explicações ao jornal ainda no sábado, mas só na segunda-feira, dia 05/12/2011, alegaram que o artigo não foi recebido. Felizmente o Observatório da Imprensa acolheu a publicação do artigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De qualquer modo, quero informar aos eventuais leitores da Fórum aos sábados (eles existem?) que encerrei minha participação na coluna. Quem sabe, oportunamente, eu volte a cometer essa ousadia de escrever regularmente para algum jornal, revista ou periódico qualquer. Por ora, vou deixá-los em paz. Até a próxima!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7927669031384583012?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed671_a_confissao_de_boni' title='A confissão de Boni'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7927669031384583012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7927669031384583012' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7927669031384583012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7927669031384583012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/12/confissao-de-boni.html' title='A confissão de Boni'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-781952388802176198</id><published>2011-11-30T17:16:00.000-02:00</published><updated>2011-11-30T17:16:15.238-02:00</updated><title type='text'>Maria Yedda Leite Linhares – 1921/2011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;Francisco Carlos Teixeira (*)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maria Yedda Leite Linhares foi acima de tudo uma formadora de gente. Sua alegria, a grande satisfação, era ter em seu redor jovens com quem dialogasse – sempre de forma igual, buscando em cada um deles, um talento, uma vocação. Em torno de sua sala de aula e de seus gabinetes de pesquisas passaram gerações. A primeira delas com nomes como Arthur e Hugo Weiss, Valentina Rocha Lima, Francisco Falcon e Helena Lewin. A estes se agregou uma segunda turma, formada pelos jovens Ciro Cardoso, Barbara Levy, José Luis Werneck da Silva, Berenice Brandão. E então veio a Sua integral participação nas lutas do seu tempo a levaria, em 1964, a viver a cada dia no coração da crise do Brasil moderno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contra todos os conselhos, inclusive do bom-senso e sabedoria do Dr. José Linhares, ou “o José” simplesmente, ela insistira. Não havia conserto, era da sua natureza. Nascera assim. Lá no Ceará, em 3 de novembro de 1921, nascera - para usar a expressão do poeta que ela tanto amaria - “gauche na vida”. Meninota, contra a vontade dos pais, colocara um imenso laço vermelho nos cabelos para ver a passagem das tropas revolucionárias que adentravam o Calçamento de Messejana para conquistar Fortaleza em 1930. Aí consolidara sua vocação: rebelde, teimosa, voluntariosa, humana e generosa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a família, seguindo o rastro da crise mundial que derrubara os preços do algodão, mudou-se para Porto Alegre. Lá ficou pouco tempo. Sofreu uma infecção no ouvido, que mais tarde martirizaria a vida e a vaidade. Mudaram-se para o Rio. Aqui, na capital federal, abriu-se o espaço e as redes sociais que permitiriam a Maria Yedda ser a mulher que marcou seu tempo. Autodidata, com uma letra incompreensível, adaptou-se mal ao colégio de freiras. Estudou ainda mais, em especial português – que se tornou uma obsessão e quase a nos rouba para o jornalismo – e história. Na maratona de educação alcançou o primeiro lugar, tendo como prêmio o único livro que jamais emprestou: a História Geral de Varnhagen. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A criação da UDF facilitou sua ascensão ao curso de “filosofia” – entendida bem mais como um curso humanista para a formação de professores. Lá conheceu os amigos que marcariam sua vida: o Dr. Anísio Teixeira, uma marca poderosa. Com o Dr. Anísio apreendeu, e acreditou, por toda vida que somente a educação para todos, laica e pública, mudaria o país. Aí encontrou também seu amigo de vida, Darcy Ribeiro – o que não quer dizer, de forma alguma, que não brigassem como cão e gato. Conviveu como jovem estudante, em sala de aula ou em reuniões e debates, com homens como Hermes Lima, Brochado da Rocha, San Thiago Dantas - todos jovens professores e oponentes da ditadura varguista. Yedda ouvia, apreendia e preparava-se também para participar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim assistiu a derrocada da UDF, o golpe do Estado Novo e a prisão de Pedro Ernesto e de seus jovens professores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua excelência em português, já naquele momento conhecida de todos, a aproximou de uma severa senhora americana encarregada da formação de quadros do Dasp. Era a chegada da política de boa vizinhança. Maria Yedda foi para os Estados Unidos, jovem, corajosa e sozinha. Um fenômeno em sua época. Estudou no Barnard College, na Universidade de Columbia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada seria igual depois disso. Creio que mesmo o amor, e gratidão, que viria a ter pela França, não igualariam jamais a admiração pelos Estados Unidos. Sozinha, e precisando viver, tornou-se, ainda uma vez, professora de português para americanos e, depois, em inglês, locutora da rádio universitária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Travou laços de amizade com uma geração de exilados da guerra civil espanhola, odiou Franco e ouviu os relatos das atrocidades dos fascismos em ascensão. Conheceu a poesia americana, espanhola e a arte deslumbrante de um México insurgente. Amava Lorca. Freqüentou o Radio City Hall e apaixonou-se pelo jovem Frank Sinatra. O inglês tornou-se uma língua fluente, na qual amava dizer poesias. Todas modernas, nunca amou Shakespeare, mas ficaria para sempre fascinada pela sonoridade de Walt Whitman.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então veio guerra e a decisão de voltar ao Brasil. Três dias de avião, porto por porto, até mesmo no Caribe com o piloto perseguindo um submarino alemão. O Rio mudara, o Brasil se cansava da ditadura nativa. Voltava para universidade, agora a UB, a gloriosa universidade da qual seria a mais jovem mulher catedrática. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Travava amizade com Delgado de Carvalho, o decano da história moderna e contemporânea. Mais do que tudo: conhecia José, jovem rábula, que a traria, ainda mais, para o coração da crise, casando-se e convivendo com os atores do poder. Data daí a amizade e o respeito por Alzira Vargas – o que importava que fosse oposição, tratava-se de “Alzirinha”, tão somente. Jamais esqueceria a desobediência do Comandante Amaral Peixoto, o pai da nossa “França Livre”, Niterói!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tornou-se fundadora da UNE e sua primeira diretora do “Departamento Cultural”: o teatro, incluindo o jovem teatro negro, as revistas culturais e dos debates. Talvez fosse sempre isso do que Yedda mais gostava. O debate. Quente. Vivo. Múltiplo. Formou-se a frente pela entrada do Brasil na guerra mundial. Lá estava ela, na primeira fila, de braços com Marighela! O escritório da Reuters, na Cinelândia, tornar-se-ia seu prórpio escritório, lendo em primeira mão os telegramas que relatavam a guerra. Tornar-se-ia, para sempre e do fundo do seu coração, botafoguense. Os chamados rapazes do Botafogo, com João Saldanha à frente, seriam parceiros de caminhadas na então estreita calçada de Copacabana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O casamento deveria ter equilibrado sua vocação revolucionária, creio, contudo, que foi o Dr. José que se acostumou ao sobressalto. Aconselhava, pedia e sempre, sempre, punha-se ao seu lado. Em toda crise repetia a mesma coisa: “Minha filha, não diga nada, espere para ouvir...” Inútil, Yedda não era mulher de esperar. Agia. Muitas vezes na direção certa, guiada por seu instinto contrário a toda injustiça. Outras vezes era precipitada, nunca, contudo, injusta. No mais das vezes prejudicava a si mesma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do casamento teve Maria Teresa, “Teca”, e José, “Zequinha”! Havia orgulho nos filhos, via-se neles, sentia por eles. Uma das maiores revoltas foi vê-los envolvidos na insidiosa e malsã campanha da imprensa golpista nos idos de março de 1964. Creio também que ambos pagaram algum preço – o preço de serem filhos de Yedda, o preço das horas roubadas, o preço de partilhá-la com todos nós, comigo, com Ciro Cardoso e principalmente com Francisco Falcon. Temos que pedir perdão por isso, perdão por tê-la tanto tempo conosco! A tudo se juntava a presença de Yonne Leite, outro motivo de orgulho de Yedda, que a via, com tudo que isso encerra, bem mais como filha do que irmã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na casa, a velha Virgínia cuidava de todos, incluindo alimentar os famintos assistentes, como o insistente Falcon.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vieram os concursos, provas, cerimônias, becas e arminhos. Substituía Delgado de Carvalho como catedrática: foi o dia que mais chorou na vida. Não queria a cátedra, ao menos não queria “aquela cátedra” – lutaria todo o resto de sua vida para mudar a universidade. Falcon seria seu principal companheiro de trabalho, de lealdade e de debates intelectuais. Livros inteiros eram lidos e resenhados pelo telefone, todas as noites.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os tempos eram de chumbo, o ar era arenoso e o chão fugidio. Yedda namorava com o PCBR, respeitava e ouvi a Apolônio de Carvalho, tinha Renée como amiga. Apoiara o ministro da educação, assumia a direção da Radio MEC. Desesperada, sem tempo, negociando e montando uma equipe de trabalho, pediria a Eduardo Portella que escrevesse seu discurso de posse, dizendo pelo telefone o que queria dizer. Ao seu lado estaria como fiél escudeira a nossa Sandra Ribeiro da Costa, forte, sem sutilezas e capaz de protegê-la, inclusive dela mesma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Usou seu espaço para fazer cultura, afastou-se do ambiente malsão da FNFi daqueles dias. Adorava as óperas e a música erudita, da qual se tornou aficionada, muitas vezes tendo Ciro Cardoso como interlocutor. Só detestava o Bolero de Ravel. Deu a Roberto Carlos seu primeiro emprego no Rio, na própria rádio. Então vieram rostos novos, em especial Alberto Coelho, um amigo que será um consolo e uma fonte permanente de atualização e de novidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então veio o pior: as forças alarmadas, como dizia “o José”, tomaram o poder. A “Revolução Brasileira em curso”, como diziam os amigos do ISEB, era feita de papel. As conseqüências seriam terríveis. Prisões, cassações, aposentadorias compulsórias. Maria Yedda seria inculpada em 11 IPMs; seria acusada na mídia, seria espezinhada por muitos. Pouco importava, sabia o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria proteger amigos – advertia Falcon, em razão do projeto da história nova. Passaria uma temporada no exterior e por fim tomaria à frente da resistência. No apartamento da Cinco de Julho organizava-se a Passeata dos Cem Mil. Em fim, o ar tornou-se irrespirável. As prisões se sucederam... Tirada do hospital foi levada para o 1º. RCC. Fernand Braudel e Jean-Paul Sartre escreveriam ao presidente-general exigindo sua liberdade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O exílio seria na França. Primeiro Paris, onde encontraria Ciro Cardoso, e todos que estavam, e depois Toulouse-Le Mirail, onde Jacques Godechot e Bartolomé Benassar a aceitariam com carinho e respeito. Travaria conhecimento e angariaria respeito de todos: Albert Soboul, o amigo Mauro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, o casamento de Maria Teresa e o nascimento de Patrícia, a primeira neta seriam de mais. Forçava seu retorno, antes do decreto da anistia. A pressão seria tremenda, obrigando-a a um exílio interno, em Vassouras e impossibilitando toda pesquisa e docência em entidades públicas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a volta reorganizavam-se as redes de sociabilidade, os amigos e os projetos. Em principio o CPDA, no Horto Florestal, depois a UFF e. em fim, o retorno à casa, a UFRJ. Formava-se em torno dela uma nova geração, dos quais João Fragoso e Hebe Mattos são os mais amados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim a redemocratização: Yedda ainda uma vez aceita os desafios. Primeiro é a secretaria municpal de educação, depois, por duas vezes, seria secretaria estadual de educação. Então, ao lado de Darcy Ribeiro, lançariam mão da herança do Dr. Anísio Teixeira. Os cieps, brizolões – a mais generosa e igualitária proposta de educação que o país produziu – é em verdade a versão moderna da escola-parque. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outros amigos vieram: Laurinda, Lia Faria, Edilberto, Maria Lucia kamache – todos embalados pelo mesmo sonho: “A educação para todos, pública, laica e de qualidade. Ao seu lado, como amparo, crítico e amigo, teria a presença de Paulo Sérgio Duarte, mais um filho muito amado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto é um pouco de Maria Yedda, só um pouco, porque tão poucas pessoas conseguiram em uma só vida viver tanto. Hoje não estou triste, não quero estar triste. Para Yedda tenho apenas uma lembrança, um título de Pablo Neruda: “confesso que vivi”!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(*) Professor na Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copiado do site &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/"&gt;Carta Maior&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-781952388802176198?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5332' title='Maria Yedda Leite Linhares – 1921/2011'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/781952388802176198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=781952388802176198' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/781952388802176198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/781952388802176198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/maria-yedda-leite-linhares-19212011.html' title='Maria Yedda Leite Linhares – 1921/2011'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-8542910376527429898</id><published>2011-11-28T18:50:00.000-02:00</published><updated>2011-11-28T18:50:09.300-02:00</updated><title type='text'>História e Arte: movimentos artísticos e correntes intelectuais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das coisas boas das viagens para participar de eventos acadêmicos é a possibilidade de conhecer gente interessante. Recentemente,&amp;nbsp;fui ao&amp;nbsp;I Seminário Internacional História do Tempo Presente, em Florianópolis, e tive a oportunidade de conhecer a professora Fátima Piazza. Aos poucos, estamos descobrindo interesses em comum. Isto se confirma ainda mais agora, ao receber gentilmente dessa pesquisadora o livro abaixo:&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.mercado-de-letras.com.br/pictures/produtos/grande/imagem-27-10-11-5-51-57.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="320" src="http://www.mercado-de-letras.com.br/pictures/produtos/grande/imagem-27-10-11-5-51-57.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que está escrito na contracapa é bastante sugestivo do que penso. Por isso, compartilho por aqui:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A arte não é apenas política quando estetiza a propaganda do Estado ou quando se engaja na tematização de problemas sociais de uma determinada época. Não se trata, portanto, aqui, de pensá-la a partir do nó que até recentemente amarrou esta relação: o da politização da arte ou da estetização da política. Para Jacques Rancière, há uma estética na base política. Mas não apenas. A própria arte, na medida em que ela concerne a uma partilha do sensível, é já política. Isto quer dizer que a arte é indissociável da partilha simbólica da palavra, do tempo e do espaço. O que ela coloca em questão é justamente os modos como se configuram essa partilha e os seus limites. Interessa, assim, pensar a politicidade própria à arte, aos movimentos intelectuais e artísticos a partir do modo como eles atuam sobre a reconfiguração desta partilha e sobre as redistribuições simbólicas da palavra, do tempo e do espaço".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-8542910376527429898?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/8542910376527429898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=8542910376527429898' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8542910376527429898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8542910376527429898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/historia-e-arte-movimentos-artisticos-e.html' title='História e Arte: movimentos artísticos e correntes intelectuais'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-3940115068441000587</id><published>2011-11-26T12:24:00.000-02:00</published><updated>2011-11-26T12:24:48.370-02:00</updated><title type='text'>Escola: entre a eugenia e o acolhimento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela que se considera a melhor escola da cidade pode não ser necessariamente a melhor escola para o seu filho. Eu posso falar isso por experiência própria. Entre 1979 e 1982 estudei no Colégio de São Bento, no Rio de Janeiro. Frequentei aquela escola da 5ª série (atual 6º ano) do ensino fundamental até o 1º ano do ensino médio. Não, eu não pertenço e nunca pertenci à fina flor da burguesia carioca, que é o que se imagina de todo aluno daquele afamado colégio situado no centro da cidade. Meu pai, um humilde trabalhador portuário, conseguiu a proeza de uma bolsa integral para mim. Então bastava eu não ser reprovado que a bolsa seria renovada. Dito assim, hoje, parece ter sido fácil. Não foi. Foram os piores anos da minha vida. Por que?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem, os motivos são vários, mas o principal diz respeito ao fato de que jamais me senti acolhido naquela escola. Enquanto 90% dos meus colegas chegavam de carro ou no ônibus da própria escola, vindos das áreas mais nobres da cidade, eu percorria a pé, diariamente, o trajeto entre a minha casa, na Saúde, e a escola, na Praça Mauá. Cruzava de ponta a ponta a rua Sacadura Cabral até chegar ao início da avenida Rio Branco, entrar na primeira rua à esquerda, a Dom Gerardo, e subir até o alto do Morro de São Bento, onde fica o colégio de mesmo nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem tudo foi ruim naqueles anos, mas o fato de não pertencer à mesma classe social da maioria dos meus colegas fez toda a diferença. Eu sabia o tempo todo que não era um deles, não nasci em berço de ouro, não pertencia à elite carioca. Enquanto nas férias muitos deles viajavam para a Disney e outros destinos no exterior, eu amava ir para a casa da minha avó Irene, na Penha, subúrbio da Leopoldina, onde ajudava a cuidar dos cachorros (Pingo e Sheik), dos passarinhos do meu avô, das plantinhas cultivadas no quintal e etc. Ali sim eu me sentia em casa, depois de cruzar parte da avenida Brasil rumo a sempre negligenciada zona norte da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro motivo da minha infelicidade naqueles anos estava no próprio ensino praticado no São Bento: avassaladoramente conteudista! Eu nunca estudei tanto, nunca exercitei tanto a arte da decoreba, ao mesmo tempo em que me perguntava diversas vezes sobre a utilidade daqueles conhecimentos. Lembro que li a “Odisséia”, de Homero, na 5ª série, sem compreender patavinas do seu significado. Só mais tarde, no primeiro período da Graduação em História, na UFF, eu voltei àquele livro e pude compreender do que se tratava afinal. Penava nas aulas de Física e Matemática, mas só ao mudar para o antigo CEFET-RJ (uma escola técnica pública federal) pude compreender maravilhosamente bem como a física está o tempo todo no nosso dia-a-dia, em quase tudo que fazemos, nas aulas inesquecíveis da Profª Dulce Hildebrandt – em certa medida responsável pela minha decisão de seguir a carreira do magistério. Dulce sabia mostrar o tempo todo aos seus alunos que aquilo que ensinava em sala de aula não era apenas um conhecimento abstrato, mas tinha relação direta com as nossas vidas. Até hoje me inspiro nela e penso que deixar o São Bento para cursar o ensino médio numa escola pública federal foi a melhor coisa que aconteceu na minha trajetória de formação escolar, tornando-se uma experiência decisiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como disse, a melhor escola da cidade pode não ser a melhor escola para o seu filho. Minha enteada estuda hoje numa escola que é considerada uma das melhores de Teresina. Não sei se é, tenho minhas dúvidas. E na verdade ela não está matriculada lá por esta razão. Como não apresenta um desempenho satisfatório nos estudos, cogitamos de mudá-la de escola. O problema não está numa eventual reprovação, que pode ser até bastante pedagógica a essa altura do ano. Afinal, o insucesso também guarda importantes aprendizados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temos então, eu e minha esposa, pesquisado escolas que possam ter um perfil mais adequado a ela, às dificuldades específicas dela e que possa ser acolhedora. Estive então visitando outra grande escola da cidade, muito renomada e recomendada por vários colegas. É uma escola católica e ao fazer a visita, por acaso, fomos apresentados ao padre que dirige a instituição. O que se passou daí por diante, na conversa com este senhor, é de causar desalento. De cara, ouvi do digníssimo diretor a seguinte indagação: “mas a sua filha tem algum problema, alguma síndrome? Porque nós estamos limitando a entrada de crianças assim aqui na escola. Sabe como é, os outros pais reclamam, os professores não dão conta de crianças com essas síndromes tipo TDAH...”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que minha vontade foi encerrar a conversa ali mesmo. Já me dava por satisfeito, já ouvira o suficiente. Contudo, por educação, visitei as instalações, que aliás são muito boas. Mas saí dali com a certeza de que não é este tipo de escola que procuramos para minha enteada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E fico me perguntando se não há uma certa concepção eugênica nessas escolas católicas que apresentam bons resultados de forma geral. Será que elas são boas porque desenvolvem um ensino competente ou porque selecionam os melhores alunos? São boas porque constroem os bons alunos ou porque priorizam manter matriculados os que apresentam bom desempenho escolar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estou pensando no vestibular, numa eventual carreira a ser seguida, estou pensando que é preciso educar para a vida, para a solidariedade, para a justiça social, para um mundo melhor do que este que a minha geração erigiu até o momento. Nesse sentido é que gostaria de encontrar uma escola que seja acima de tudo acolhedora, que seja capaz de lidar com as diferenças individuais, com ritmos de aprendizagem que podem ser distintos – a despeito da faixa etária em que nossos pequenos se encontram. Se um padre – diretor de uma escola – que mal me conhece, logo exclui a possibilidade de ter entre seus alunos portadores de uma síndrome qualquer, isso significa alguma coisa sobre a educação nos dias atuais. E significa também que, independentemente da minha enteada padecer ou não de algum problema, não é este tipo de escola que buscamos. Falta-lhe o mesmo que me faltou no Colégio de São Bento: acolhimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou por acaso podemos abrir mão disto para educar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Denílson Botelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor de História da UFPI&lt;br /&gt;Publicado na Coluna Fórum, jornal O Dia, Teresina – PI, em 26/11/2011. Caderno Em Dia, pág. 4.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-3940115068441000587?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/3940115068441000587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=3940115068441000587' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3940115068441000587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3940115068441000587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/escola-entre-eugenia-e-o-acolhimento.html' title='Escola: entre a eugenia e o acolhimento'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7756095627452435257</id><published>2011-11-24T16:55:00.000-02:00</published><updated>2011-11-24T16:55:04.430-02:00</updated><title type='text'>Livro analisa trajetória do PT</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://palavraria.files.wordpress.com/2011/09/pt-de-oposic3a7c3a3o-c3a0.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="320" src="http://palavraria.files.wordpress.com/2011/09/pt-de-oposic3a7c3a3o-c3a0.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) do Rio de Janeiro, Cyro Garcia, lança o livro "PT: de oposição à sustentação da ordem", nesta sexta-feira (25), às 20h, em Teresina. O lançamento da obra, fruto de tese de doutorado em História na Universidade Federal Fluminense (UFF), acontecerá no Salão de Eventos da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi), localizada na Av. Petrônio Portela, 391, bairro Ininga. O evento é promovido pelo PSTU no Piauí.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além de doutorado concluído em 2009, Cyro Garcia também fez mestrado em História na UFF, cuja pesquisa analisou a trajetória do PT, da fundação à até 1994. A obra que será lançada em Teresina trata do início do PT até as últimas campanhas eleitorais que levaram o PT à presidência da República.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cyro Garcia foi fundador do PT e da CUT. Em 1992 sua corrente, a Convergência Socialista, foi expulsa do PT. Participou em 1994 da fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), integrando-lhe até os dias hoje. Em 2003 rompeu com a CUT e participou da fundação da Conlutas, atualmente CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular. O prefácio do livro é de Valério Arcary, professor Dr. em História, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Cyro foi presidente de um dos maiores sindicatos do país (Sindicato dos Bancários) e não se deixou corromper pelas pressões do aparelho sindical. Foi deputado federal e não cedeu às pressões parlamentares. Cyro voltou para a Universidade para estudar e concluiu um doutorado na UFF, e hoje é professor universitário de história. Este primeiro livro de Cyro Garcia testemunha que o trabalho intelectual pode se unir à militância política com resultados estupendos. Porque a trajetória pessoal de Cyro é indivisível da história da CUT e do PT do Rio de Janeiro", afirma Valério Arcary.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leia prefácio, de Valério Arcary&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Valerio Arcary, professor do IFSP (Instituto Federal de São Paulo), é autor de As Esquinas Perigosas da História, situações revolucionárias em perspectiva marxista&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este livro nos relata uma história política que foi, ao mesmo tempo, emocionante e terrível. E que, para remeter ao vocabulário cunhado pelos clássicos gregos, uniu epopéia, tragédia e até, mais recentemente, um pouco de comédia. O PT foi o maior partido da história da classe trabalhadora brasileira no século XX. Nos anos oitenta, Lula e a direção do PT foram capazes de construir e empolgar um partido que, em dez anos, evoluiu de uma organização de uns poucos milhares, para centenas de milhares, e que saiu dos 10% dos votos em 1982 para governador em São Paulo, para a disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 1989, contando apenas com contribuições voluntárias e militância abnegada. O PT de 2011 é, evidentemente, outro partido, embora a direção seja quase toda a mesma. Em três décadas, o PT elegeu muitos milhares de vereadores, algumas centenas de deputados estaduais e federais, chegou ao governo de mais de mil prefeituras, muitos Estados e está pela terceira vez à frente da presidência. O PT é, sem dúvida, a mais profissional máquina eleitoral do Brasil. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste processo o PT enfrentou várias crises. Nos anos oitenta, quando a situação política evoluía à esquerda pela mobilização mais ativa dos trabalhadores e da juventude, o PT teve rupturas pela direita: uma ala moderada rompeu com o partido, porque o PT não apoiou a Aliança Democrática que elegeu a chapa Tancredo/Sarney. Nos anos noventa, quando a situação política evoluía à direita, e as pressões burguesas pela estabilidade do regime eram mais intensas, a direção do PT, decidiu expulsar a Causa Operária e a Convergência Socialista, duas correntes trotskistas, que constituíram, respectivamente, o PCO e o PSTU. Em 2003, depois da eleição de Lula, a direção do PT não hesitou em expulsar Heloísa Helena e os deputados que vieram a formar o PSOL. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi, porém, em 2005, que o PT atravessou a crise mais séria de sua história. Uma parcela do núcleo duro de sua direção foi decapitada, politicamente, pela crise aberta pelas denúncias do mensalão. Apesar de indisfarçável satisfação das frações majoritárias da classe dominante com o governo Lula desde o primeiro mandato, a oportunidade aberta pela crise do mensalão precipitou uma ofensiva política burguesa, com eco nas ruas, nas fábricas e nas universidades, que fez Lula tremer no Palácio do Planalto. O mensalão obrigou o PT a sacrificar Zé Dirceu e dezenas de líderes, e deixou o partido desmoralizado entre os setores mais críticos do ativismo operário e popular, em boa parte da vanguarda estudantil mais lutadora, e nos meios da intelectualidade de esquerda mais honesta. O PT preservou, contudo, uma influência majoritária no proletariado. Entre 2003 e 2010, Lula fez um governo que recebeu aplausos quase unânimes do que há de mais reacionário no Brasil e no mundo: de Maluf a Delfim Neto, de Michel Temer a Henrique Meirelles, de Bush a Sarkozy, de Merkel a Putin, não faltaram entre os maiores banqueiros, empreiteiros e latifundiários vozes dispostas a admitir em público o deslumbramento das classes dominantes de todos os continentes com Lula e o PT. Não fosse isso o bastante e, não obstante o impressionante desmascaramento do financiamento eleitoral através de relações obscenas com o empresariado – uma rotina de corrupção que o PT sempre denunciou - Lula surpreendeu pela resiliência de sua autoridade na classe operária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar desta trajetória incrível, não há porque não lembrar que a formação em 1979/80 de um PT sem patrões, que evoluiu para a influência de massas, rapidamente, nas grandes cidades do Estado de São Paulo, liderado por um líder grevista metalúrgico, sem relações internacionais sólidas foi um fenômeno político admirável e até extraordinário, porém, imprevisto. Nos final dos anos setenta, a maior parte da burguesia brasileira e os líderes políticos da ditadura ainda temiam, seriamente, o espaço político que o PCB por um lado, e Brizola e Arraes por outro, poderiam ocupar quando viesse a anistia. Era a etapa histórica da guerra fria. Foi um tempo de anticomunismo mais primitivo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O PT e Lula são hoje muito sobreestimados, mas seria injusto não lembrar que foram subestimados quando apareceram na vida política nacional em 1979/80. Tão desdenhado foi o PT até 1982 que uma parcela da imprensa e da mídia da época não se preocuparam muito com a impressionante liderança de Lula entre os operários do ABC e, por isso, lhe permitiram uma visibilidade política que nunca foi cedida, por exemplo, a Prestes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, depois da fundação da CUT em 1983 a política da burguesia e da mídia em relação ao PT mudou. O processo de transição democrática que a ditadura perseguia estava sendo ameaçado pelas aparições de Lula e pelo papel do PT inspirando o proletariado de todo o país a lançar-se à luta sindical e política. Ser petista era ser um igualitarista radical. Quando o peso de uma vanguarda militante de centenas de milhares de ativistas começou a ser sentido, sobretudo, durante a campanha pelas Diretas, o PT passou a ser considerado, seriamente, como um inimigo, e Lula como um perigo. Depois da eleição de Erundina para a Prefeitura de São Paulo, em 1988, foi criado o segundo turno nas eleições majoritárias para blindar o perigo de novas vitórias petistas. A militância petista fazia a diferença nas greves, nas ocupações e, também, nas eleições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este livro fazia falta por duas razões. Primeiro, porque ainda está por ser narrada uma história da metamorfose do PT que vá além da louvação. Não é polêmico que o PT de 2010 é irreconhecível, se comparado com o de 1980/1989. Não faltam publicações que elogiam a transformação de Lula e do PT. Não faltaram autores para enaltecer o que tem sido explicado como amadurecimento do PT, ou para exaltar o que foi interpretado como a grandeza da maturidade de Lula. A segunda razão é que a versão liberal desta transformação – consolidação de uma máquina burocrático-profissional de milhares de militantes, adaptação aos limites do regime democrático-liberal - afirma, grosso modo, a tese de que a direção do PT mudou porque compreendeu que precisava moderar as suas posições políticas para poder se construir como um partido, eleitoralmente, forte, capaz de disputar eleições para os executivos, e não somente ser uma representação parlamentar dos movimentos sociais, sobretudo, do movimento sindical. Em outras palavras, esta tese argumenta que a direção do PT realizou um espantoso giro à direita para se aproximar dos trabalhadores e ganhar votos. Como toda meia verdade, essa é também uma meia mentira: o contorcionismo político da direção do PT, evidentemente, não foi feito para se aproximar do povo, mas para se aproximar da burguesia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que ainda estava por ser escrito era uma história crítica do PT que contextualizasse no tempo e no processo social da luta de classes como aconteceram essas mudanças político-ideológicas. Este livro começa a preencher esta ausência. As premissas teóricas dessa história não precisam ser reinventadas. As idéias do PT mudaram porque os homens e mulheres à frente do PT mudaram. Ensina uma boa escola historiográfica que para explicar o passado e, em especial, para elaborar uma história das idéias políticas dos partidos nas sociedades contemporâneas, é bom admitir que as cabeças acompanham o chão que os pés pisam. E a direção do PT deixou de pisar as portas de fábrica, e passou a pisar os tapetes dos parlamentos e dos palácios. Deixou de correr os riscos que são inerentes às lutas operárias e populares, e escolheu o conforto das concertações sentados à volta de mesas cercados de autoridades que representam a riqueza e o poder. Como se diz nas ruas, pegaram o gosto pela coisa. Este livro nos relembra que o PT não nasceu assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra questão é definir qual foi a natureza das mudanças. Não parece ser muito polêmico que o PT nunca foi um partido revolucionário, embora muitos militantes honestos que combatiam pela revolução brasileira tenham militado, com abnegação e despojamento, em suas fileiras . O PT surgiu como um partido operário com um projeto de representação independente da classe trabalhadora, mas com um projeto político de reformas para a regulação do capitalismo brasileiro. O PT nasceu das lutas que aceleraram a crise final da ditadura militar. O PT nasceu do impulso social da mobilização operária, uma força social de choque tão poderosa entre 1978 e 1981, que uma parcela majoritária da classe média urbana, sobretudo entre a juventude, se deslocou à esquerda e ultrapassou os limites do que era a oposição democrática liderada por Ulysses Guimarães e o MDB. O PT surgiu como uma frente política que unificou, em torno da liderança de Lula e de um grupo de sindicalistas que emergiram de uma dissidência da burocracia sindical – uma pequena parcela da casta de líderes profissionais que vegetavam em aparelhos sindicais, relativamente ricos, mas esvaziados - os ativistas da esquerda católica, os sindicalistas combativos que organizavam as oposições sindicais, a intelectualidade reformista de inclinações social-democratas, e os militantes da esquerda marxista de variadas tradições (autonomistas, castristas, estalinistas que estavam fora do PCB e do PCdB, trotskistas) que estavam estruturando variadas organizações. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em dez anos, entre 1979 e 1989, em função da decisão política de ser oposição à abertura lenta, gradual e controlada da ditadura militar - a estratégia de transição para democracia perseguida pelos governos Geisel e Figueiredo, sob a inspiração do general Golbery – o Partido dos Trabalhadores logrou ser o pólo de atração do que havia de melhor e mais destacado na geração de lutadores sociais que estiveram à frente dos maiores movimentos de massas da década, diminuindo a autoridade do MDB de Montoro e Tancredo quando eleitos governadores em São Paulo e Minas Gerais, e deslocando a influência que poderia ter sido atraída pela liderança de Brizola, eleito governador no Rio de Janeiro, ou até do PCB de Prestes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este livro nos diz como o PT se fez grande nos anos oitenta. Estes foram os anos em que a direção do PT e Lula ganharam, merecidamente, o seu prestígio político. Defenderam as greves, apoiaram o nascimento do MST, ajudaram o movimento estudantil, acolheram o movimento de mulheres, ampararam o movimento popular urbano de luta por moradia, auxiliaram o movimento negro e, não menos importante, enfrentaram a ditadura, lançaram a campanha pelas Diretas, e denunciaram o acordo que culminou no Colégio Eleitoral permitindo, finalmente, a posse de Sarney. Mas, depois de 1988, quando assume a Prefeitura de São Paulo, o PT começou a mudar. Não foram muitos os que viram o ovo da serpente. O livro de Cyro Garcia merece ser lido, também, porque o autor foi um dos pioneiros na luta política para defender o PT contra as pressões, socialmente, hostis que se abatiam sobre a direção do partido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compreender estas pressões nos remete à história da luta da classe trabalhadora para entender o destino do PT. Foi ao longo desses trinta anos que se desenvolveu a experiência de milhares de greves das mais variadas categorias que revitalizaram os sindicatos. Aconteceu, também, o aprendizado superior das greves gerais dos anos oitenta. Houve os comícios imponentes de Lula em 1989, com centenas de milhares de pessoas nas ruas. A luta dos aposentados depois do plano Zélia/Collor comoveu o país. Sem esquecer a greve histórica dos petroleiros de 1995, a marcha do MST de 1997 sobre Brasília, um ano depois do massacre de Eldorado de Carajás, e tantas outras lutas populares. Mas, nesses combates parciais a classe trabalhadora brasileira sempre foi mais radical em suas ações do que em suas reivindicações. Moveu montanhas, para reivindicar muito pouco. O horizonte de sua resistência defensiva era a defesa do salário devorado pela inflação, um pouco de terra para assentar famílias ou construir uma casa, a defesa das aposentadorias ou, quando muito, mais verbas para educação e saúde. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somente por duas vezes, nesse intervalo histórico de três décadas de crescente confiança na direção de Lula, do PT e da CUT, as massas populares conseguiram irromper na cena política com a força grandiosa de sua mobilização política nas ruas, ameaçando o governo de plantão. De resto, a massa do povo, incluindo os setores da classe trabalhadora mais organizados, aceitaram os limites da democracia liberal que estabelece que a mudança deve ser esperada, disciplinadamente, de dois em dois anos. Seu programa, mesmo quando agiam com métodos revolucionários – derrubar governos nas ruas é uma ação revolucionária, mesmo quando as mobilizações são pacíficas - era reformista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mobilização por objetivos políticos foi, portanto, incomum, inusitada, o Brasil não é a Bolívia. Para derrubar governos odiados, então, foi excepcional. As massas populares e a juventude descobriram nas Diretas e no Fora Collor que sua ação era poderosa, mas, ficou claro, também, com a posse de Sarney e de Itamar, que era mais fácil se juntarem contra Figueiredo e contra Collor, do que se unirem a favor de um projeto comum. O socialismo, uma referência vaga para milhões, não era mais que uma aspiração de maior justiça, sem que o ódio ao capitalismo tivesse ainda amadurecido, e mesmo na sua forma difusa, não era um programa que unificasse os trabalhadores e os setores médios plebeus. Foram às ruas expressando o gigantismo de sua força, imensas maiorias de pobres, remediados e deserdados em um país enorme, urbanizado em pouquíssimas décadas, e muito jovem. Instintivamente, procuraram as bandeiras igualitaristas, mas na forma de justiça social, não igualdade social, portanto, ainda nos limites da colaboração de classes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espreguiçaram-se, e a classe dominante tremeu, improvisando rapidamente um recuo organizado. Só depois das mobilizações de massas em 1984 e 1992, e não antes – o que faz toda a diferença, e ajuda a compreender a ausência de resistência a Lula em 2002 - a burguesia aceitou que a hora do fim do regime militar tinha chegado em 1984, ou que Collor era um aventureiro a ser descartado. As classes dominantes aprendem com a experiência histórica. Diante da crise do governo FHC, e vendo as rupturas provocadas pelas revoluções políticas nos países vizinhos da América do Sul, especialmente, na Argentina, aceitou que um governo Lula seria uma solução preventiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em resumo, as massas fizeram muito em 1984 e 1992, mas para conquistar muito pouco: a estabilidade do regime democrático, ou seja, o princípio da alternância que foi, afinal, decisivo para a eleição do PT em 2002. Fizeram muito, mas não o fizeram de forma independente. Em 1984, o PT e Lula cumpriram um papel progressivo na co-direção da luta final contra a ditadura, mas tinham influência minoritária. Ainda assim, seus limites sociais (a tendência à submissão aos humores dos setores burgueses aliados) e políticos (um deslumbramento com as pressões democráticas da institucionalidade) já se manifestaram: vacilaram na hora decisiva – na convocação da greve geral no dia 25 de abril – quando a emenda foi a voto no Congresso, capitulando a um ultimato de Tancredo Neves. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1992, quando já possuíam influência majoritária, o lugar de Lula e do PT foi regressivo, ou seja, reacionário: coube a eles o papel de bombeiros assegurando a posse de Itamar que era, fora de Minas, um ilustre desconhecido, embora estivesse, quase acidentalmente, na vice-presidência. A CUT, o PT e Lula se legitimaram nesse processo, mas a classe trabalhadora não estava nem social, nem politicamente à frente da maioria popular explorada. Não dirigia, foi acaudilhada. Nem as Diretas, nem o Fora Collor, foram construídas com uma plataforma que destacasse as reivindicações de classe. O programa que levou milhões à luta não era senão democrático. Não surpreende que os grandes combates se deram nos limites de alianças com dissidências burguesas, como o MDB de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves em 1984, e Orestes Quércia e Brizola em 1992. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A burguesia brasileira, admitamos, demonstrou uma impressionante capacidade de adaptação e concertação. Suas frações mais lúcidas aceitaram sem pestanejar um acordo com o MDB de Tancredo Neves, descartando Maluf, e sacrificaram Collor, engolindo Itamar. Nas duas oportunidades, antes que milhões estivessem dispostos a ir às ruas, uma recessão terrível tinha se abatido sobre a nação. As duas recessões foram precipitadas por ondas de choque externo: a moratória mexicana de 1982 e a recessão mundial do início da década dos noventa. A classe trabalhadora e a juventude não toleraram o desemprego em larga escala, e o saqueio de seu padrão de vida, já por si, historicamente, muito baixo. Não esperaram o calendário eleitoral. Obtiveram vitórias parciais. As eleições diretas não vieram em 1985, mas Figueiredo não fez seu sucessor e o ciclo militar acabou. Não conquistaram eleições gerais em 1992, mas Collor caiu. Vitória parciais, quando era possível ir muito além, deixaram um sabor amargo para a vanguarda operária e socialista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas este livro argumenta com razão que as posições políticas não são o único parâmetro para compreender o PT. Permanecem vivas as controvérsias de fatores para a apreciação histórica dos partidos políticos. Partidos podem ser julgados pela história de suas linhas políticas, as campanhas públicas em que se engajam, e de suas lutas políticas internas; pelo confronto entre suas posições quando estão na oposição, e quando estão no poder; pelo programa para a transformação da sociedade, ou até pelos valores e idéias que inspiram sua identidade; pela composição social de seus membros - militantes ou simpatizantes - ou dos seus eleitores, ou da sua direção; pelo regime interno do seu funcionamento; pelas formas de seu financiamento; ou pelas suas relações internacionais. Os partidos são sujeitos políticos coletivos, portanto, são uma representação das diferentes classes e frações de classe na luta pelo poder. Podem ou não ser úteis à luta pelo poder e por este critério devem ser, também, avaliados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos estes critérios são válidos, e a construção de uma síntese exige uma apreciação da sua dinâmica de evolução. Porque, como tudo que existe, os partidos se transformam e, não poucas vezes, estas mudanças são de tal forma qualitativas, ou estarrecedoras, que eles se tornam irreconhecíveis, quando comparados ao que foram originalmente. Só não se pode é julgar um partido por aquilo que ele pensa sobre si próprio. Para aqueles que usam o marxismo como método de análise das relações sociais e políticas, todos estes elementos são significativos, mas uma caracterização de classe é, finalmente, inescapável, para um juízo dos partidos políticos. Não é um mérito menor deste livro enfrentar com coragem este desafio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existem, grosso modo, dois caminhos teóricos para o marxismo tentar explicar como o PT se transformou em um apêndice do lulismo, ou seja, em um partido que consegue, por exemplo, atrair um volume maior de doações dos capitalistas, nas eleições presidenciais de 2010, para a candidata que Lula escolheu e impôs ao partido, Dilma Rousseff, do que a candidatura Serra. Estes dois caminhos não se excluem, ao contrário, se completam. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para se decifrar o PT, reconhecendo-o como uma singularidade histórica, ou seja, como um problema instigante, porque original, pode-se recorrer aos instrumentos de uma análise político-sociológica: essa análise, mais atenta às mudanças estruturais da natureza social do partido, vai recortar no objeto de estudo, por exemplo, as posições políticas do partido e a evolução de suas bases sociais de apoio, entre eles o apoio eleitoral, e de financiamento, para concluir o que mudou no caráter de classe do partido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Considerado este ângulo político-sociológico, este livro nos dirá que o PT nasceu como um partido operário com influência minoritária de massas até 1987, e majoritária na classe trabalhadora a partir de 1989; com uma corrente majoritária na direção, desde a fundação, liderada por um bloco político que uniu uma fração da burocracia sindical com aspirações de classe pequeno-burguesas, com um coletivo de líderes de origem na intelectualidade militante que veio da geração de 68, ou acadêmica; um núcleo dirigente que aceitava o papel de caudilho de Lula, simultaneamente, como porta-voz público e como Bonaparte interno de suas variadas agrupações; um programa democrático-radical de reformas, ou seja, de regulação social do capitalismo, que se convencionou denominar de democrático-popular; relações internacionais híbridas que uniam o apoio de uma parcela da hierarquia católica, via Holanda e Alemanha (com relações institucionais minoritárias no Vaticano), o apoio de uma parcela da social-democracia internacional (via PS francês e SPD alemão), o apoio de uma parcela do aparelho estalinista internacional (via Cuba e, posteriormente, da Alemanha Oriental); e, finalmente, mas não menos importante, com uma ala esquerda muito fragmentada em diversas organizações, porém, com a peculiaridade da presença de alguns milhares de trotskistas. Este critério irá valorizar a relação da CUT com os Fundos de pensão a partir dos anos noventa, em plena era das privatizações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas uma interpretação político-sociológica seria estéril sem um enfoque histórico. É o que este livro nos apresenta também. Era presumível que a maioria do povo trabalhador e das novas classes médias urbanas depositassem esperanças, depois das eleições da Constituinte de 1986, e da consolidação de um calendário eleitoral estável, com direito à alternância, no dinamismo de um país que sempre mudou pouco e muito lentamente, mas mudava. A obra da urbanização gerou o maior parque industrial entre os países periféricos, e construiu no entorno de dez mega-cidades, grandes regiões metropolitanas com mais de um milhão de pessoas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma maioria do povo reconciliou-se com o resultado do Colégio eleitoral de 1985. Uma avalanche votou no PMDB do plano Cruzado em 1986. Para Sarney foi um fogo de palha: ardeu, intensamente, pelo sucesso temporário do congelamento dos preços. Súbito, apagou, porque a inflação voltou e mais inflamada. Sarney chegou ao poder com enorme apoio no Congresso Nacional, mas refém do PMDB, e tendo que administrar um país em situação pré-revolucionária. Depois foi a hora do PT, em São Paulo, com Erundina. A parcela mais radicalizada do povo votou PT para dizer basta a Sarney, um voto de protesto contra a superinflação, exasperado em função da invasão da CSN pelo Exército em 1988. O país se dividiu em 1989, mas, de novo, uma maioria arriscou em Collor. Confiaram em Fernando Henrique Cardoso em 1994, pelo plano Real, e ainda em 1998, como um crédito pela estabilização da moeda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não obstante a pressão de inércia reacionária de um país culturalmente muito atrasado, onde o medo de represálias sempre foi muito efetivo para neutralizar a ação coletiva do povo, e politicamente pouco organizado, a maioria da classe trabalhadora organizada nos sindicatos foi evoluindo à esquerda, aceleradamente, nos anos oitenta, e chegou a protagonizar duas greves gerais, em 1987 e 1989 que, ainda quando parciais, conseguiram dimensão nacional. Das ilusões no PMDB girou para a oposição ao governo Sarney, e levou Lula ao segundo turno em 1989. Já as classes médias urbanas evoluíram à esquerda nos anos finais da ditadura, mas depois se dividiram: uma maioria deslocou-se para o apoio a Collor em 1989, e depois sustentou com euforia o apoio ao plano Real. Depois da desvalorização da moeda em 1999, os setores médios se afastaram, lentamente, do governo FHC e do PSDB, que sangravam com sucessivos escândalos de corrupção, enquanto o PT girava à direita, despudoradamente, e se aproximaram de Lula. Acabaram por se encontrar somente em 2002. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maioria do povo desorganizado permaneceu como base eleitoral dos partidos burgueses, herdeiros da Arena e do PMDB, ao longo dos vinte anos que separaram 1982, quando voltaram a ocorrer eleições para governadores, e 2002 quando Lula foi eleito. Em resumo: primeiro, nos anos oitenta, os setores organizados do proletariado e a juventude estudantil, mas, depois, com o passar dos anos, na virada do século, as classes médias e as maiorias populares apostaram, também, na mudança de suas vidas pela representação política que o PT e Lula ofereciam, porém, sempre por dentro das regras do regime democrático. Uma promessa de reformas com poucos riscos de confronto com os poderosos interesses do capital. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O contraste entre a experiência dos seus pais, entre as décadas de 1950 e 1980, e das últimas três décadas parece, hoje, devastador. Cada geração retira conclusões refletindo, comparativamente, sobre um repertório de lições herdadas. A terrível, porém, inescapável lição de que a vida não vai melhorar sem luta, se abate sobre os ombros de milhões de sacrificados pelo desemprego em suas famílias; pelas seqüelas do retorno de epidemias antes erradicadas, como a pneumonia e a dengue; pelos salários congelados; pelo colapso da escola pública; pelo aumento da delinqüência; pelo esgotamento da migração para os EUA, Europa e Japão; e, finalmente, pela desmoralização das organizações e descrédito dos líderes em que confiaram. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A reeleição de Lula em 2006 foi alicerçada nos ventos favoráveis da situação econômica mundial entre 2003-2007, sobretudo, a preservação da inflação baixa e a diminuição do desemprego que permitiram o acesso ao crédito, e a extensão de políticas públicas como o Bolsa-Família. A etapa de aprendizado sindical-parlamentar – cunhada na tradição marxista como a estratégia alemã, por analogia com a história da socialdemocracia mais poderosa do mundo – só se esgota no calor de uma situação revolucionária que ainda não se abriu. A colaboração de classes é um projeto que renasce uma e outra vez, enquanto os trabalhadores não ganharem suficiente confiança em si mesmos e suas lutas. As massas podem abandonar seus chefes de ontem, sem renunciar às quimeras de seus sonhos. Podem, também, se reconciliar com líderes que as decepcionaram. Os trabalhadores precisam encontrar um ponto de apoio político-sindical, como foi o processo que levou o PCB a se tornar em partido com influência de massas depois de 1945, ou sindical-político, como foi o processo entre 1978-1984 que originou o PT e levou a que ele substituísse a direção anterior, o PCB de Prestes, mas, em suma, uma nova direção, para sepultar suas expectativas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao longo destes trinta anos, o PT se manteve como o partido de maior influência no movimento operário e sindical, contudo, com uma perda de apoio entre os setores mais combativos, em especial, na juventude e entre o sindicalismo do funcionalismo público. Entre os anos oitenta e noventa o PT ampliou a sua audiência nas classes médias urbanas e, sobretudo, deixou de ser uma preocupação para a burguesia brasileira que já o sustentou, materialmente, nas eleições presidenciais de 1994. Entre 1994 e 2002, via Fundos de Pensão e através das participações na gestão de Fundos públicos, a burocracia sindical da CUT, ainda o principal aparelho de apoio social da direção do PT, entrou no mundo dos negócios. Depois da eleição de 2002, o PT passou a ter relações orgânicas com o grande capital brasileiro, e passou a aceitar, depois de 2005, com a crise do mensalão, o novo papel cesarista de Lula como líder incondicional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro caminho para construir uma história do PT seria uma análise histórico-política do partido: essa análise, mais atenta às transformações programáticas e à localização político-social, vai recortar uma periodização da relação do partido com o Estado, o regime político e os governos, para concluir o que mudou na posição que o partido ocupa na sociedade. Considerado este ângulo histórico social, a história do PT pode ser dividida em cinco fases qualitativamente distintas: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(a) entre 1980 e 1985, o PT foi um partido de oposição ao regime militar e ao governo Figueiredo, e principal impulsionador de todas as lutas sociais contra a ditadura e, assim, conquistou a liderança nos movimentos sociais, deslocando o papel que antes de 1964 pertencia ao PCB; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(b) depois da eleição de Sarney no Colégio Eleitoral e, depois da eleição da Constituinte em 1986, mas, sobretudo depois das eleições municipais de 1988, o PT deixou de ser um partido de oposição ao regime, agora um regime democrático-eleitoral, mas continuou sendo um partido de oposição intransigente ao governo, ainda que pressionado à colaboração institucional nos limites da ordem legal; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(c) depois da eleição de Collor em 1989 e, acentuadamente, depois das eleições para os governos estaduais de 1990, o PT deixou de ser um partido de oposição sistemática ao governo Collor. Por isso, a direção do PT se recusou a tomar a iniciativa para começar uma campanha pelo Fora Collor em 1991, quando do 1º Congresso, mas depois que a campanha ganhou sustentação de massas nas ruas em agosto de 1992, apesar do PT, a apoiou;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(d) depois da eleição de FHC em 1994, até 2002, o PT manteve a posição de oposição parlamentar, porém, recusando-se a mobilizar a sua base social de apoio para tentar impedir o governo FHC de governar, mesmo quando em 1999, se abriu a possibilidade de fazer contra FHC um movimento semelhante ao que foi feito contra Collor. Foi nesse processo que se consolidou a liderança de José Dirceu;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(e) finalmente, depois da vitória de Lula, ou mais precisamente depois da Carta aos brasileiros em julho de 2002, ao se transformar em partido de governo, o PT passou a ser o principal suporte da contenção social para garantir a governabilidade de Lula. Foi o governo Lula que freiou, conteve e depois anulou a dinâmica histórica que evoluía na transição de uma situação pré-revolucionária para revolucionária como na Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador. O PT foi o partido dirigente do governo Lula que conseguiu, entre 2003 e 2010 - sobretudo depois de 2006 – a estabilização política do regime democrático eleitoral: nenhum dos governos eleitos depois de 1989, nem Collor, nem Itamar, nem Fernando Henrique Cardoso tinha logrado de forma tão duradoura uma aceitação política tão grande, e uma neutralização tão bem sucedida do protesto operário e popular. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Periodizações são discutíveis, mas em um livro de história são inescapáveis. Escrever uma contribuição séria à história do PT não é uma tarefa simples por muitas razões. A primeira e, evidentemente, a mais importante é que o PT permanece sendo o partido mais influente do país. Não obstante essa popularidade, a perspectiva histórica obedece a critérios e tempos diferentes da velocidade vertiginosa da política. A política tem o tempo rápido das flutuações dos humores das classes sociais. Esses humores mudam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mudam em função de muitos fatores, em algumas circunstâncias mais rapidamente e, em outras, mais lentamente, porém, mudam. Sarney foi muito popular durante alguns meses de congelamento dos preços em 1986. Collor foi muito popular quando conseguiu controlar a inflação nos meses do primeiro semestre de 1990. Um livro de história equilibrado não deve se curvar diante dos impressionismos das circunstâncias. Deve ir além e procurar desvendar os novelos do fio de Ariadne que permitem sair do labirinto das pressões do presente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é um livro crítico e polêmico de interpretação do PT. Ele apresenta uma hipótese de explicação para a evolução das posições políticas e programáticas da direção do PT que repousa em uma análise das pressões de classe a que o Partido esteve submetido. A dinâmica de adaptação do PT ao regime democrático eleitoral será apresentada simultaneamente ao processo de burocratização de uma geração de ativistas que ascendeu socialmente através da política e se integrou às classes médias acomodadas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este livro nos apresenta a história de um partido que, paradoxalmente, nasceu de uma combinação rara de virtu e fortuna, oportunidade e coragem. Aproveitou as possibilidades abertas pela formação de uma nova geração de trabalhadores em processo de industrialização acelerada. Conseguiu atrair amplas parcelas das classes médias desgastadas por duas décadas de ditadura. Da oposição à ditadura militar, evoluiu para oposição ao governo Sarney, mas passou a defender o regime democrático, o que o levou a hesitar na hora da luta para derrubar Collor e, finalmente, colocou-se ao lado da institucionalidade apoiando a posse de Itamar. O giro à direita da direção do PT foi tão rápido que sacrificou dez anos: renunciou à defesa de eleições gerais em 1992, pensando que poderia vencer as eleições em 1994. Só chegou a Brasília com as eleições de 2002. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda história política séria é a história de uma luta pelo poder. O imponente na luta da classe trabalhadora pelo poder é que ela vive uma tripla condição de exploração econômica, opressão cultural e dominação política. Por isso é tão dramaticamente difícil. Nas sociedades contemporâneas dos paises centrais, após mais de meio século de estabilidade de calendários eleitorais previsíveis, a luta política tem a aparência de uma rotineira luta entre partidos. E essa luta se resume a uma coreografia aborrecida, e até penosa, de disputa de espaços entre aparelhos eleitorais cada vez mais iguais uns aos outros. Aparelhos que não merecem muita confiança porque, quando chegam ao poder, fazem o contrário do que tinham se comprometido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resumo da ópera: o engano no lugar da coerência, a dissimulação no da integridade, o disfarce no da transparência, a máscara no da honradez, enfim, o ardil, a fraude, a falcatrua, no lugar da retidão, da inteireza, da honestidade. A alternância de governos não parece entusiasmar mais ninguém. Nem os defensores do regime democrático que se esforçam em teorizar a sua necessidade, apesar da miséria da corrupção endêmica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se todas as lutas operárias e populares do mundo contemporâneo merecem ser preservadas do esquecimento pelo que guardam de admirável, a luta pelo poder, que é quando a classe trabalhadora se eleva acima do patamar das resistências para abraçar a transformação da sociedade, tem algo de grandioso. Se a história do PT teve um início emocionante nos anos setenta, e uma trajetória corajosa nos oitenta, perdeu o impulso nos anos noventa. E o PT que assumiu o governo com Lula em 2002 não merece ser poupado de um julgamento histórico severo. Um ciclo histórico se completou, e a oportunidade do PT ser uma ferramenta para mudar o Brasil a favor da classe trabalhadora e da maioria do povo se perdeu. Outras já estão sendo construídas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por último, não posso deixar de dizer ao leitor da minha estima por Cyro Garcia. Meu afeto não deixou de crescer ao longo destes últimos trinta anos. Filho da classe trabalhadora, Cyro foi bancário durante décadas. Foi sempre um ativista incansável. Nos anos oitenta era impensável uma grande manifestação nas ruas da Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro sem que Cyro Garcia estivesse em cima do carro de som comandando a agitação. Cyro foi presidente de um dos maiores sindicatos do país e não se deixou corromper pelas pressões do aparelho sindical. Foi deputado federal e não cedeu às pressões parlamentares. Cyro voltou para a Universidade para estudar e concluiu um doutorado na UFF, e hoje é professor universitário de história. Carioca da gema, boa praça como se dizia, antigamente, Cyro é conhecido pelo seu indestrutível bom humor. Este primeiro livro de Cyro Garcia testemunha que o trabalho intelectual pode se unir à militância política com resultados estupendos. Porque a trajetória pessoal de Cyro é indivisível da história da CUT e do PT do Rio de Janeiro. Por último, Cyro é um dos mais honestos militantes revolucionários que conheci.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Do Blog do PSTU&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7756095627452435257?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://pstupiaui.blogspot.com/2011/11/livro-sobre-transformacoes-do-pt-e_23.html' title='Livro analisa trajetória do PT'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7756095627452435257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7756095627452435257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7756095627452435257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7756095627452435257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/livro-analisa-trajetoria-do-pt.html' title='Livro analisa trajetória do PT'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-4191542068639308824</id><published>2011-11-24T09:41:00.000-02:00</published><updated>2011-11-24T09:41:57.566-02:00</updated><title type='text'>Comissão da Verdade: quem cala, consente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu presenciei, no dia 18 de novembro, no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma sancionar a Comissão da Memória e da Verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode ser um passo histórico para o país. Não somente para as famílias de adolescentes, mulheres e homens marcados por tortura, prisões arbitrárias, mortes e desaparecimentos no período da ditadura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afinal, até hoje, incontáveis brasileiros, especialmente os mais pobres, os menos brancos e os homossexuais ainda têm seus direitos violados, são cotidianamente agredidos sem defesa nas ruas ou presos arbitrariamente, sem respeito à integridade física e moral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como a juíza Patrícia Acioli, muitos ainda são brutalmente assassinados quando buscam justiça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossa história familiar é, portanto, uma entre tantas já testemunhadas. A exposição sobre Rubens Paiva, que viaja o Brasil, mostra a vida do jovem estudante da UEE que lutou pelo "Petróleo é Nosso", depois eleito deputado federal e cassado pelo golpe de 1964.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pai de cinco filhos, bem-sucedido engenheiro e democrata preocupado com o seu país, foi preso em casa quando voltava do vôlei da praia, feliz em almoçar com a família no feriado. Dirigiu seu carro até o quartel, cujo recibo de entrega é a única prova de que foi preso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha irmã de 15 anos e minha mãe, sequestradas no dia seguinte, ficaram dias no DOI-CODI, cenário de horror naqueles tempos. Reencontrei-as esquálidas e com a alma partida. Minha mãe por anos a fio tentou encontrá-lo, ou pelo menos ter notícias. Nenhuma notícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quarenta anos depois, nós da família e os amigos honramos juntos sua memória na inauguração da exposição, finalmente. Descobrimos que a data em que cada um decidiu que Rubens Paiva tinha morrido variava muito, meses e anos diferentes: aceitar que ele tinha sido assassinado seria matá-lo mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa cicatriz ficará menos dolorida se nada disso se repetir, se o Brasil consolidar sua democracia e seu caminho para a paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na cerimônia em que ouvi o bom discurso da presidenta Dilma e recebi seu abraço carinhoso, não tive a oportunidade de falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembraria em minha fala que em 1977, numa das primeiras manifestações pós-1968 pelas liberdades democráticas e contra prisões arbitrárias de colegas, como estudantes organizados no DCE da USP distribuíamos pacificamente uma carta aberta à população.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parados pelas bombas do coronel Erasmo Dias, sentamos no viaduto do Chá e lemos em voz alta a carta que recitava: "Hoje, consente quem cala".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa será uma "Comissão da Meia Verdade" se calarmos ou consentirmos, não é mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Autonomia, soberania e uma grande equipe de apoio são necessárias à Comissão para que a Memória e a Verdade venham à tona.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será fundamental para que os violadores de direitos humanos, os armados torturadores de hoje, não se sintam impunes e impeçam a paz e a justiça de todos os dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chile, Argentina e África do Sul deram exemplos de como fazê-lo. Entidades internacionais concordam conosco que a impunidade e o sigilo sobre a violação de direitos humanos, ontem e hoje, serão cúmplices do sofrimento dos brasileiros cotidianamente afetados por essa herança de horror.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora não mais apoiada em leis de exceção, essa herança segue pela ação daqueles que desrespeitam sua obrigação constitucional, dos que perpetuam a cultura que alimenta a intolerância e a violência institucionalizada. A democracia deve ser reconstruída e valorizada a cada geração. Somos todos responsáveis, civis e militares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, quem calar consentirá.&lt;/div&gt;&lt;hr noshade="" size="1" /&gt;&lt;div class="on_footer"&gt;&lt;b&gt;VERA PAIVA&lt;/b&gt;, filha de Rubens Paiva, é professora do Instituto de Psicologia da USP.&lt;/div&gt;&lt;div class="on_footer"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="on_footer"&gt;Publicado na Folha de S. Paulo em 24.11.2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-4191542068639308824?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/4191542068639308824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=4191542068639308824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4191542068639308824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4191542068639308824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/comissao-da-verdade-quem-cala-consente.html' title='Comissão da Verdade: quem cala, consente'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-8736597730987955013</id><published>2011-11-19T18:36:00.000-02:00</published><updated>2011-11-19T18:36:41.548-02:00</updated><title type='text'>A belle époque carioca pela porta dos fundos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O leitor que pretende conhecer o Rio de Janeiro da belle époque como se entrasse na cidade pela porta dos fundos, deve percorrer as páginas do livro “&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=669&amp;amp;idProduto=690"&gt;Uma outra face da belle époque carioca&lt;/a&gt;: o cotidiano nos subúrbios nas crônicas de Lima Barreto” (&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/"&gt;Editora Multifoco&lt;/a&gt;) lançado recentemente. Nessa obra, Joachin Azevedo Neto constrói um olhar arguto sobre a capital federal do início do século XX a partir de um lugar muito singular: a “Vila Quilombo”. Essa expressão foi utilizada por Lima Barreto para designar a sua casa, situada no subúrbio carioca de Todos os Santos. Numa crônica publicada na Gazeta de Notícias, no mesmo ano do seu precoce falecimento, em 1922, justificava o epíteto: foi “para enfezar Copacabana”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/imagens/produtos/uma-outra-face-da-belle-epoque-carioca-o-cotidiano-nos-suburbios-nas-cronicas-de-lima-barreto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="200" src="http://www.editoramultifoco.com.br/imagens/produtos/uma-outra-face-da-belle-epoque-carioca-o-cotidiano-nos-suburbios-nas-cronicas-de-lima-barreto.jpg" width="138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O autor capta no seu texto toda a eloquencia dessa expressão. Porque afinal, é uma expressão bastante eloquente e disso não resta dúvida. Senão, vejamos. O subúrbio de Todos os Santos é lugar peculiar que molda o relacionamento do escritor com a cidade. Aquele bairro distante em que viveu durante praticamente quase toda a sua vida adulta não era lugar frequentado pelos literatos e intelectuais da época. Deixar sua casa todas as manhãs, percorrer as ruas até a estação de trem, no qual embarcava rumo ao centro da cidade, espremido com a gente simples e pobre que foi progressivamente se instalando às margens da Estrada de Ferro D. Pedro II era como experimentar cotidianamente os efeitos concretos das reformas urbanas em curso na época. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma coisa era escrever sobre a modernização e o embelezamento da região central da capital sob a ótica dos que desfrutaram desde a primeira hora dos seus benefícios. Outra coisa era experimentar na própria pele, diariamente, a condição de ter sido expulso das áreas nobres da cidade e ir inevitavelmente se instalar nas proximidades da linha do trem, meio de transporte que pelo menos garantia o acesso ao trabalho – e à sobrevivência - no comércio ou repartições públicas do Centro. Percorrendo ruas mal acabadas, sem qualquer tipo de urbanização ou infraestrutura, Lima Barreto urdiu boa parte de sua crônica, que o autor desse livro habilmente transforma em objeto de reflexão. É sobre o Rio da pobreza, da miséria, das brutais desigualdades sociais e da exclusão – aspectos ainda assustadoramente atuais – que o “mulato de Todos os Santos” escreve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na insuperável biografia A vida de Lima Barreto, do historiador Francisco de Assis Barbosa, ficamos sabendo que o autor de Triste fim de Policarpo Quaresma frequentava os bares próximos à estação de trem da Central do Brasil e se entregava ao hábito – ou ao vício – de beber cachaça. Que outro escritor ou intelectual da época possuía os mesmos hábitos? Eis a explicação da singularidade do velho Lima e dos seus escritos. Ele compartilhava do convívio com o povo da cidade em ambientes que a elite intelectual não ousava frequentar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez por isso, o referido biógrafo de Lima há tempos já profetizava que “não será possível proceder-se à revisão de nossa história republicana, [...] trabalho que tanto se impõe, sem recorrer aos romances, contos, crônicas e artigos de Lima Barreto”. Joachin Neto cumpre a profecia de Barbosa e vai além.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já era tempo de avançarmos na direção de perceber e investigar que surge ali, na imprensa carioca do início do século XX, com Lima Barreto – mas não só com ele -, esse gênero jornalístico cuja origem temos equivocadamente atribuído a uma matriz norte-americana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, o jornalismo literário não nasceu com Gay Talese, Norman Mailer, George Orwell, Truman Capote, Tom Wolfe e outros, por volta das décadas de 1950 e 1960, tendo sido logo em seguida adotado por jornalistas, jornais e revistas no Brasil a partir dessa época. É preciso que superemos de uma vez por todas o nosso complexo tupiniquim que nos tem levado muitas vezes ao apreço desenfreado pelas novidades estrangeiras, obscurecendo o que já se faz há tempos no nosso próprio quintal. Ou nos nossos próprios subúrbios, como sugere Lima Barreto. Não precisamos buscar em canto algum para além de nossas fronteiras a origem desse gênero discursivo que escritores brasileiros desenvolveram atuando nas redações de jornais e revistas do início do século passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém descreveu os subúrbios e o avesso da modernização urbana da Capital Federal como Lima Barreto. Ninguém retratou como ele a disseminação do arrivismo, que engendrava a busca pela ascensão social a qualquer preço, e que parece ainda tão vivo entre nós em pleno século XXI. Também não encontraremos descrição tão detalhada do funcionamento do Hospício Nacional de Alienados, senão na primorosa “reportagem” que se tornou o Diário do Hospício – assim como O Cemitério dos Vivos e o conto Como o homem chegou. E quem retrataria com tamanha riqueza de detalhes a dinâmica e os bastidores da redação de um grande jornal, esse “engenhoso aparelho de aparições e eclipses, espécie complicada de tablado de mágica e espelho prestidigitador, provocando ilusões, fantasmagorias, ressurgimentos, glorificações e apoteoses com pedacinhos de chumbo, uma máquina Marinoni e a estupidez das multidões”, a não ser o autor de Recordações do escrivão Isaías Caminha - onde se lê tais palavras?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, a obra em questão evoca João Antônio. Escritor, contista e repórter que dedicou todos os seus livros ao “mestre” Lima Barreto, é considerado um dos expoentes do jornalismo literário no Brasil das décadas de 1960 e 1970. As suas insistentes dedicatórias talvez indiquem uma filiação literária do repórter premiado da revista Realidade, que escreveu também uma espécie de esboço biográfico intitulado Calvário e porres do pingente Afonso Henriques de Lima Barreto, publicado pela Civilização Brasileira em 1977. Se João Antônio usava suas dedicatórias para homenagear o seu “mestre”, a publicação do livro de Joachin Neto também soa como uma bela homenagem à crônica de Lima Barreto neste 2011 em que se completaram 130 anos do seu nascimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por Denilson Botelho &lt;br /&gt;Professor de História da UFPI&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-8736597730987955013?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/8736597730987955013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=8736597730987955013' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8736597730987955013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8736597730987955013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/belle-epoque-carioca-pela-porta-dos.html' title='A belle époque carioca pela porta dos fundos'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-728825292053982892</id><published>2011-11-18T17:56:00.000-02:00</published><updated>2011-11-18T17:56:23.189-02:00</updated><title type='text'>Quando a mídia quer ser poder paralelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;A pretexto de ser “sentinela da sociedade”, jornais frequentemente defenderam interesses dos poderosos, e participaram de articulações golpistas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Venício A. de Lima*, no Observatório da Imprensa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No clássico Four Theories of the Press, de Siebert, Peterson e Schramm – consequência indireta do longo trabalho da Hutchins Commission, originalmente publicado no auge da Guerra Fria (University of Illinois Press, 1956) –, uma das funções descritas para a imprensa na chamada “teoria libertária” era exercer o papel de “sentinela” da liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outro livro, também clássico, que teve uma pouco conhecida tradução brasileira (Os Meios de Comunicação e a Sociedade Moderna, Edições GRD, 1966), Peterson, Jensen e Rivers assim descrevem a função:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Os libertários geralmente consideravam o governo como o inimigo mais temível e tradicional da liberdade; e, mesmo nas sociedades democráticas, os que exercem funções governamentais poderiam usar caprichosa e perigosamente o poder. Portanto, os libertários atribuíam à imprensa a tarefa de inspecionar constantemente o governo, de fazer o papel da sentinela, chamando a atenção do público sempre que as liberdades pessoais estivessem perigando” (p. 151-152).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos Estados Unidos, a teoria libertária foi substituída pela teoria da responsabilidade social, mas o papel de fiscalização sobre o governo permaneceu, lá e cá, geralmente aceito como uma das funções fundamentais da imprensa nas democracias liberais representativas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jornalismo investigativo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O chamado “jornalismo investigativo”, que surge simultaneamente ao ethos profissional que atribui aos jornalistas a “missão” de fiscalizar os governos e denunciar publicamente seus desvios, deriva do papel de “sentinela” e é por ele justificado. A revelação de segredos ocultos do poder público passou a ser vista como uma forma de exercer a missão de guardião do interesse público e a publicação de escândalos tornou-se uma prática que reforça e realimenta a imagem que os jornalistas construíram de si mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo, a mídia passou a disputar diretamente a legitimidade da representação do interesse público, tanto em relação ao papel da Justiça – investigar, denunciar, julgar e condenar – como em relação à política institucionalizada de expressão da “opinião pública” pelos políticos profissionais eleitos e com cargo nos executivos e nos parlamentos. Tudo isso acompanhado de uma permanente desqualificação da Política (com P maiúsculo) e dos políticos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na nossa história política há casos bem documentados nos quais a grande mídia reivindica para si esses papéis. O melhor exemplo talvez seja o da chamada “rede da democracia” que antecedeu ao golpe de 1964 e está descrita detalhadamente no livro de Aloysio Castelo de Carvalho, A Rede da Democracia – O Globo, O Jornal e o Jornal do Brasil na Queda do Governo Goulart(1961-64), NitPress/Editora UFF, 2010.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais recentemente, a presidenta da Associação Nacional de Jornais (ANJ) declarou publicamente:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo, de fato, a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo” (“Ações contra tentativa de cercear a imprensa”, O Globo, 19/3/2010, pág. 10).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Prerrogativa única&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como chamou a atenção o governador Tarso Genro, na abertura de um congresso nacional contra a corrupção, organizado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, em outubro passado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Criou-se um jornalismo de denúncia, que julga e condena. Usam a corrupção como argumento para dizer que as instituições não funcionam e tentar substituí-las (…) atualmente, os casos mais graves são investigados pela mídia e divulgados dentro das conveniências dos proprietários dos grandes veículos (…) fazem condenações políticas de largas consequências sobre a vida dos atingidos, e tomam para si até o direito de perdão, quando isso se mostra conveniente” (&lt;a href="http://sul21.com.br/jornal/2011/10/grande-midia-quer-instituir-justica-paralela-no-brasil-diz-tarso/"&gt;ver aqui&lt;/a&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será que estamos a assistir no Brasil à comprovação prática da afirmação de Paul Virilio: “A mídia é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra”? A resposta a essa questão deve ser dada pela própria Justiça e pelas instituições políticas. A ver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*Venício A. de Lima é sociólogo e jornalista; autor, entre outros, de Comunicação e Cultura: as Ideias de Paulo Freire; 2ª. ed. revista, com nova introdução e prefácio de Ana Maria Freire. EdUnB/Perseu Abramo, 2011&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Copiado do &lt;a href="http://ponto.outraspalavras.net/2011/11/17/fiscalizacao-governo-ou-poder-paralelo/"&gt;Outras Palavras&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-728825292053982892?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://ponto.outraspalavras.net/2011/11/17/fiscalizacao-governo-ou-poder-paralelo/' title='Quando a mídia quer ser poder paralelo'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/728825292053982892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=728825292053982892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/728825292053982892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/728825292053982892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/quando-midia-quer-ser-poder-paralelo.html' title='Quando a mídia quer ser poder paralelo'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-2720656443202199326</id><published>2011-11-15T10:57:00.000-02:00</published><updated>2011-11-15T10:57:20.837-02:00</updated><title type='text'>Pensar a USP</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As reações ao que ocorreu na USP demonstram como, muitas vezes, é difícil ter uma discussão honesta e sem ressentimentos a respeito do destino de nossa maior universidade. Se quisermos pensar o que está acontecendo, teremos que abandonar certas explicações simplesmente falsas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro, que o epicentro da revolta dos estudantes seja a FFLCH, isto não se explica pelo fato de a referida faculdade estar pretensamente "em decadência". Os que escreveram isso são os mesmos que gostam de avaliar universidades por rankings internacionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, vejam que engraçado, segundo a QS World University Ranking, os Departamentos de Filosofia e de Sociologia da USP estão entre os cem melhores do mundo, isso enquanto a própria universidade ocupa o 169º lugar. Ou seja, se a USP fosse como dois dos principais departamentos da FFLCH, ela seria muito mais bem avaliada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo, não foram alunos "ricos, mimados e sem limites" que provocaram os atos. Entre as faculdades da USP, a FFLCH tem o maior percentual de alunos vindos de escola pública e de classes desfavorecidas. Isso explica muita coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para alunos que vieram de Higienópolis, a PM pode até significar segurança, mas aqueles que vieram da base da pirâmide social têm uma visão menos edulcorada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles conhecem bem a violência policial de uma instituição corroída por milícias e moralmente deteriorada por ser a única polícia na América Latina que tortura mais do que na época da ditadura militar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há nada estranho no fato de eles rirem daqueles que gritam que a PM é o esteio do Estado de Direito. Não é isso o que eles percebem nos bairros periféricos de onde vieram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terceiro, a revolta dos estudantes nada tem a ver com o desejo de fumar maconha livremente no campus. A descriminalização da maconha nunca foi uma pauta do movimento estudantil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, o incidente envolvendo três estudantes com um cigarro de maconha foi a faísca que expôs um profundo sentimento de não serem ouvidos pela reitoria em questões fundamentais. Era o que estava realmente em jogo. Até porque, sejamos claros, mesmo se a maconha fosse descriminalizada, ela não deveria ser tolerada em ambientes universitários, assim como não se tolera a venda de bebidas alcoólicas em vários campi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ocorreu a morte de um aluno da FEA, vários grupos de estudantes insistiram que a vinda da PM seria uma máscara para encobrir problemas sérios na segurança do campus, como a iluminação deficiente, a parca quantidade de ônibus noturnos, a concentração das moradias estudantis em só uma área e a falta de investimentos na guarda universitária. Isso talvez explique porque 57% dos alunos dizem que a presença da PM não modificou em nada a sensação de segurança. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por As reações ao que ocorreu na USP demonstram como, muitas vezes, é difícil ter uma discussão honesta e sem ressentimentos a respeito do destino de nossa maior universidade. Se quisermos pensar o que está acontecendo, teremos que abandonar certas explicações simplesmente falsas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro, que o epicentro da revolta dos estudantes seja a FFLCH, isto não se explica pelo fato de a referida faculdade estar pretensamente "em decadência". Os que escreveram isso são os mesmos que gostam de avaliar universidades por rankings internacionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, vejam que engraçado, segundo a QS World University Ranking, os Departamentos de Filosofia e de Sociologia da USP estão entre os cem melhores do mundo, isso enquanto a própria universidade ocupa o 169º lugar. Ou seja, se a USP fosse como dois dos principais departamentos da FFLCH, ela seria muito mais bem avaliada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo, não foram alunos "ricos, mimados e sem limites" que provocaram os atos. Entre as faculdades da USP, a FFLCH tem o maior percentual de alunos vindos de escola pública e de classes desfavorecidas. Isso explica muita coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para alunos que vieram de Higienópolis, a PM pode até significar segurança, mas aqueles que vieram da base da pirâmide social têm uma visão menos edulcorada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles conhecem bem a violência policial de uma instituição corroída por milícias e moralmente deteriorada por ser a única polícia na América Latina que tortura mais do que na época da ditadura militar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há nada estranho no fato de eles rirem daqueles que gritam que a PM é o esteio do Estado de Direito. Não é isso o que eles percebem nos bairros periféricos de onde vieram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terceiro, a revolta dos estudantes nada tem a ver com o desejo de fumar maconha livremente no campus. A descriminalização da maconha nunca foi uma pauta do movimento estudantil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, o incidente envolvendo três estudantes com um cigarro de maconha foi a faísca que expôs um profundo sentimento de não serem ouvidos pela reitoria em questões fundamentais. Era o que estava realmente em jogo. Até porque, sejamos claros, mesmo se a maconha fosse descriminalizada, ela não deveria ser tolerada em ambientes universitários, assim como não se tolera a venda de bebidas alcoólicas em vários campi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ocorreu a morte de um aluno da FEA, vários grupos de estudantes insistiram que a vinda da PM seria uma máscara para encobrir problemas sérios na segurança do campus, como a iluminação deficiente, a parca quantidade de ônibus noturnos, a concentração das moradias estudantis em só uma área e a falta de investimentos na guarda universitária. Isso talvez explique porque 57% dos alunos dizem que a presença da PM não modificou em nada a sensação de segurança. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por &lt;strong&gt;VLADIMIR SAFATLE&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Folha de S. Paulo de 15 de novembro de 2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-2720656443202199326?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/2720656443202199326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=2720656443202199326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2720656443202199326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2720656443202199326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/pensar-usp.html' title='Pensar a USP'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-6759683240297108686</id><published>2011-11-12T11:40:00.001-02:00</published><updated>2011-11-12T14:32:39.168-02:00</updated><title type='text'>O jornalismo também pode matar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No último domingo, 6 de novembro de 2011, o Brasil amanheceu com a notícia da morte de um cinegrafista da Rede Bandeirantes de Televisão. Gelson Domingos fazia a cobertura de uma operação policial na favela Antares, em Santa Cruz, bairro da distante zona oeste do Rio de Janeiro, quando foi atingido por um tiro de fuzil usado por um suposto traficante e morreu antes mesmo de chegar ao hospital. O caso merece profunda reflexão sobre o jornalismo que temos atualmente no país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiramente convém ressaltar que Gelson não foi convidado pela Polícia Militar para acompanhar aquela operação. Consta que tinha larga experiência na sua atividade, mas foi designado pela emissora na qual trabalhava para deslocar-se até Antares na manhã daquele domingo. Cumpria assim uma obrigação funcional. Nada indica que pediu ou se ofereceu para ir filmar a polícia em ação naquele caso. Foi obrigado a fazê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que o telespectador fica se perguntando muitas vezes é sobre a utilidade e a pertinência de imagens audaciosas como essas. Já que não se trata de ficção, mas sim da dura realidade, o que leva um cinegrafista a colocar-se na linha de fogo entre policiais e bandidos? Seria o desejo de mostrar a verdade? Seria um apego inarredável à liberdade de expressão? Ou ainda podemos cogitar de uma efêmera celebridade alcançada pelo cinegrafista ao ter seu nome anunciado no noticiário televisivo da emissora, comandado por um apresentador falastrão e sensacionalista? Posso até imaginar o programa servido a uma audiência ávida por sangue na tela, no horário do almoço ou jantar: “E agora vamos assistir imagens exclusivas do nosso cinegrafista da Band, Gelson Domingos, sobre o terrível confronto policial...”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em suma, parece que não aprendemos nada com o caso Tim Lopes, trucidado na Vila Cruzeiro. Penso que é indispensável discutir a responsabilidade das emissoras de televisão, empresas de comunicação que alcançam lucros elevados com a espetacularização da notícia, fazendo da violência um circo grotesco e interminável. Há poucos anos uma repórter recém-formada da própria TV Bandeirantes levou um tiro numa cobertura jornalística de uma operação policial que se fazia no Morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Por pouco Nadja Haddad não morreu. O que a Band aprendeu com aquele episódio? Nada. O negócio é mesmo faturar. E nesse caso, o produto oferecido é a notícia transformada em mercadoria cujo valor é determinado pelos índices de audiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para que ninguém pense que estou exagerando, respaldo-me aqui em levantamento veiculado pelo Portal Imprensa (www.portalimprensa.uol.com.br) - dos mesmos editores da revista “Imprensa – Jornalismo e Comunicação” (com edição mensal) – no último dia 10 de novembro. Nesse curto espaço de poucos dias, a derradeira cena gravada por Gelson naquela fatídica cobertura foi exibida 210 vezes na televisão brasileira. Não é pouca coisa. Detalhe: a Band foi a emissora que mais transmitiu o momento da morte do cinegrafista, com 101 reprises. Foi seguida de perto pela Record, com 66 exibições, SBT com 20 vezes, a Globo com 13 e a RedeTV! com dez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico pensando no horror vivido pelos familiares do cinegrafista, que deixou três filhos órfãos de pai e uma viúva, sendo massacrados pelas 220 exibições das imagens que registraram a agonia de Gelson ao ser atingido por um tiro de fuzil. Imagino que a alternativa menos dolorosa que lhes restou deve ter sido desligar a TV.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rapidamente as emissoras bradaram em uníssono o mesmo argumento: foi um inaceitável atentado contra a liberdade de expressão! Será? Ou esta não é uma forma torpe dessas empresas eximirem-se das responsabilidades que deveriam recair também sobre os seus ombros? Afinal, o cinegrafista estava no exercício de suas funções laborais naquele episódio. Duvido que alguém tenha lhe perguntado se desejaria ou não fazer aquela cobertura. E mesmo que a pergunta lhe tenha sido feita, provavelmente ele temeria pelo seu próprio emprego ao recusar-se a seguir de perto policiais em meio a um tiroteio. A recusa possivelmente lhe custaria a vaga naquela empresa, sendo substituído a curto ou médio prazo por outro profissional supostamente mais intrépido e corajoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tese do atentado contra a liberdade de expressão me parece pífia, inepta, insustentável. Difícil imaginar que, em meio aquela intensa troca de tiros, o bandido atirador estivesse mirando o cinegrafista e não os policiais. Difícil imaginá-lo mirando num Gelson desarmado ou na liberdade de expressão esgrimida pela Band, Globo, Record, SBT e RedeTV! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Basta de hipocrisia! O que vimos naquela cena é que o jornalismo também pode matar, sobretudo quando abandona a sua nobre função social e se torna uma mercadoria infame, fazendo da notícia um espetáculo e uma mercadoria extremamente lucrativa para os nossos oligopólios de mídia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso refletir sobre as mais variadas vítimas cotidianas desse tipo de jornalismo, além do cinegrafista fuzilado no último domingo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Professor de História da UFPI&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Coluna Fórum do jornal O Dia, de Teresina (PI), em 12/11/2011. Caderno Em Dia, pág. 4.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-6759683240297108686?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/6759683240297108686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=6759683240297108686' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6759683240297108686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6759683240297108686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/o-jornalismo-tambem-pode-matar.html' title='O jornalismo também pode matar'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-9007944334941520867</id><published>2011-11-05T11:59:00.001-02:00</published><updated>2011-11-05T12:26:02.159-02:00</updated><title type='text'>A mídia que faz e desfaz</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente mais um ministro do governo Dilma foi substituído. Orlando Silva caiu. Não me arrisco a afirmar que não havia corrupção no Ministério do Esporte. Não colocaria a mão no fogo pela honestidade dos comunistas do PCdoB. Se o PT, que até pouco tempo se comportava como vestal republicana, já aprontou poucas e boas, porque seria diferente com outros partidos de esquerda? Nunca é demais desconfiar e manter o senso crítico aguçado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, também não me surpreenderei caso se comprove, futuramente, que tudo isso não passou de uma armação contra o ex-ministro. Principalmente porque a denúncia partiu das páginas de Veja, uma revista notoriamente venal, movida invariavelmente por interesses escusos. Além disso, o veículo de comunicação em questão conferiu absoluta credibilidade a um denunciante indiscutivelmente desprovido desse atributo. Então é recomendável que sejamos cautelosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que mais me preocupa nesse episódio é que a grande mídia corporativa, constituída pelos grupos empresariais Abril, Globo e similares, se apresenta cada vez mais forte. Essa mídia faz e desfaz ministros ao sabor de suas conveniências. Parece que deseja sentar-se na cadeira presidencial de Dilma ou designar para essa função um preposto confiável – ou pelo menos em sintonia com os seus interesses econômicos e políticos, tal como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alkmin ou Aécio Neves.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelo menos foi isso que um colunista da revista Época (que pertence à Editora Globo) deixou escapar na edição que circulou essa semana, com data de 31 de outubro de 2011. Guilherme Fiúza, que faz em Época papel semelhante ao que Diogo Mainardi já exerceu exaustivamente na Veja – uma espécie de colunismo político banhado na mais completa aversão ao PT e completamente subserviente ao tucanato -, encerrou seu último texto publicado naquele semanário fazendo essa perigosa apologia: “No fim das contas, Dilma poderia parodiar a canção de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, em agradecimento a quem vem salvando seu mandato do vazio existencial: ‘Não sou eu quem me governa, quem me governa é a mídia’” (pág. 36 da referida edição).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiúza certamente tornou pública uma ambição dessa mídia corporativa, inescrupulosa e golpista. Não importa o juízo que façamos sobre Dilma e o PT, mas devemos zelar pelo fato de que foram eleitos democraticamente. Seu mandato lhe foi conferido pelo voto popular, através de uma consulta republicana. Queiramos ou não, se Dilma hoje governa o país, isso foi determinado pelas urnas e pelo regime democrático que lutamos arduamente para restabelecer no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que me preocupa é que isso parece uma grave ameaça a jovem democracia que temos. E a história está sempre à espreita, a nos fornecer exemplos nefastos de momentos em que a imprensa pretendeu governar, fazer e desfazer os rumos do país, sem que tenha sido referendada pelas urnas para tal. Uma parcela significativa da responsabilidade pela crise em que mergulhou o segundo governo Vargas (1951-1954), que culminou no seu suicídio, pode ser imputada à imprensa da época. Carlos Lacerda promoveu perseguição implacável contra Vargas através do seu jornal Tribuna da Imprensa. Nessa campanha política contou o apoio de vários outros jornais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vale lembrar que a notícia da morte de Getúlio despertou não apenas uma comoção nacional, mas também revolta. Parte da população tomou as ruas da capital federal e partiu em busca de vingança contra um alvo preciso: redações e carros de reportagem foram atacados e incendiados por populares. Há uma foto clássica (que pertence ao acervo do CPDOC/FGV) de um veículo do jornal O Globo tombado em meio aos protestos de rua ocorridos nesta ocasião. Era como se atribuíssem a uma certa imprensa uma parcela de culpa pelo suicídio – ato político derradeiro de Vargas. “Minha razão de viver”, livro de Samuel Wainer, fornece um testemunho precioso desses embates e da tentativa de Getúlio Vargas de reagir ao bloqueio midiático que vinha sofrendo. O jornal Última Hora, dirigido por Wainer, não deixa de ser uma tentativa de resistir aos ataques liderados por Lacerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vem ao caso discutir se aquele foi um governo bom ou ruim, se Vargas era amado ou odiado. O que importa é que governava porque finalmente foi eleito pelo voto popular, não era mais o ditador, mas um presidente da república ungido pelas urnas numa eleição democrática. E tombou sob a batuta de uma imprensa agressiva além da conta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a mídia se acha no direito de governar no lugar da presidente, a democracia está em perigo. Sobretudo se o faz através de um denuncismo irrefreável e criminosamente articulado, sem provas cabais e incontestáveis do que afirma. Nesse caso, ao invés de exercer a função social de informar, perde o sentido de sua própria existência e se arroga um poder que a sociedade não lhe conferiu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando se fala em discutir um marco regulatório para a mídia, esses mesmos grupos logo se apressam em confundir a opinião pública, acusando essa iniciativa de censura, de ameaça à liberdade de expressão. Um novo marco regulatório teria por objetivo democratizar os meios de comunicação, seria a oportunidade de desmontar os oligopólios midiáticos que nos dominam e permitir que o jornalismo não seja feito apenas de figuras como Fiúza, Mainardi, Ali Kamel e congêneres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denílson Botelho&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Professor de História da UFPI&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Coluna Fórum do jornal O Dia, Teresina, PI, em 05.11.2011, p. 4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observação:&lt;br /&gt;Para que não paire qualquer dúvida sobre o que quero dizer ao defender um marco regulatório para mídia, recomendo a leitura esclarecedora da seguinte matéria: &lt;a href="http://ponto.outraspalavras.net/2011/11/04/constituicao-para-democratizar-comunicacao/"&gt;http://ponto.outraspalavras.net/2011/11/04/constituicao-para-democratizar-comunicacao/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-9007944334941520867?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/9007944334941520867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=9007944334941520867' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/9007944334941520867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/9007944334941520867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/midia-que-faz-e-desfaz.html' title='A mídia que faz e desfaz'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7297049924443210192</id><published>2011-11-04T15:02:00.000-02:00</published><updated>2011-11-04T15:02:42.460-02:00</updated><title type='text'>Ainda a CONTRAPONTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jamais soube que ao trabalhar na CONTRAPONTO, trabalhava num site que pertence "a quem configurou esteticamente o site, [que] é como um quadro, uma obra de arte". Pasme! Devo ser mesmo um idiota!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Insisto: se a revista não acabou, porque foi retirada do ar???&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será porque "o programador não se sente confortável com o uso que pode ser feito de seu código sem seu consentimento"???&amp;nbsp;O&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; aluno &lt;i&gt;web designer&lt;/i&gt; levou ou não consigo a revista de toda uma comunidade, como se pudesse carregá-la debaixo do braço?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como não sou coveiro das boas ideias, desejo vida longa à CONTRAPONTO (embora eu não saiba mais onde localizá-la, pelo menos por enquanto...).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7297049924443210192?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7297049924443210192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7297049924443210192' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7297049924443210192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7297049924443210192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/11/ainda-contraponto.html' title='Ainda a CONTRAPONTO'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-6947451635200844042</id><published>2011-10-31T10:40:00.000-02:00</published><updated>2011-10-31T10:40:04.269-02:00</updated><title type='text'>Por que tanto temem o passado?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muita gente acha que o passado é letra morta, página virada da história. Por isso mesmo não interessa a ninguém, pois o que importa é o presente e o futuro que está por vir. É com isso que devemos nos preocupar, pois, afinal, o passado já foi, não volta. Chegam até mesmo a questionar o sentido e a validade do trabalho do historiador. A história serviria apenas para aporrinhar a vida de crianças e adolescentes ao longo de sua trajetória de formação escolar, ou para satisfazer um certo diletantismo – o simples prazer de conhecer algo, ainda que isso não tenha a menor utilidade prática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses momentos, eu sempre me lembro de um colega do tempo em que eu cursava a graduação que, numa viagem de barca entre o Rio e Niterói, falava com entusiasmo das inúmeras possibilidades de atuação que o curso de Economia lhe abriria no futuro. Era uma fala do tipo “formado nessa área eu poderei trabalhar nisso, naquilo e naquilo outro...”. E antes que a barca atracasse em Niterói, ele perguntou e já adiantou a resposta que lhe parecia quase óbvia: “e você, por que faz História? Sim, porque se não for para dar aula, a História não serve para nada, não é? É puro diletantismo”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o passado é mesmo página virada que a ninguém interessa, o leitor deve acompanhar com certa estupefação o noticiário dos últimos dias. Na semana que passou, o Senado Federal finalmente rejeitou a classificação de “sigilo eterno” para documentos oficiais produzidos pelo Estado. O ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB/AL) vinha comandando manobras no sentido de protelar a apreciação da matéria consubstanciada na chamada Lei do Acesso à Informação, que acaba com o sigilo eterno de documentos de Estado. Collor chegou a contar inicialmente com o apoio do ex-presidente e atual Presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), que resolveu recuar na última semana e submeter o texto da lei ao plenário, que o aprovou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelas novas regras, os documentos classificados como ultrassecretos terão o prazo atual de sigilo reduzido de 30 para 25 anos. Já o prazo para a divulgação de documentos secretos será de 15 anos. Os que forem considerados reservados poderão ser divulgados em cinco anos. A contagem do tempo se inicia na data de produção do documento. A nova lei acaba também com a prorrogação indefinida do prazo de sigilo, sendo permitida no máximo uma única prorrogação. Com isso, o tempo máximo de sigilo que haverá sobre um documento ultrassecreto será de 50 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Collor, derrotado no plenário junto com o seu PTB, considerou a aprovação da lei uma temeridade. O que tanto preocuparia Collor e chegou a preocupar também Sarney na Lei do Direito à Informação? O que tanto temem os nobres senadores? Por que mostraram-se tão ciosos em silenciar o passado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três livros-reportagens podem esclarecer parte das motivos que mobilizaram os referidos parlamentares no sentido de tentar sustentar o sigilo eterno de documentos. Numa análise do processo eleitoral para Presidente da República em 1989, Gilberto Felisberto Vasconcellos traça um perfil revelador do senador de Alagoas. Ler “Collor, a cocaína dos pobres: a nova cara da direita”, de 1989, pode ser muito esclarecedor do que seria conveniente ocultar. Mario Sergio Conti, com o seu “Notícias do Planalto: a imprensa e Fernando Collor”, de 1999, também é bastante revelador. Já sobre Sarney, temos um painel mais completo em “Honoráveis bandidos: um retrato do Brasil na era Sarney”, de 2010, de autoria de Palmério Dória. Se o leitor se der ao trabalho de percorrer as páginas desses dois livros, terá elementos para pelo menos tecer suposições sobre o que tanto os aflige no passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em meados da década de 1990, participei, junto com outros pesquisadores, da elaboração do “Guia de Referências documentais para a história de Itaipu Binacional”. Os trabalhos de pesquisa e levantamento da documentação se estenderam por quase dois anos e foram coordenados pelo Centro de Memória da Eletricidade no Brasil. Esse precioso inventário de fontes me permitiu compreender os termos exatos em que se deu a construção da mais importante hidrelétrica que abastece nosso país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como todos sabem, a usina em questão foi construída durante a Ditadura Militar. Situada numa região de fronteira, resultou de um acordo bilateral entre Brasil e Paraguai. Ambos foram parceiros naquela empreitada. Ocorre que o Paraguai não possuía os recursos para tamanho investimento. O que fez o Brasil? Financiou, através de empréstimos, a parte que caberia ao Paraguai investir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de pronta a usina, pelo fato de ser binacional, os dois países - cada um situado numa margem do rio – ficaram, cada um, com metade da energia elétrica gerada. Novo problema: aquela metade da energia produzida por Itaipu seria capaz de “torrar” o Paraguai, ou seja, havia um enorme excedente que o país vizinho não tinha como consumir. Então o que fez o Brasil? Contratou a compra do excedente paraguaio por 30 anos, sob um valor abaixo do mercado para subsidiar o financiamento que o Brasil já concedera para o Paraguai investir na construção de Itaipu. Que tal?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente, passados os 30 anos do acordo, o governo Lula teve que renegociar o preço da energia comprada do Paraguai, mas esse retrospecto histórico da questão foi esquecido. A mídia apenas berrou aos quatro cantos que Lula queria ajudar o companheiro Fernando Lugo, supostamente pertencente ao mesmo campo da esquerda que o nosso presidente à época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que, a princípio, poderia parecer um acordo de cavalheiros, na verdade foi um acordo entre generais, pois se aqui o General Médici comandavam o país, do outro lado da fronteira era o General Stroessner quem conduzia com mão de ferro uma ditadura. Para além dos termos escandalosos em que se fez a negociação para financiar a construção de Itaipu, resta saber quem enriqueceu e quanto lucrou com esse negócio faraônico que a Ditadura pariu em meio ao “milagre econômico”. Acho que o exemplo de Itaipu evidencia porque certos setores da nossa sociedade tanto temem o passado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Professor de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado n’O Dia (Teresina, PI), em 29/10/2011 – Coluna Fórum&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-6947451635200844042?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/6947451635200844042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=6947451635200844042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6947451635200844042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6947451635200844042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/por-que-tanto-temem-o-passado.html' title='Por que tanto temem o passado?'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-6479840915947617088</id><published>2011-10-27T15:52:00.000-02:00</published><updated>2011-10-27T15:52:02.430-02:00</updated><title type='text'>Aos historiadores: “Não existe vida. Existe vida contada. [...] O que nos torna humanos é a capacidade de contar a vida".</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.ponto.outraspalavras.net/wp-content/uploads/2010/08/Brasileiras-Eliane-Brum-Revista-%C3%89pocab1-300x139.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://www.ponto.outraspalavras.net/wp-content/uploads/2010/08/Brasileiras-Eliane-Brum-Revista-%C3%89pocab1-300x139.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eliane Brum: Limites da vida e reportagem&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para a jornalista, “o que nos torna humanos é a capacidade de contar a vida. E é só como história contada que a vida pode fazer algum sentido”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Leandro Melito&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era começo de 2008, quando a jornalista Eliane Brum, que então trabalhava como repórter especial da Época, recebeu o telefonema do também jornalista Audálio Dantas, premiado pela ONU por uma série de reportagens sobre o Nordeste brasileiro para a extinta Realidade. Ele acabara de visitar um amigo internado na enfermaria de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e sugeriu a Eliane que acompanhasse algum dos pacientes que ali estavam para realizar uma matéria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Animada com a idéia, Eliane procurou a assessoria de imprensa do hospital para falar sobre a reportagem. Conheceu a chefe da enfermaria, Dra. Maria Gorette Maciel, que, junto com sua equipe indicou uma paciente: Ailce Oliveira de Souza, merendeira de escola aposentada, então com 66 anos. Ailce estava com câncer, um tumor malígno que não podia ser retirado. Elas tiveram seu primeiro encontro em uma visita domiciliar realizada pela equipe multiprofissional da enfermaria, no dia 26 de março de 2008.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente quando escolheu Eliane para sugerir essa reportagem, Audálio sabia que um tema delicado como esse precisaria não só de muito tato, mas também olfato, paladar e, principalmente, audição. No primeiro encontro, Eliane buscou escutar o que Ailce tinha para dizer ao invés de fazer perguntas. “A delicadeza da minha escuta me possibilitaria compreender as verdades de Ailce e não as minhas”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa forma ela conseguiu dados preciosos para a matéria que não teria se abordasse Ailce com perguntas diretas. Uma dessas informações era que a paciente não pronunciava a palavra câncer, que substituía sempre por doença ou tumor. Se tivesse perguntado algo sobre o câncer, Eliane poderia induzir Ailce a pronunciar uma palavra que havia abolido de seu vocabulário e jamais teria essa informação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se dispôs a fazer a reportagem, Eliane partiu para um enfrentamento pessoal com a questão da morte. Durante quatro meses acompanhou Ailce em visitas semanais à sua residência, além de conversar com ela ao telefone diariamente após o almoço. Entrou em um processo de questionamento sobre os limites não só da vida mas também da reportagem. “Assim como a morte questiona os limites da vida, a reportagem sobre a morte questiona os limites da reportagem”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses limites eram sua própria presença na vida que relatava. Eram os limites de quem vivenciava aqueles momentos com Ailce para depois reportá-los.“O lugar da escuta em um momento delicado e radical: o fim da vida. É preciso estar dentro e fora ao mesmo tempo. Um equilíbrio difícil. Você mergulha naquela realidade, entra nela com os dois pés, mas ao mesmo tempo a outra parte fica o o tempo todo fora”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao longo do processo, Eliane compreendeu que não estava fazendo uma reportagem sobre a morte, mas sobre o fim da vida. “Era uma matéria sobre a afirmação da delicadeza da vida ”. A vida de Ailce se esvaia e ambas sabiam que a matéria só seria finalizada com a sua morte. Os questionamentos de Eliane sobre a reportagem continuavam: “porque essa pessoa está contando essa história? Porque ela abriu a porta da casa e da vida dela?”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A passagem de Ailce aconteceu no dia 18 de julho às 15h50. Eliane sofreu com a perda daquela que se tornara sua amiga, entrou em luto. A matéria continuava à espera de um desfecho. Eliane então compreendeu quanta confiança Ailce havia depositado nela. Ailce confiara a ela sua vida. “A minha função era reconstruir o corpo dela com palavras, torná-la viva”. Ela passou então a ressignificar a vida daquela mulher através de suas palavras e de todas aquelas informações que haviam sido entregues em suas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não existe vida. Existe vida contada. O que nos torna humanos não é o polegar opositor. Ou menos de 1% de material genético diferente dos chimpanzés. O que nos torna humanos é a capacidade de contar a vida. E é só como história contada que a vida pode fazer algum sentido”, escreveria ela na crônica Minha vida dá um romance, publicada quase dois anos depois.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No processo de ressignificação da vida de Ailce, através do texto, Eliane passou também a ressignificar a própria existência. “Esse processo me levou a deixar a Época. Estou vivendo com muito pouco, só para o básico. Isso faz com que eu seja mais dona do meu tempo”. Ela compreendeu que se preparar para a morte é uma forma de valorizar a vida e passou a se preparar para a sua. O primeiro passo foi fazer seu testamento vital, um documento que expressa o desejo do paciente diante de uma doença sem possibilidade de cura, um documento onde a pessoa enquanto está consciente, determina por escrito e com testemunhas, quais são os limites do seu tratamento no caso de uma doença incurável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://ponto.outraspalavras.net/2010/08/02/eliane-brum-limites-da-vida-e-reportagem/"&gt;http://ponto.outraspalavras.net/2010/08/02/eliane-brum-limites-da-vida-e-reportagem/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-6479840915947617088?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://ponto.outraspalavras.net/2010/08/02/eliane-brum-limites-da-vida-e-reportagem/' title='Aos historiadores: “Não existe vida. Existe vida contada. [...] O que nos torna humanos é a capacidade de contar a vida&quot;.'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/6479840915947617088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=6479840915947617088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6479840915947617088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6479840915947617088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/aos-historiadores-nao-existe-vida.html' title='Aos historiadores: “Não existe vida. Existe vida contada. [...] O que nos torna humanos é a capacidade de contar a vida&quot;.'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-1612029571941459594</id><published>2011-10-24T14:29:00.000-02:00</published><updated>2011-10-24T14:29:43.847-02:00</updated><title type='text'>II Workshop da Rede de História Social e Cultural do Trabalho na Argentina e no Brasil</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-nW1AzPhN5I4/TqWR2JFuNBI/AAAAAAAAAQQ/uQVXWQEjHv0/s1600/Trabalhadores+-+II+Workshop+da+REDHISOC+-+PUC-Rio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" rda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-nW1AzPhN5I4/TqWR2JFuNBI/AAAAAAAAAQQ/uQVXWQEjHv0/s400/Trabalhadores+-+II+Workshop+da+REDHISOC+-+PUC-Rio.jpg" width="281" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-1612029571941459594?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/1612029571941459594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=1612029571941459594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1612029571941459594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1612029571941459594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/ii-workshop-da-rede-de-historia-social.html' title='II Workshop da Rede de História Social e Cultural do Trabalho na Argentina e no Brasil'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-nW1AzPhN5I4/TqWR2JFuNBI/AAAAAAAAAQQ/uQVXWQEjHv0/s72-c/Trabalhadores+-+II+Workshop+da+REDHISOC+-+PUC-Rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-3923629209473568673</id><published>2011-10-22T12:48:00.002-02:00</published><updated>2011-10-22T12:48:42.089-02:00</updated><title type='text'>Para que serve a história?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo não é o que se apresenta diante dos seus olhos. A realidade pode mudar a qualquer momento. E mais: o que aí está nem sempre foi assim. A existência humana é um processo marcado por constantes mutações. Estudar e conhecer a história é uma tentativa de compreender a natureza dessas frequentes transformações, percebendo que tudo é construção na trajetória da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O historiador é aquele que aprende a desconfiar e fazer uso obrigatório do senso crítico, porque compreende desde cedo que nada é natural, tudo é construção. Perdoe o leitor a simplificação apressada que passo a fazer, mas é necessário exemplificar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao perceber que a sua existência é essencialmente trágica, o homem constrói a religião. Afinal, como lidar com a inexorabilidade da morte? O dito popular indica que a morte é a única certeza que temos na vida. Então para que a vida não se torne uma experiência trágica, fruto da convivência com a expectativa do fim que não se sabe ao certo quando virá – se hoje, amanhã ou daqui a alguns anos, décadas -, foram construídas pelo homem várias formas de se relacionar com esse final de vida sempre à espreita. A elas podemos chamar de religiões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, as religiões surgiram em algum momento e têm também a sua história. E quem estuda e pesquisa a história das religiões obriga-se a ir além dos dogmas que as constituem. Não se trata de discutir se depois da vida existe ou não outra vida, ou se vamos ao purgatório, ao paraíso, ou qualquer outro lugar que seja. Isso é dogma e dogma não se discute. Ao historiador interessa a construção desses dogmas e como se articulam numa doutrina que estabelece interlocuções variadas com diferentes contextos históricos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O amor, o casamento e o sexo também não são condições atávicas do ser humano. Adquiriram diferentes configurações ao longo dos tempos. Não podemos tomar o padrão de família burguesa como natural, como norma ou modelo. É preciso perceber que esse modelo tradicional de família se encaixa como uma luva numa sociedade capitalista como a que temos. Cada núcleo familiar potencializa o desejo e a necessidade de consumo que alimenta de modo auspicioso esse modelo econômico. Aliás, casamento e família criam e fomentam desejos de consumo muitas vezes insaciáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se compreendemos que o casamento, o amor romântico e a família burguesa são construídos, tornamo-nos mais capazes de compreender que também a sexualidade corresponde a padrões de comportamento toleráveis ou não - de acordo com o seu tempo histórico. Ou seja, compreendemos que o sexo também está condicionado por fatores culturais, sociais e econômicos. E, melhor que tudo, percebemos que em matéria de comportamento humano, nem sempre tudo foi de uma mesma maneira e, portanto, não precisa ser desta ou daquela forma, pode mudar, pode ser diferente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inserir os acontecimentos, costumes, modos de agir e pensar, trabalhar e se divertir no plano da história, educa o nosso olhar para a compreensão, não para o julgamento. Educa-nos portanto para a tolerância que anda tão em falta nos nossos dias, visto que são abundantes as notícias de intolerância religiosa e sexual, entre outras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez seja em face disso que os historiadores têm se dedicado cada vez mais à história cultural. Afinal, tudo isso nos remete necessariamente ao plano da cultura, que é onde se tecem e se constroem valores, comportamentos e concepções de vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas últimas décadas, por exemplo, o Brasil viu se consolidar um fenômeno midiático extremamente interessante: a telenovela. Descendente direta do folhetim, esse gênero conquistou uma audiência fiel, hoje talvez ameaçada pela concorrência com as novas mídias e a internet. Uma vertente crítica de apreciação da telenovela explica que ela sempre tem um final feliz, porque, afinal de contas, a vida é uma experiência trágica: no final, todos morremos. Na telenovela não, só os bandidos e malfeitores morrem. O mocinho, em geral, casa e vai ser feliz com a sua consorte. Na vida real, muitos de nós casamos, mas nos separamos porque não deu certo continuar juntos. Então pode ser melhor ficar vidrado na trama da telenovela, visto que lá o final feliz está assegurado. Já quanto a nós... Daí os fanáticos pelo gênero, que passam a viver mais a expectativa do desenrolar de uma trama alheia, do que ter que encarar a dura realidade que os cercam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ficção, a literatura e a telenovela, não deixam de ser também uma criação humana para reinventar a relação com a própria vida. E muitas vezes essa reinvenção se torna uma intervenção efetiva na realidade em que vivemos. Basta pensar no seguinte: quantas vezes a leitura de um romance, um filme, uma peça de teatro ou mesmo uma novela já foram capazes de transformar o seu olhar sobre o mundo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Benedict Anderson, num livro intitulado “Comunidades imaginadas” (Companhia das Letras, 2008), analisa e reflete sobre como nascem as nações e o nacionalismo. O leitor deve saber que as nações têm a sua história, que foram também construídas paulatinamente, resultaram de complexos processos de formação e, muitas vezes, permanecem inconclusas. Nações são também um parto da imaginação, precisam ser imaginadas por um amplo conjunto de indivíduos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se as religiões, o amor, o casamento, a família, o sexo, a ficção e as nações são construções, a tarefa que se impõe ao historiador é desconstruí-las, desnaturalizá-las e historicizá-las. Eis o desafio fascinante que se renova diariamente diante de nós, fazendo do passado um ambiente dinâmico e inquietante, que o historiador lhe convida a frequentar cada vez mais para compreender o sentido do que você faz por aqui. A história serve para isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denílson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Professor de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na coluna Fórum, O Dia, Teresina, 22/10/2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-3923629209473568673?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/3923629209473568673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=3923629209473568673' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3923629209473568673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3923629209473568673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/para-que-serve-historia.html' title='Para que serve a história?'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-1454409259812825738</id><published>2011-10-15T09:30:00.000-03:00</published><updated>2011-10-15T09:30:19.743-03:00</updated><title type='text'>Morte anunciada</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://rsurgente.opsblog.org/files/marcelo_freixo2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://rsurgente.opsblog.org/files/marcelo_freixo2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um deputado estadual está sendo ameaçado de morte há um bom tempo. Um dos motivos das ameaças deve-se ao fato dele ter combatido sem trégua o crime organizado e suas alianças com o poder constituído. O auge de sua atuação foi numa CPI que denunciou centenas de envolvidos, inclusive policiais e até mesmo políticos. O deputado pertence a um pequeno partido de esquerda e na última campanha foi proibido de percorrer certas regiões da cidade, porque ninguém podia garantir a sua integridade física.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, não estou falando de nenhum político do Piauí ou mesmo do nordeste. Está certo que o Piauí teve o seu 50º prefeito cassado recentemente, mas já passamos da hora de parar de repetir que aqui acontece tudo de ruim. Basta desse complexo de inferioridade, pois estamos todos num mesmo barco chamado Brasil – ou seria uma canoa furada, que insistimos em não deixar afundar há mais de 500 anos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse pouco tempo em que passei a viver em Teresina, o que mais ouço por aqui são os piauienses reclamando de tudo, como, por exemplo, do calor da cidade. E no que percebem que sou do Rio de Janeiro, invariavelmente ouço algo do tipo “ah, aquilo lá é que é uma terra boa!” Será? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Influenciados pela mídia, especialmente as telenovelas da Rede Globo, muitos são levados a pensar que o carioca habita aquele balneário entre o Leme e o Recreio, numa rotina entre a praia, sombra e água fresca. Esquecem que a cidade maravilhosa não cabe na telinha da televisão e que a avassaladora maioria da população vive além-túnel Rebouças, na zona norte, subúrbios e periferias afins. O bairro de Bangu no verão, por exemplo, é capaz de deixar qualquer teresinense com saudades de casa. Sobretudo porque quando lá o clima vai ficando insuportavelmente quente (dezembro/janeiro/fevereiro), aqui começa a refrescar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois o deputado estadual a que me referi logo na primeira linha é do Rio de Janeiro e atua na Assembléia Legislativa daquele estado, não do Piauí, Maranhão ou qualquer outro do Nordeste. Sua atuação foi inclusive retratada no filme “Tropa de Elite – 2”. Ou seja, refiro-me a uma cidade que está fazendo de um dos seus filhos mais dedicados à causa do combate à pobreza, do combate às desigualdades sociais e às redes criminosas - infiltradas inclusive na máquina do Estado -, um refém indefeso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou amigo íntimo ou pessoal do deputado, mas convivemos por um bom tempo quando cursávamos juntos a Licenciatura em História, na Universidade Federal Fluminense. Enquanto a maioria de nós seguia em busca do convencional estágio nas escolas da rede pública de Niterói, Marcelo Freixo já frequentava há algum tempo os presídios do Rio. Dedicou-se desde cedo à educação da população carcerária. Ao invés de virar às costas para o cárcere, desejando hipocritamente que os que lá estão devem mesmo ser submetidos a maus tratos e, quiçá, serem até eliminados, Freixo apostava na educação como forma de viabilizar a transformação das vidas daqueles indivíduos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade ele entende que não adianta fechar os olhos para esse problema: lá dentro dos presídios existem seres humanos. Certamente cometeram crimes, mas possivelmente muitos podem ser re-introduzidos no seio da sociedade, se formos capazes de prover as condições necessárias para isso. Não se combate o crime e a violência com a multiplicação das prisões, mas com educação, saúde, redistribuição de renda e cidadania.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marcelo Freixo se elegeu deputado estadual mesmo sendo proibido de circular em regiões da cidade controladas pelas milícias cariocas. Candidato por um partido pequeno, o PSOL, teve votação extraordinária, que se beneficiou em larga medida da militância via internet. Faz do seu mandato um instrumento de luta e de denúncia de uma infinidade de atitudes que Sérgio Cabral, Eduardo Paes e sua trupe estão tomando para fazer do Rio um palco iluminado para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. São reformas urbanas que fazem lembrar atrocidades similares àquelas cometidas há um século por Pereira Passos e sua fúria modernizadora e excludente, devotada a banir da paisagem tudo aquilo que possa evocar a pobreza, a miséria e a violência que caracterizam o Rio de Janeiro há tanto tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recentemente o deputado entrou em cena de novo em face do episódio do brutal e inaceitável assassinato da juíza Patrícia Acioli. No que ergueu a voz da tribuna, voltaram a surgir ameaças veladas de morte. O Rio de Janeiro que faz do deputado Marcelo Freixo um refém dessas ameaças, muito envergonha a todos nós. Ao mesmo tempo, sua atuação nos enche o peito de esperança num futuro melhor para um estado que só pensa no próprio umbigo, que se ilude achando que o petróleo que brota em seu litoral não pertence ao povo brasileiro, mas somente aos cariocas e fluminenses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes que o leitor pense que estou aqui fazendo propaganda política, quero dizer que não sou filiado a partido político algum, nem jamais fui. Votei no PT a vida inteira. Desencantei-me com ele a partir da chegada de Lula ao poder, ainda que tenha votado na sigla para impedir o retorno do nefasto PSDB ao Palácio do Planalto. Hoje faço parte daquele grupo que comunga de um ideário de esquerda, mas anda meio perdido, sem um porto seguro, sem uma rota a ser tomada. E é com essa independência de pensamento que eu me recuso a aceitar que estamos lidando com mais uma história, dentre tantas outras que já assistimos, de uma morte anunciada. Vida longa a Marcelo Freixo e aos ideais pelos quais tem lutado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prof. de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no jornal O DIA, de Teresina (PI), em 15/10/2011. Caderno Em Dia, Coluna Fórum, pág. 2&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-1454409259812825738?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/1454409259812825738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=1454409259812825738' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1454409259812825738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1454409259812825738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/morte-anunciada.html' title='Morte anunciada'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7662468508995978367</id><published>2011-10-12T12:28:00.000-03:00</published><updated>2011-10-12T12:28:35.320-03:00</updated><title type='text'>Fora da mídia, mas forte nas ruas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://talkingpointsmemo.com/images/occupywallst20.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" oda="true" src="http://talkingpointsmemo.com/images/occupywallst20.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imprensa tradicional precisa acordar para as novas mobilizações políticas e sociais. Se não, pode perder o bonde da história e cair em descrédito&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mídia tradicional ainda está longe de dar a atenção que o #occupywallstreet merece. Como sempre acontece, os jornalistas têm medo de anunciar uma revolução que não veio, especialmente se essa revolução quer que muitos anunciantes dos meios em que trabalham (leia-se, praticamente todo o sistema bancário) sejam pendurados na ponta de uma corda. Por isso, depoimentos de jornalistas que “admitem” a importância do evento mas têm críticas à sua objetividade são muito mais comuns do que declarações explícitas de apoio (que têm vindo de personalidades inesperadas, como o presidente do FED, Ben Bernanke). O ponto é que #occupywallstreet não precisa mais da mídia e azar dela se não se der conta disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final dos anos 70, os jornalistas de São Paulo ameaçaram entrar em greve. Embebidos por um momento do país (que lutava contra uma ditadura burra e violenta, mas que seus patrões tinham amplamente endossado), mas também por uma fundação ideológica capenga e por uma liderança com miopia pesada, levaram a categoria a perder completamente o poder. Os donos de empresas se deram conta de que poderiam contratar quem quer que fosse para escrever em seus jornais e revistas. Quando os jornalistas se deram conta de que seus empregos estavam indo para o saco, a greve se esvaziou – assim como o poder da categoria, graças à gestão politizada do sindicato, que preferiu tentar fazer uso político da greve do que atender os interesses da categoria. Resumindo: os jornalistas deram aos patrões a prova de que não eram fundamentais (que tem como consequência duradoura a equiparação do diploma jornalístico a lixo).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mídia tem sido tímida em reconhecer que #occupywallstreet é muito mais do que um protesto do PSTU contra o imperialismo. É um movimento que brota da indignação. Como todo movimento realmente genuíno (sem a interferência falastrona de políticos ou apresentadores sensacionalistas), não há uma declaração cristalina de objetivos. As pessoas só sabem que querem que os banqueiros sejam presos ou, ao menos, responsabilizados pelos crimes que levaram à crise de 2008. Não há, ainda, um manifesto como o Manifesto Comunista, de Karl Marx, por exemplo. Mas vai haver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A posição de desdém da mídia tem várias razões. Uma delas é que o jornalista atual, nas redações, está treinado somente para os fatos que ele vê chegando no feed da agência de notícias. Os jornais não têm mais recursos para manter um newshound, um jornalista que sai às ruas para sentir o cheiro da noticia. O jornalistas chega na redação e tem uma lista de pautas que seu editor preparou para ele do conforto de sua poltrona. A pergunta chave é “Quem é que deu?” (jargão jornalístico para “quem publicou isso?”). Se ninguém deu, não aconteceu. Então é só mais uma bobagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra razão para matérias, como uma da capa da Folha, que diz que o movimento não diz a que veio, é que o jornalista em geral se coloca como mero espectador – mas não é. No caso, o artigo da Folha não leva em conta nem o que está acontecendo, até porque a mídia ainda teima em não prestar atenção no “5° Estado”, na mídia social. Num programa de TV americano, um debate deu o tom de quais as demandas do movimento (vale a pena ler a matéria ou ver o vídeo). Todas as demandas são claras: cadeia para os banqueiros envolvidos nas fraudes, fim da influência de Wall Street nas políticas econômicas, maior atenção às políticas sociais. Se elas não estão escritas na pedra, é porque Moisés não tem Twitter ou perdeu o Blackberry quando atravessou o Mar Vermelho. Ou então porque o jornalista quer uma frase de efeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caso a mídia não se dê conta de que esse é um movimento extremamente poderoso e que está tomando as ruas no mundo, vai fazer como os jornalistas fizeram na década de 70: vai provar que, na verdade, ninguém precisa dela. A mídia tradicional vai entender que ela não é a censora das notícias, mas sim uma ferramenta para informá-las. Se ela não se der conta, como qualquer ferramenta que não funciona, vai para o lixo. Aliás, já está indo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por Moxphere&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Extraído do OUTRAS MÍDIAS: &lt;a href="http://ponto.outraspalavras.net/2011/10/10/fora-da-midia-mas-forte-nas-ruas/"&gt;http://ponto.outraspalavras.net/2011/10/10/fora-da-midia-mas-forte-nas-ruas/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7662468508995978367?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://ponto.outraspalavras.net/2011/10/10/fora-da-midia-mas-forte-nas-ruas/' title='Fora da mídia, mas forte nas ruas'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7662468508995978367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7662468508995978367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7662468508995978367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7662468508995978367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/fora-da-midia-mas-forte-nas-ruas.html' title='Fora da mídia, mas forte nas ruas'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-5426426802273960897</id><published>2011-10-08T09:53:00.000-03:00</published><updated>2011-10-08T09:53:03.671-03:00</updated><title type='text'>O ofício da palavra e das ideias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na semana que passou, realizamos no Centro de Ciências Humana e Letras da UFPI o I Encontro Piauiense de Ensino de História. O evento motivou reflexões e me fez lembrar que há alguns anos fui homenageado pelos alunos do curso de Pedagogia de uma universidade particular onde lecionei. Nas linhas que seguem, passo então a compartilhar com os leitores as palavras que proferi como Paraninfo naquela formatura. O texto de hoje é uma reprodução do discurso proferido naquela ocasião:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos a partir de agora colegas de profissão inseridos num mesmo campo de atuação que é a educação. De minha parte, fiz a escolha de ser professor há exatos vinte anos, quando ingressei no curso de História. E apesar de assistir outros colegas fazendo escolhas profissionais mais promissoras naquele final dos anos 80 do século passado, não me arrependi jamais de abraçar com convicção a minha vocação. Esta vocação, que a partir de agora compartilho com vocês, consiste em extrair imenso prazer daquilo que é a essência da nossa existência: a aprendizagem e a busca pelo conhecimento. Na área de educação, o que mais me encanta é ver o outro crescendo, progredindo, se qualificando e se apropriando dos conhecimentos que precisam ser compartilhados através dos tempos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse processo, a figura do educador é transitória, passageira, mas por vezes marcante. Tão marcante que, devo admitir, até hoje eu me inspiro naqueles que no passado foram meus mestres e consolidaram em mim a escolha pelo magistério.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É bem verdade que a história da educação no nosso país tem sido uma tragédia, evidenciada pela permanente exclusão dos mais pobres no que diz respeito ao acesso ao ensino de qualidade, seja em que nível for. Salários baixos e uma precariedade generalizada é o que tem caracterizado a realidade da nossa profissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas saibam que, a despeito de toda a imensa frustração que temos vivido ao longo das últimas décadas, não há motivos para desanimar ou esmorecer. Estou certo de que estamos lutando pelos ideais que precisam ser defendidos e devemos persistir nessa luta como quem cumpre uma missão. Afinal, persistir na luta com nosso trabalho diário é o que nos alegra e faz prosseguir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, talvez valha à pena lembrar aqui uma breve historinha. Certa vez, ao ser entrevistado pouco antes de morrer, perguntaram a Darcy Ribeiro se ele não se arrependia das escolhas que fez ao longo da vida, já que fora sempre derrotado. Lutou pela preservação dos índios e estes foram dizimados. Lutou contra da Ditadura Militar e foi perseguido e exilado. Lutou pela escola pública de qualidade e tempo integral no Rio de Janeiro e ela foi desmontada após uma curta experiência. Pois do alto da sua sabedoria e à beira de sofrer sua última derrota – desta vez, contra a doença que o vitimara -, Darcy deu uma resposta que nos serve como uma bela lição. Darcy observou que preferia estar do lado dos que perdem lutando do que ao lado daqueles que o derrotaram sistematicamente. As derrotas que sofreu só dignificam a sua trajetória, ao contrário das vitórias que tanto envergonham os que o derrotaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na missão que temos como educadores, o uso da palavra e das ideias são nossas principais ferramentas de trabalho. E acreditem, é através delas que podemos nós também mudar o mundo. Não necessariamente fazendo uma revolução, mas militando sim na crença de que podemos construir um futuro melhor com nossos pequenos gestos cotidianos pautados pela ética e pela defesa da cidadania. Nesse sentido, temos em mãos algumas poderosas armas: as palavras e as idéias. Certa vez, analisando a reflexão francesa sobre a diversidade humana, num livro intitulado Nós e os outros, o linguista búlgaro radicado na França Tzvetan Todorov afirmou com muita propriedade:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Sozinhas, as ideias não fazem história, as forças sociais e econômicas também agem; mas as ideias não são apenas puro efeito passivo. De início tornam os atos possíveis; em seguida, permitem que sejam aceitos: trata-se, afinal de contas, de atos decisivos. Se eu não acreditasse nisso, por que teria escrito este texto, cujo objetivo é também agir sobre os comportamentos?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, se não acreditássemos no quanto somos capazes de fazer, de realizar e construir com nossas ideias e palavras, o que estaríamos nós fazendo aqui hoje nesta formatura?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim sendo, agradeço-lhes mais uma vez pela homenagem e parabenizo a todas pelo importante passo que deram formando-se no ofício da palavra e das ideias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito obrigado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Denilson Botelho&lt;br /&gt;Prof. de História da UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no jornal O Dia, Teresina – PI, Coluna Fórum, 08/10/2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-5426426802273960897?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/5426426802273960897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=5426426802273960897' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/5426426802273960897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/5426426802273960897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/o-oficio-da-palavra-e-das-ideias.html' title='O ofício da palavra e das ideias'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-6981508591392982323</id><published>2011-10-01T12:29:00.000-03:00</published><updated>2011-10-01T12:29:20.191-03:00</updated><title type='text'>Snuff Movie na TV</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“A televisão mostra o que acontece? Em nossos países, a televisão mostra o que ela quer que aconteça; e nada acontece se a televisão não mostrar. A televisão, essa última luz que te salva da solidão e da noite, é a realidade. Por que a vida é um espetáculo: para os que se comportam bem, o sistema promete uma boa poltrona”. (GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. 2.ed. Porto Alegre: L&amp;amp;PM, 2010, p.149).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confortavelmente sentados em nossas poltronas somos “atacados” pela realidade, claro, uma realidade editada e ordinária. O espetáculo televisivo nos convida a participar, embora passivamente, do grande Show da vida. As telas cada vez maiores parecem colocar diante de nossos olhos enfeitiçados um mundo real. Somos aprisionados pela “grade” de programação. Somos atraídos por bundas, requebros, lágrimas, risos, tragédias, banalidades, culinárias, falas discordantes e concordantes, produtos e Sangue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de me ater a esta última oferta, o Sangue. Não sei se vocês já repararam, mas nós temos uma atraçãozinha sádica pelo sangue. (O dos outros, óbvio!). Acidentes, desastres, morticínios, homicídios, suicídios, crimes de toda e qualquer monta nos prendem a atenção, mesmo que nos neguemos a olhá-los. As imagens de corpos dilacerados, carbonizados, fraturados, desmembrados, deformados etc., acabam alimentando o nosso pervertido e muitas vezes “inocente” desejo de sangue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Incrível, mas não demorou muito a tornamos este fetiche algo comercial. A literatura, os jornais, o cinema, o rádio, a TV, e hoje a internet, são canais que nos alimentam, nos vendem e nos ligam a esta obscura faceta humana. O sangue corre solto por todos os lados, geralmente é o sangue alheio, e quanto mais distante, mais regozijo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cinema “clandestino” chegou mesmo a vender cenas de mortes REAIS de pessoas, não como estas que nos acostumamos a ver no noticiário jornalístico, mas cenas reais gravadas com o único fito de retratar alguém sendo assassinado. Estes filmes, conhecidos como Snuff Movie, atendem ao prazer perverso de determinados sujeitos. Os Snuff Movies representam o ápice do estado catártico de um indivíduo que se identifica com a violência potencializada na morte, no sofrimento, na dor e no sangue alheio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O espetáculo em si tem o poder de extravasamento e purgação dos sentimentos reprimidos. Assim, por exemplo, o fazemos diante da tela mágica da TV quando nos mobilizamos para assistir um crime, uma violência qualquer, uma pornografia, uma traição, um ato incontido, uma revolta da carne ou do instinto, enfim, coisas que jamais teríamos a coragem de fazer, que teríamos medo, mas que naquele instante nós realizamos potencialmente, liberados que fomos dos demônios particulares, do sofrimento próprio e da morte própria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, as câmeras espalhadas em cada fresta, em cada canto por nós frequentado alimentam nosso voyeurismo, nossa vontade de ver. Elas potencializaram nossa catarse porque tornaram pública a morte e a dor alheia, que já não pertencem mais ao foro íntimo, porque se transformaram em pauta jornalística. A dor e a morte reais estão na TV por vários ângulos, com nitidez de som e imagem em alta definição. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem não parou para assistir ao vivo, por exemplo, o ataque ao World Trade Center? Quem ainda não viu um crime registrado por “um circuito interno” de câmeras? Quem não acompanhou o passo a passo da morte da Juíza Patrícia Acioli, dado com “exclusividade” pelo Fantástico? Ou assistiu a morte, também ao vivo, da Professora Geísa no ônibus 174? A chacina na escola de Realengo no Rio? Ou coberturas feitas por programas "policiais" especializados no sensacionalismo? Sem falar de novelas, filmes, desenhos animados etc. Enfim, ossos, vísceras, tiros, facadas, membros contorcidos, cadáveres, gemidos, gritos, sangue... Tudo isso nos induz ao gozo coletivo, paramos para ver, ficamos chocados, comentamos, mas no intimo saímos com uma satisfaçãozinha perversa, parece até ficção, embora as mortes e os crimes sejam reais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Snuff Movies estão na nossa programação diária, como um cardápio eles compõem nossa dieta visual. Eles tranqüilizam “quem se comporta bem”. Desligada a TV, levantamos ensanguentados e felizes da poltrona. Podemos até dizer que após esta pausa digestiva estamos prontos para encarar a vida lá fora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por Josenias Silva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mestrando em História do Brasil pela UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no jornal O Dia, de Teresina – PI, em 01/10/2011. Caderno Em Dia, Coluna Fórum, pág. 4&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obs.: Nos últimos meses, habitualmente a Coluna Fórum tem sido ocupada por mim aos sábados. Hoje, ao invés de um texto meu, o espaço está sendo ocupado com brilhantismo pelo artigo de Josenias Silva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-6981508591392982323?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/6981508591392982323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=6981508591392982323' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6981508591392982323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6981508591392982323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/10/snuff-movie-na-tv.html' title='Snuff Movie na TV'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-1436117686973611769</id><published>2011-09-27T17:23:00.000-03:00</published><updated>2011-09-27T17:23:32.239-03:00</updated><title type='text'>I ENCONTRO PIAUIENSE DE ENSINO DE HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Hx1wk6Jdzm4/ToIu9iigGMI/AAAAAAAAAQM/7jb5Px9qdcE/s1600/Cartaz+divulga%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" kca="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-Hx1wk6Jdzm4/ToIu9iigGMI/AAAAAAAAAQM/7jb5Px9qdcE/s320/Cartaz+divulga%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" width="297" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;I Encontro Piauiense de Ensino de História&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;A formação docente e o saber-fazer&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Realização Universidade Federal do Piauí [UFPI]:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PIBID-História &amp;amp; PET- História&lt;br /&gt;Curso de Graduação em História&lt;br /&gt;Programa de Pós-Graduação em História&lt;br /&gt;Centro de Ciências Humanas e Letras [CCHL]&lt;br /&gt;Centro de Ciências da Educação [CCE]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANPUH/Seção Piauí&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Local: Auditório Noé Mendes/CCHL/UFPI&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;PROGRAMAÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Dia 4 de outubro de 2011 [Terça-Feira]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8h: Credenciamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9h: Abertura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profª Drª Antonia Dalva França Carvalho [Coordenadora Institucional do PIBID]&lt;br /&gt;Prof. Dr. Pedro Vilarinho Castelo Branco [Diretor do CCHL, Coordenador do PET-História e Membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI]&lt;br /&gt;Prof. Dr. Denilson Botelho [Coordenador do PIBID-História e Membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI]&lt;br /&gt;Profª Drª Áurea da Paz Pinheiro [Líder do Grupo de Pesquisa CNPq “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural”, Coordenadora do GT Nacional ANPUH “Patrimônio Cultural”, Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História e Presidente da Seção Piauí da ANPUH e do Fórum de Graduação ANPUH Piauí]&lt;br /&gt;Prof. Dr. Manoel Ricardo Arraes [Coordenador do Curso de Graduação em História]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesa 1 – 10h às 12h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa no ensino de História&lt;br /&gt;Profª Drª Helenice Aparecida Bastos Rocha&lt;br /&gt;Graduada em História, Mestre e Doutora em Educação pela UFF&lt;br /&gt;Profª Adjunta do Departamento de Ciências Humanas da UERJ&lt;br /&gt;Líder do Grupo de Pesquisa Oficinas de História&lt;br /&gt;Coordenadora do Projeto Caixa de História: http://projetocaixadehistoria.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras Fronteiras do Ensino: Literatura e História da África&lt;br /&gt;Prof. Ms. Pedro Pio Fontineles Filho&lt;br /&gt;Graduado em História pela UESPI, Especialista em História do Brasil e Mestre em História do Brasil pela UFPI / Doutorando em História Social pela UFC&lt;br /&gt;Prof. Assistente DE e Coordenador do Curso de Licenciatura em História da UESPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensino de História e educação tutorial: a experiência do PET-História/UFPI&lt;br /&gt;Prof. Dr. Pedro Vilarinho Castelo Branco&lt;br /&gt;Graduado em História pela UFPI, Mestre e Doutor em História pela UFPE&lt;br /&gt;Prof. Adjunto DE do Departamento de Geografia e História da UFPI e Membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h às 18h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso I / Sala 329&lt;br /&gt;O uso de fontes no ensino de História: Projeto Caixa de História&lt;br /&gt;Profª Drª Helenice Aparecida Bastos Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso II / Sala Camilo Filho&lt;br /&gt;História e [Pós] Modernidade&lt;br /&gt;Prof. Dr. Antonio Paulo de Morais Rezende&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso III / Sala 304&lt;br /&gt;Olhares sobre o ensino de História: construindo a cidadania na sala de aula&lt;br /&gt;Profª Michelle Araújo Dias – Mestranda em História pela UFPI&lt;br /&gt;Profª Jayra Barros Medeiros - Mestranda em História pela UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso IV / Sala de Video II&lt;br /&gt;Os usos do cinema documentário em sala de aula&lt;br /&gt;Profª Ariane dos Santos Lima - Mestranda em História pela UFPI e Membro do Grupo de Pesquisa/ CNPq “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural]&lt;br /&gt;Profª Marluce Lima de Morais - Mestranda em História pela UFPI e Membro do Grupo de Pesquisa/ CNPq “Memória, Ensino e Patrimônio Cultural]&lt;br /&gt;Prof. Everton Diego Soares Ribeiro Santos - Mestrando em História pela UFPI e pela UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso V / Sala 341&lt;br /&gt;A temática indígena e o ensino de História&lt;br /&gt;Prof. João Paulo Peixoto Costa – Mestrando em História pela UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesa 2 – 18h às 20h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensino de História e Patrimônio Cultural&lt;br /&gt;Profª Drª Áurea da Paz Pinheiro&lt;br /&gt;Graduada em História pela UFPI, Especialista em História Antiga e Medieval pela PUC Minas Gerais, Mestre e Doutora em História pela Unicamp.&lt;br /&gt;Profª Adjunta do Departamento de Geografia e História da UFPI&lt;br /&gt;Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI&lt;br /&gt;Presidente da Seção Piauí da ANPUH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História, memória e ensino&lt;br /&gt;Profª Clarice Helena Santiago Lira&lt;br /&gt;Graduada em História pela UESPI, Especialista em História Sociocultural e História do Brasil pela UFPI, Mestre em História do Brasil pela UFPI&lt;br /&gt;Prof. Assistente do Curso de História da UESPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar do Piauí no ensino de História: desafios e perspectivas&lt;br /&gt;Profª Drª Elizangela Barbosa Cardoso&lt;br /&gt;Graduada em História pela UFPI, Mestre em História pela UFPE e Doutora em História pela UFF&lt;br /&gt;Profª Adjunta do Departamento de Geografia e História e Membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 5 de outubro de 2011 [Quarta-Feira]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesa 3 – 10h às 12h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História: viver e contar, uma reflexão sobre o ensino&lt;br /&gt;Prof. Dr. Antonio Paulo de Morais Rezende&lt;br /&gt;Graduado em Direito pela UFPE, Mestre em História Social pela Unicamp, Doutor e Pós-Doutor em História pela USP&lt;br /&gt;Prof. Adjunto de História da UFPE&lt;br /&gt;Autor do livro didático Nossos Tempos: o Brasil e o mundo contemporâneo (Ed. Atual)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaboração de materiais didáticos para o ensino de História do Piauí&lt;br /&gt;Profª Drª Cláudia Cristina da Silva Fontineles&lt;br /&gt;Graduada em História pela UESPI, Mestre em Educação pela UFPI e Doutora em História do Brasil pela UFPE&lt;br /&gt;Profª Adjunta do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino [CCE] e Membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História e educação no Sertão&lt;br /&gt;Prof. Dr. Marcelo de Sousa Neto &lt;br /&gt;Graduado em História pela UESPI, Especialista em História Sociocultural pela UFPI e em História Política Contemporânea pela UESPI, Mestre em Educação pela UFPI e Doutor em História pela UFPE&lt;br /&gt;Professor Adjunto e Pró-Reitor de Ensino e Pós-Graduação da UESPI&lt;br /&gt;Coordenador Institucional do PIBID/UESPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h às 18h&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso I / Sala 329&lt;br /&gt;O uso de fontes no ensino de História: Projeto Caixa de História&lt;br /&gt;Profª Drª Helenice Aparecida Bastos Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso II / Sala Camilo Filho&lt;br /&gt;História e [Pós] Modernidade&lt;br /&gt;Prof. Dr. Antonio Paulo de Morais Rezende &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso III / Sala 304&lt;br /&gt;Olhares sobre o ensino de Historia: construindo a cidadania na sala de aula&lt;br /&gt;Profª Michelle Araújo Dias&lt;br /&gt;Profª Jayra Barros Medeiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso IV / Sala de Video II&lt;br /&gt;Os usos do cinema documentário em sala de aula&lt;br /&gt;Profª Ariane dos Santos Lima&lt;br /&gt;Profª Marluce Lima de Morais&lt;br /&gt;Prof. Everton Diego Soares Ribeiro Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mini-Curso V / Sala 341&lt;br /&gt;A temática indígena e o ensino de História&lt;br /&gt;Prof. João Paulo Peixoto Costa – Mestrando em História pela UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesa 4 – 18h às 21h [Mesa de encerramento]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Primeira República na sala de aula: aprendendo história com processos criminais&lt;br /&gt;Prof. Dr. Denílson Botelho&lt;br /&gt;Graduado em História pela UFF, Mestre e Doutor em História Social pela UNICAMP&lt;br /&gt;Prof. Adjunto do Departamento de Geografia e História e Membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI&lt;br /&gt;Coordenador do PIBID-História&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PIBID e a formação docente: aprendendo a ensinar História&lt;br /&gt;Prof. Ricardo Lima Rodrigues&lt;br /&gt;Graduado em História pela UFPI e Especialista em Teoria e Metodologia da História pela Faculdade de Ciências e Tecnologia de Teresina - FACET&lt;br /&gt;Supervisor do PIBID/História – UFPI na U.E. Profª Lourdes Rebello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso da literatura de cordel no ensino de História&lt;br /&gt;Francisco Helton de Araújo O. Filho&lt;br /&gt;Vinícius Alves Cardoso&lt;br /&gt;Graduandos em História e bolsistas do PIBID-História/UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Clio leu um livro e depois foi ao cinema”: competências e habilidades curriculares no Ensino Médio&lt;br /&gt;Valério Rosa de Negreiros&lt;br /&gt;Herbert Rafael Ribeiro Loiola Sales&lt;br /&gt;Graduandos em História e bolsistas do PIBID-História/UFPI&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-1436117686973611769?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://pibidhistoriaufpi.blogspot.com/' title='I ENCONTRO PIAUIENSE DE ENSINO DE HISTÓRIA'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/1436117686973611769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=1436117686973611769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1436117686973611769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1436117686973611769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/i-encontro-piauiense-de-ensino-de.html' title='I ENCONTRO PIAUIENSE DE ENSINO DE HISTÓRIA'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Hx1wk6Jdzm4/ToIu9iigGMI/AAAAAAAAAQM/7jb5Px9qdcE/s72-c/Cartaz+divulga%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-260440888739373436</id><published>2011-09-24T13:14:00.000-03:00</published><updated>2011-09-24T13:14:40.429-03:00</updated><title type='text'>Partido político pra quê?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos tempos, paira no ar um certo repúdio aos partidos políticos e até mesmo aos movimentos sociais organizados. Observando os protestos contra o aumento das tarifas dos ônibus em Teresina e as manifestações realizadas paralelamente às celebrações oficiais do dia da Independência, foi perceptível a preocupação da imprensa e de outros setores em identificar a espontaneidade e a autonomia desses movimentos em que a juventude desempenhou papel destacado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O uso das redes sociais na internet reforçou ainda mais essa impressão de que trata-se de movimentos sem uma liderança previamente constituída. Os mais afoitos tentam inclusive nos fazer crer que tivemos aí uma demonstração cabal de que o povo brasileiro não é passivo e submisso como muitos supõem – e de fato não é e nunca foi passivo -, mas sim capaz de rebelar-se de forma vigorosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A onda de democratização que varre alguns países sob a alcunha de “primavera árabe” por vezes também sugere a mesma impressão. Cansado de anos e anos de tirania, o povo partiu para a luta, pegou em armas e derrubou ditadores célebres para dar início a uma nova etapa da história nessas regiões do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um lado, aqui no Brasil, isso pode significar um descontentamento explícito com os partidos políticos que temos e sua habitual predisposição de locupletar-se a partir do momento em que chegam ao poder, seja elegendo candidatos, seja através de alianças. Há indícios claros de uma crise de representação política. Qual ou quais partidos traduzem e representam efetivamente os anseios da população?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente o povo encontra enormes dificuldades de se reconhecer através de um ideário político partidário. Ninguém consegue precisar qual é a identidade política dos partidos que temos. Que afinidades e diferenças pode-se estabelecer entre as legendas? Eis aí uma árdua tarefa para todos nós. Há uma tendência – perigosa, diga-se de passagem – a definir a identidade política dos partidos em função de uma única chave de leitura: oposição ou situação, se está no poder ou fora dele. O resto seriam filigranas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, não podemos desprezar o recado que emana desses movimentos ditos supostamente como espontâneos e desprovidos de lideranças. É sem dúvida um indício claro de que não se sentem representados por partidos, por entidades estudantis ou quaisquer outras organizações políticas. Representam portanto uma dura crítica a essas entidades e a sua capacidade de exercer de forma legítima a representação popular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, vejo com enorme preocupação esse quadro, visto que ameaça as bases da jovem democracia que temos e pela qual lutamos com esforço e determinação, pagando às vezes com a vida de alguns militantes que se engajaram nessa causa. Não faz muito tempo que saímos da Ditadura Militar. Tanto é que ainda convivemos com inúmeros resquícios daquele período autoritário – a começar pela cultura do autoritarismo que grassa entre nós, entranhada nas nossas instituições e relações pessoais e sócio-profissionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como se constrói uma democracia sólida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O regime republicano e democrático não pode prescindir da existência de partidos políticos fortes e com identidade política bem definida. O movimento social desorganizado, sem objetivos claros e lideranças amadurecidas nos embates das lutas políticas, tende a desmobilizar-se. Se a espontaneidade e indignação que brotam nas redes sociais e transbordam para as ruas não são canalizadas para conquistas de maior amplitude, para um projeto de país, para um programa a ser implementado, perde força e desaparece em pouco tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se os partidos políticos que estão aí não nos representam, cabe-nos a tarefa de reformá-los ou então de fundar novas agremiações capazes de traduzir e representar com fidelidade os anseios prioritários dos grupos que vêm se mobilizando e tomando de assalto as ruas. E é bom que não nos deixemos levar por discursos moralizadores que se esvaem nas óbvias bandeiras do combate à corrupção e pela moralização da política. Ética e honestidade devem ser premissas básicas a partir das quais devemos empreender quaisquer lutas políticas. O discurso moralizador já nos levou a terríveis descaminhos no passado. Jânio Quadros que o diga!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem por acaso já praticou o voto na legenda em alguma eleição? Quem, ao invés de votar num nome qualquer, votou num partido, no projeto político de um partido para o seu município, estado ou para o país? Enquanto não formos capazes de deixar de votar em nomes para votar em programas, votar em propostas a serem implementadas independentemente de quem vai fazer isso, continuaremos engatinhando no exercício da democracia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O historiador José Murilo de Carvalho, no livro “A formação das almas”, faz um balanço do centenário da República e assinala que esse regime ainda é uma obra inconclusa. Desta forma, não podemos nos furtar a dar prosseguimento a esse processo de construção de uma república democrática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se está ruim com os partidos e movimentos sociais que temos, restam duas alternativas. Reformulá-los ou fundar novas legendas e novos movimentos organizados. Afinal, sem eles é que não dá para viver numa sociedade que um dia pretendemos que seja democrática. A não ser que estejamos abrindo mão da democracia pela qual tantos antepassados gloriosos lutaram e até sacrificaram as próprias vidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse caso, os arautos dessa suposta espontaneidade e autonomia desprovida de lideranças poderão dizer claramente o que pretendiam com esse discurso. Mas aí pode ser tarde demais...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prof. de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Coluna Fórum, no jornal &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Dia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, Teresina (PI), em 24 de setembro de 2011, Caderno Em Dia, pág. 4.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-260440888739373436?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/260440888739373436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=260440888739373436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/260440888739373436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/260440888739373436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/partido-politico-pra-que.html' title='Partido político pra quê?'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-8934992181629791491</id><published>2011-09-19T19:50:00.000-03:00</published><updated>2011-09-19T19:50:43.141-03:00</updated><title type='text'>Lançamento editorial: Uma outra face da belle époque carioca</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1oq2zCsV-9U/TnfF2iwdiQI/AAAAAAAAAQI/1_bu8vTyk98/s1600/Capa+livro+Joachin.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" rba="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-1oq2zCsV-9U/TnfF2iwdiQI/AAAAAAAAAQI/1_bu8vTyk98/s400/Capa+livro+Joachin.jpg" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É com grande satisfação que compartilho com os que andam NA BRUZUNDANGA a publicação desse belo livro. Sai pelo selo da Editora Multifoco (&lt;a href="http://www.editoramultifoco.com.br/"&gt;http://www.editoramultifoco.com.br/&lt;/a&gt;#), em cujo site pode ser adquirido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais detalhes sobre o livro podem ser obtidos no blog do autor: &lt;a href="http://semanticadostempos.blogspot.com/2011/09/lancamento-do-livro-uma-outra-face-da.html?spref=fb"&gt;http://semanticadostempos.blogspot.com/2011/09/lancamento-do-livro-uma-outra-face-da.html?spref=fb&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Joachin Azevedo Neto me deu a honra e a oportunidade de exercitar a arte de escrever um prefácio. E eu espero que o prefácio cumpra a sua função: fazer o leitor percorrer todas as páginas do livro!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-8934992181629791491?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://semanticadostempos.blogspot.com/2011/09/lancamento-do-livro-uma-outra-face-da.html?spref=fb' title='Lançamento editorial: Uma outra face da belle époque carioca'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/8934992181629791491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=8934992181629791491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8934992181629791491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8934992181629791491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/lancamento-editorial-uma-outra-face-da.html' title='Lançamento editorial: Uma outra face da belle époque carioca'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1oq2zCsV-9U/TnfF2iwdiQI/AAAAAAAAAQI/1_bu8vTyk98/s72-c/Capa+livro+Joachin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-2357160045602979544</id><published>2011-09-18T15:30:00.000-03:00</published><updated>2011-09-18T15:30:47.849-03:00</updated><title type='text'>Internet assusta os poderosos</title><content type='html'>&lt;h2 style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;A medida em que um número maior de pessoas vai tendo acesso à internet, fica cada vez mais difícil para os meios tradicionais de comunicação realizar desvios na produção de notícias. Estão sendo levantados os véus de interesses que recobrem o noticiário divulgado por grandes meios de comunicação, não só no Brasil mas em várias outras partes do mundo. &lt;/i&gt;&lt;/h2&gt;&lt;div&gt;                    &lt;/div&gt;&lt;div class="headline-link" style="text-align: justify;"&gt;Laurindo Lalo Leal Filho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                               &lt;/div&gt;&lt;div class="texto" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de setembro de 2011.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite de sábado o Jornal Nacional surpreendeu os telespectadores. Depois de um intervalo comercial, os apresentadores titulares do programa (que geralmente não trabalham aos sábados) passaram a ler o princípios editoriais das Organizações Globo. Muita gente ficou intrigada. Porque aquilo naquela hora? Não havia mais nenhuma notícia importante no mundo a ser dada? E porque só agora, depois de 86 anos de existência, a empresa resolveu divulgar na TV suas normas de trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhões de telespectadores em todo o Brasil ficaram sem respostas. Só quem tem acesso à internet soube do que se tratava. A explicação para o inusitado texto lido no Jornal Nacional estava no blogue “O Escrevinhador”, de Rodrigo Vianna. Nele eram reproduzidas informações de um jornalista da Globo sobre como a emissora pretendia cobrir a indicação do embaixador Celso Amorim para o Ministério da Defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os oito anos do governo Lula em que esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores, Amorim sempre foi visto com desagrado pelas Organizações Globo. A empresa não engolia as posições do ministro em defesa da soberania nacional, principalmente quando elas não coincidiam com os interesses dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A volta de Amorim ao primeiro escalão do governo foi uma afronta para a Globo. Segundo o jornalista mencionado no blogue a orientação da empresa era clara: “os pauteiros devem buscar entrevistados para o Jornal Nacional, Jornal da Globo e Bom dia Brasil que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar ‘turbulência’ no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que só internautas atentos ficaram sabendo disso. Jornais e revistas não repercutiram o assunto e muita gente acabou achando que, finalmente, a Globo havia tomado a iniciativa magnânima de expor à sociedade seus princípios editoriais partindo de vontade própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo atingindo um público relativamente muito menor do que o da televisão, a internet prestou um bom serviço à sociedade. Inibiu um pouco a ação nefasta armada contra o novo ministro e mostrou que a poderosa organização não consegue mais fingir que denúncias e criticas não a atingem. A Globo sentiu o golpe e tentou responder recorrendo a princípios por ela violados várias vezes ao longo de sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperava-se uma mudança de conduta a partir daquele momento. Não foi o que ocorreu. Na mesma edição a apresentadora do Jornal Nacional disse o seguinte: “está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores numa escola pública de Porto Alegre”, mostrando uma foto da moça de 23 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia até ser verdade, mas o Jornal Nacional baseava-se apenas numa versão da policia, negada pela acusada. Seu advogado havia divulgado a palavra dela, através da Rádio Guaíba, oito horas antes do JN ir ao ar. Mas para não perder uma notícia espetacular – envenenamento de crianças – nada disso foi levado em conta.  Nem os tais princípios editoriais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fosse outra vez a internet, fatos como esse não estariam sendo contados aqui em detalhes. Foi o blogue do Mello que registrou a violação dos princípios editorais da Globo, na mesma edição em que eles foram divulgados, acompanhados da gravação do desmentido da merendeira feito através do rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma vão sendo levantados os véus de interesses que recobrem o noticiário divulgado por grandes meios de comunicação, não só no Brasil mas em várias outras partes do mundo.  Parece ser um caminho sem volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medida em que um número maior de pessoas vai tendo acesso à internet, fica cada vez mais difícil para os meios tradicionais de comunicação realizar desvios desse tipo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           &lt;br /&gt;                    Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Copiado do site da Carta Maior. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-2357160045602979544?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5201' title='Internet assusta os poderosos'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/2357160045602979544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=2357160045602979544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2357160045602979544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2357160045602979544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/internet-assusta-os-poderosos.html' title='Internet assusta os poderosos'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-4099078029641153963</id><published>2011-09-10T17:40:00.000-03:00</published><updated>2011-09-10T17:40:00.907-03:00</updated><title type='text'>A Revolta de Londres: um sinal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Osvaldo Coggiola&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A recente revolta em bairros periféricos de Londres, que se estendeu rapidamente para outras cidades inglesas, foi apresentada pela grande imprensa como uma série de atos de vandalismo, sem outro conteúdo. Nada mais longe da verdade. O brutal assassinato de Mark Duggan, um taxista negro de 29 anos alvejado pela polícia londrina em Tottenham – uma zona que conta com as maiores taxas de desemprego e de imigrantes da capital britânica – produziu uma reação da juventude que, por sua magnitude e composição, foi rapidamente comparável com o levantamento dos jovens árabes e norte-africanos nos subúrbios parisienses em 2005, ou à sublevação da juventude grega em fins de 2008. Esta vez, no entanto, a bancarrota capitalista mundial vinculou a revolta com a crise dos Estados chamados ao resgate do capital. O movimento também teve lugar no quadro da revolução nos países árabes e da irrupção da juventude européia dos "indignados", na Espanha especialmente. O assassinato de Duggan produziu uma manifestação de cerca de 300 vizinhos que, com o decorrer das horas e frente às manobras de encobrimento da polícia, converteu-se em uma revolta popular. O governo britânico respondeu com uma brutal repressão, junto a uma operação midiática que buscava instalar a versão de um "enfrentamento" da polícia com Duggan, acusado de ser "traficante de armas".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tottenham tem uma longa história de resistência contra a opressão policial por sua composição majoritariamente imigrante, incluído um levantamento popular em 1985 só comparável ao que ocorreu recentemente. No bairro vivem africanos, caribenhos, polacos, judeus ortodoxos, turcos e ingleses brancos, que sofrem dia a dia a extorsão da polícia. A zona é também representativa da crise que atravessa o país. Mais de 10 mil jovens de Tottenham vivem graças à assistência social e se estima que uns 54 jovens concorrem por cada posto de trabalho. Outro dado alarmante é a alta taxa de gravidez adolescente - a mais alta do Reino Unido. Este quadro social de decomposição é a base sobre a qual opera a rebelião dos subúrbios britânicos. A repressão policial nas ruas de Londres deixou o saldo de cinco mortos, dezenas de feridos e centenas de detidos. No entanto, os protestos aumentaram, em novos bairros, como Oxford Circus e Enfield, e inclusive outras cidades, como Leeds, Birmingham, Liverpool, Manchester e Bristol, o que obrigou ao governo a proceder a uma mobilização inusitada de forças - uns 16 mil policiais. Estes fatos revelam que a pauperização das condições de vida das massas é um fenômeno que se estende ao conjunto do país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crise não poderia chegar em pior momento para o regime político britânico que, sacudido pela crise política gerada pela revelação das escutas telefônicas de personagens ou figuras públicas por parte do império midiático de Rupert Murdoch, com a cumplicidade da polícia britânica, Scotland Yard (cujos chefes tiveram que renunciar por sua relação com o escândalo) e dos políticos britânicos. O premiê britânico, o conservador David Cameron, foi obrigado a regressar de suas férias – destinadas a afastá-lo da crise política - ante a extensão da rebelião juvenil contra a força policial. A crise e a rebelião social desatada pela repressão policial voltou a colocar a Cameron no olho da tormenta. Este assumiu com o objetivo de aplicar um rigoroso plano de ajuste frente à crise mundial, e agora luta por manter a seu governo. A rebelião dos jovens explorados da Grã-Bretanha tem lugar enquanto os sindicatos discutem um plano de luta contra o corte às aposentadorias, depois de protagonizar a maior paralisação de funcionários públicos em 80 anos, e no meio de uma grande mobilização estudantil contra o plano de cortes à educação proposto pelos conservadores. A conjunção da crise política com a crise capitalista e com um processo de mobilização de massas excepcional reúne os elementos de uma tormenta que poderia significar o fim do governo conservador na Grã-Bretanha em um quadro de aguçamento da crise mundial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Espanha, um pacote de austeridade reduziu em 5% os salários públicos em 2010, e fez um corte de 600 milhões de euros nos investimentos públicos. Essas medidas foram exigências do FMI, para “enfrentar a crise” nesses países. O pacote de austeridade foi enfrentado com uma massiva paralisação nacional dos trabalhadores, convocada pelas centrais sindicais. Os trabalhadores de outros países europeus também reagiram com grandes manifestações, uma resistência bem superior à de 2008. A classe operária começou a manifestar-se: greves de massas, mobilizações massivas, ocupações de fábricas, tomada de reféns de patrões por trabalhadores, revoltas de jovens e operários. As greves gerais na Grécia e Turquia, as greves e as manifestações na França e Espanha, as numerosas ocupações de fábricas na Itália, são uma mostra da crescente combatividade do proletariado contra o desemprego massivo, a flexibilização trabalhista, as reduções salariais, a destruição dos sistemas sociais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos anos, houve uma recomposição da classe operária mundial, com a incorporação de milhões de novos trabalhadores, que protagonizam novos combates de classe, na Grécia, França, Itália, Alemanha, passando pela América Latina, sem esquecer a recuperação da classe operária russa e na Europa do Leste, os trabalhadores sul-africanos, e a classe operária chinesa, que começa a levantar cabeça com greves extraordinárias. Antes da explosão árabe, a Europa estava no centro da luta classista. Em novembro de 2010, 150 mil pessoas protagonizaram uma grande mobilização em Dublin para rejeitar o resgate da Irlanda por parte da União Européia (UE) e do FMI – um ataque aos salários, ao gasto social e ao emprego. Poucos dias antes, havia ocorrido uma grande greve geral em Portugal, grandes mobilizações estudantis na própria Irlanda, Inglaterra e Itália, e nas semanas anteriores manifestações em toda a França. A crise capitalista se estende a Portugal, Espanha e Itália, e inclusive à França, ao ponto de se colocar na pauta dos governos um desdobramento da Europa em um bloco do norte e outro do sul – com diferentes moedas (Grécia, Portugal, Espanha e Itália sairiam da “zona euro”). A rebelião árabe, que “cruzou o estreito de Gibraltar” para chegar às praças da Espanha, encontrou no velho continente um terreno propício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A revolta londrina, certamente desorganizada, não foi um tiro no escuro de uma juventude desesperada, mas um sinal anunciador do terremoto social nas próprias metrópoles do capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Osvaldo Coggiola é historiador, economista e professor da Universidade de São Paulo &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Extraído do Correio Caros Amigos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-4099078029641153963?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/4099078029641153963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=4099078029641153963' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4099078029641153963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4099078029641153963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/revolta-de-londres-um-sinal.html' title='A Revolta de Londres: um sinal'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-8148818397216300019</id><published>2011-09-10T16:58:00.000-03:00</published><updated>2011-09-10T16:58:40.623-03:00</updated><title type='text'>Timon, Zara e a micro-história</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Investigar a trajetória de um indivíduo qualquer para explicar a sociedade e o tempo histórico em que este viveu. Essa metodologia de pesquisa há tempos conquistou um espaço significativo no campo da História, influenciando diversos trabalhos desenvolvidos nas últimas décadas. Ao transformar um moleiro friulano chamado Menochio em objeto de investigação, o historiador Carlo Ginzburg fascinou e convenceu especialistas e leigos sobre a pertinência do seu método. Quem quiser conferir, que leia o seu trabalho seminal, publicado pela Companhia das Letras em 1987, com o título “O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ginzburg, juntamente com Jacques Revel e Giovanni Levi, difundiu e sedimentou entre nós essa possibilidade de transformar anônimos ou indivíduos antes marginalizados pela historiografia, em sujeitos de uma história hoje tão necessária. Fugindo das generalizações abstratas e tão distantes da realidade concreta vivida pelas pessoas, a chamada micro-história fez de acontecimentos pontuais, embates cotidianos e indícios variados, elementos fundamentais para a compreensão de uma época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por estas razões é que vejo com entusiasmo o trabalho de pesquisa que vem sendo desenvolvido por Thiago Oliveira da Silva Brito no âmbito do Programa de Pós-Graduação em História do Brasil da UFPI. Sob a experiente orientação do Professor Francisco Alcides do Nascimento, o mestrando promete fazer com Zara o que Ginzburg fez com Menochio, iluminando através da micro-história a Timon que ambos (Zara e Thiago) têm em comum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zaratustra Yáskara Douglas, mais conhecido como Zara, nasceu em Timon, em setembro de 1968, e faleceu em março de 1992, encerrando uma trajetória de vida marcada pela sua atuação no que foi considerada uma disputa entre gangues pelo controle do tráfico de drogas nessa cidade, no final da década de 1980. Segundo o pesquisador, trata-se de personagem assíduo nas páginas policiais da época, cuja memória sobrevive entre os moradores de Timon, ora como bandido temido, ora como justiceiro e pacificador da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas por que Zara seria importante a ponto de ocupar o centro das atenções de um jovem historiador maranhense? Por que pesquisar a trajetória de Zara? Thiago Brito entende que “Zara foi, e continua sendo, um sujeito marginal, e talvez por isso mesmo, sua história é tão importante para entender o principal fantasma que a cidade de Timon enfrenta até os dias de hoje: o estigma de cidade violenta e atrasada”. Portanto, podemos observar que essa trajetória de vida enseja uma compreensão mais aprofundada sobre uma cidade estigmatizada sob o signo da violência e do atraso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É curioso perceber que suas pesquisas, em andamento, apontam para um período de profundas transformações urbanas nessa cidade maranhense tão próxima de Teresina. Entre as décadas de 1960 e 1980, Timon foi palco de um verdadeiro salto demográfico e um acelerado processo de urbanização. Num curto espaço de tempo, a população urbana do município cresceu significativamente. Utilizando dados do IBGE, o historiador mostra que na década de 1980, quase 75% dos habitantes passaram a viver no perímetro urbano, virando a página de um passado em que verificava-se o predomínio da população rural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse contexto coincide com a trajetória de vida de Zara, sugerindo a necessidade de avaliar as relações que podem existir entre ambos. Em que medida o acelerado crescimento urbano e suas consequências imediatas contribuem para explicar a emergência da violência urbana em Timon nas décadas de 1980 e 1990, marcadas pela difusão do tráfico de drogas e os confrontos entre gangues envolvidas com esta atividade? Thiago Brito persegue Zara através das páginas dos jornais, de processos criminais e de entrevistas realizadas com base na metodologia da história oral, com o fito de compreender os significados de Timon ontem e hoje. Opera também com os instrumentos de análise da micro-história para examinar processos de construção de memória sobre a cidade e seus estigmas, bem como o lugar de Zara nisso tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cabe ainda ressaltar a contribuição singular que a historiografia pode dar para a análise e discussão de um tema contemporâneo como esse. A violência urbana há muito tornou-se um problema com o qual convivem especialmente as grandes cidades e suas adjacências. Ao intervir nesse debate, o historiador pode e deve contribuir de forma pertinente e relevante para enriquecê-lo e aprofundar a discussão. Eis o desafio que está colocado diante de nós e que jovens historiadores não se furtam a enfrentar, revelando um pouco da função social intrínseca dos programas de pós-graudação de nossa universidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive o prazer de conhecer um pouco mais sobre Zara participando da banca do exame de qualificação de Thiago Brito no Mestrado em História do Brasil na UFPI. Trata-se de uma avaliação - que antecede a defesa do texto integral da dissertação - do que o pesquisador já produziu. Assim, li uma parte do trabalho desenvolvido. E pelo que pude perceber, em 2012 teremos uma bela pesquisa concluída. Espera-se que a sua leitura não seja privilégio de uns poucos – dentre os quais orgulhosamente já me incluo -, mas sim que conquiste uma ampla e variada gama de leitores tomando a forma de um livro que certamente merecerá ser publicado. Resta-nos aguardar mais alguns meses e conferir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prof. de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 10/09/2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-8148818397216300019?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/8148818397216300019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=8148818397216300019' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8148818397216300019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8148818397216300019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/timon-zara-e-micro-historia.html' title='Timon, Zara e a micro-história'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-901173211862770441</id><published>2011-09-05T17:58:00.001-03:00</published><updated>2011-09-05T21:20:07.161-03:00</updated><title type='text'>Mais do mesmo: “Recomendações” do Conselho Nacional de Justiça de como eliminar documentos do Poder Judiciário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, estamos diante de mais uma investida contra a memória e a história do Poder Judiciário e do País como um todo. Outra vez, sob a sombra de normas legais e sob o comando da própria Justiça, um crime contra a História e a Cidadania está sendo cometido. As altas esferas da República insistem em produzir documentos com o objetivo de eliminar parte significativa do nosso patrimônio histórico. Sem qualquer apelo aqui a teorias conspiratórias, eles expressam uma política cuidadosamente orquestrada para impor práticas de gestão documental que ferem nosso direito constitucional à memória, à informação e à pesquisa. No ano passado, conforme foi noticiado pela ANPUH, enfrentamos a proposta do artigo 967 do projeto de lei 166, referente ao novo Código de Processo Civil brasileiro, que colocava seriamente em risco a preservação dos processos judiciais. Graças à mobilização de historiadores, jornalistas, juristas e políticos, que contaram com o apoio e a participação da ANPUH, o artigo foi retirado do projeto quando de sua votação no Senado. Temporariamente aliviados, mas em permanente vigília, somos agora surpreendidos com a Recomendação n. 37 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), publicada muito recentemente no Diário de Justiça n. 152 (17/08/2011, p. 3-6), “recomendando” a todos os tribunais do país a observância das normas do Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (PRONAME). O documento pode ser lido na íntegra em anexo, mas gostaríamos de chamar a atenção para alguns pontos cruciais, que passamos a enumerar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1) Embora se auto-intitule “recomendação”, o documento, assinado pelo ministro Cezar Peluso, dá ao Comitê do PRONAME, coordenado pelo Secretário Geral do CNJ, a atribuição de “acompanhar a aplicação da presente Recomendação” (grifo nosso). “Recomendação”, segundo os melhores dicionários, pode significar tanto “aviso” quanto “advertência”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2) O CNJ arroga para si “a competência e o dever inerente dos órgãos do Poder Judiciário Federal de proceder à gestão de documentos produzidos em razão do exercício das suas funções, (...) bem como de preservar os documentos e facultar o acesso aos documentos àqueles sob a sua guarda”. Com isso, o Conselho ignora por completo o poder superior do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) na política de gestão dos documentos da administração pública.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3) Nos “considerandos” da Recomendação, não há qualquer menção à eliminação documental. Ao contrário, invoca a Lei n. 9.065, de fevereiro de 1988, que “tipifica a destruição de arquivos como crime contra o patrimônio cultural”. Quando “resolve recomendar”, porém, o documento entoa os mantras da “Tabela de Temporalidade”, da “Eliminação dos Autos Findos”, da “Amostra Estatística Representativa”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4) A quem cabem tão solenes tarefas? Serão constituídas “unidades de gestão documental e de comissões de avaliação documental nas instituições do Poder Judiciário”, sob o comando do PRONAME, formado por “representantes de todos os segmentos do Poder Judiciário”. Ora, mais uma vez, o CNJ atropela o CONARQ, que tem o poder de instituir e regulamentar o funcionamento de Comissões Permanentes de Avaliação, compostas por historiadores, arquivistas, magistrados, entre outros profissionais. Mas tudo o que encontramos a respeito é: “recomenda-se que as Comissões Permanentes [do PRONAME] sejam compostas, no mínimo, pelos seguintes técnicos: servidor responsável pela unidade de gestão documental, bacharel em Arquivologia, bacharel em História, bacharel em Direito”. Em outros termos, o que é uma determinação do CONARQ torna-se, no documento do CNJ, mera “recomendação”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5) Não há espaço, ao menos neste texto para o Boletim da ANPUH, para entrarmos na discussão sobre os vários problemas que envolvem terminologias como “valor histórico dos documentos”, “amostra representativa do universo documental” para efeitos de guarda, e “desentranhamento das peças dos processos judiciais”. Basta, por agora, assinalar que todas essas modalidades de eliminação, presentes na Recomendação, não são recomendáveis por qualquer historiador que tenha, no mínimo, respeito pelo próprio ofício. Em breves palavras, tais critérios ou são subjetivos (como definir o que é ou não histórico?), ou amputam irreversivelmente os documentos (no caso de preservação apenas de determinadas peças processuais, como sentenças e acórdãos) ou, de acordo com o método da amostragem “cientificamente orientada”, colocam em risco o “documento excepcional”, aquele que não é representativo de algo e constitui uma via rara de acesso a fenômenos e significados de extrema relevância para esse ou aquele aspecto da experiência histórica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outros pontos poderiam ser destacados aqui, mas queremos assinalar que, por trás do que poderia parecer uma simples “recomendação” do CNJ, residem orientações de eliminação documental que estão sendo aplicadas, sob o amparo da lei e de autoridades públicas, que se arvoram depositários exclusivos da memória do Judiciário, decidindo sobre a vida e a morte de milhões de documentos. Não há aqui qualquer exagero ou veleidade retórica da nossa parte. O exagero fica por conta do próprio Judiciário, que promove a destruição em massa de processos da Justiça do Trabalho. O melhor exemplo é a Tabela de Temporalidade de Documentos Unificada da Justiça do Trabalho, “que serviu de subsídio à elaboração da Recomendação”. Como já vai longo este texto, deixamos ao leitor tirar suas próprias conclusões sobre a tabela em anexo que sujeita à eliminação os autos findos após cinco anos que tratem, por exemplo, do trabalho com proteção especial (deficientes físicos, menores e mulheres), da duração da jornada de trabalho, do direito sindical, da remuneração e verbas indenizatórias, das demissões por justa causa, das indenizações por assédio sexual e da terceirização. Recomendamos enfaticamente essa leitura, pois a enumeração que acabamos de fazer é uma amostra ínfima dos horrores que se pretende perpetrar contra a memória da Justiça do Trabalho, cujos processos têm sido eliminados aos milhões, sob a proteção da Lei n. 7.627, de 10 de novembro de 1987.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, é bom lembrar que, ao contrário do CNJ, a ANPUH está à frente dos esforços destinados a tratar o assunto como parte de uma legislação especial, a ser discutida e elaborada no âmbito do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), com a participação mais efetiva de historiadores, entre outros profissionais. Com tal propósito é que concitamos os colegas a se engajarem nessa luta em defesa de um projeto de lei destinado à preservação – e não à eliminação – da memória e da história do Judiciário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prof. Fernando Teixeira da Silva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Professor do Departamento de História da UNICAMP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS.: O Blog não teve acesso aos anexos citados no texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-901173211862770441?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/901173211862770441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=901173211862770441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/901173211862770441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/901173211862770441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/mais-do-mesmo-recomendacoes-do-conselho.html' title='Mais do mesmo: “Recomendações” do Conselho Nacional de Justiça de como eliminar documentos do Poder Judiciário'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7513096073330021196</id><published>2011-09-03T16:36:00.002-03:00</published><updated>2011-09-03T16:36:42.842-03:00</updated><title type='text'>A lição que vem das ruas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma parte dessa geração da qual faço parte, que hoje encontra-se na faixa dos 40 anos, guarda certas peculiaridades. Nascida na década de 1960, cresceu sob a vigência da Ditadura Militar e passou pela escola ao longo desse período de autoritarismo e repressão política. Cheguei ao ensino médio, numa escola técnica federal, em plena reta final do processo de abertura. Estudei no CEFET-RJ entre os anos de 1983 e 1985. E para ser sincero, foi ali que comecei a me dar conta do momento histórico que vivíamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando cursava o segundo ano, participei de um grupo que decidiu fundar um jornal dos estudantes. Chamava-se “Caminhando” e foi lançado em junho de 1984. Até hoje eu olho para aquele jornal e me assusto: eram 40 páginas de textos e ilustrações. Como fomos capazes de produzir um jornal mensal desse tamanho, aos 16, 17 anos de idade? E mais: cada exemplar era vendido, sendo o dinheiro arrecadado destinado a custear a edição seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a escola tinha na época o mesmo diretor há mais de uma década, designado pela Ditadura para conduzir a instituição com mãos de ferro. Lembro-me que ele não gostou da iniciativa. O jornal vendeu os 800 exemplares da edição de estréia logo nos primeiros dias, foi um sucesso absoluto. Preocupado, o tal diretor nos impôs um regime de censura prévia. Sem alternativa, aceitamos a esdrúxula imposição, que contudo, fomentara entre nós certos questionamentos: por que temos que ser censurados? Por que as pessoas não podem exercer a sua liberdade de expressão (algo que na nossa ingenuidade adolescente nos parecia quase como um direito adquirido, inato)? Por que não podemos nos manifestar livremente? Afinal, educar não é parte da construção da tão desejada autonomia dos sujeitos? Onde fora parar a nossa autonomia dentro daquela escola?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos poucos fizemos as relações inevitáveis com a realidade do país e embarcamos na campanha cívica e popular que ganhou as ruas em defesa das eleições diretas para presidente da República. Lembro-me ainda das fortes emoções vividas nas manifestações no comício das “Diretas Já”, sob a estreita vigilância da polícia e a iminente repressão que poderia se desencadear a qualquer momento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parte dessa geração passou a sonhar com a democracia, se engajou firmemente nas campanhas eleitorais do PT (sendo ou não filiado ao partido) e desde então vem sendo derrotada, vendo seus sonhos serem pouco a pouco destroçados. Tivemos Sarney na presidência e a derrota para Collor, o auto-proclamado “caçador de marajás”, banido do poder pela geração cara-pintada - constituída de novo pelos estudantes, dessa vez da geração seguinte, que ganharam as ruas com o grito de guerra “Fora Collor!”. Depois mergulhamos nos sombrios anos do governo FHC, que consolidou a hegemonia neoliberal no país. E já no século XXI, quando o PT chega ao poder, já não era o mesmo PT pelo qual lutávamos na década de 1980. A famosa “Carta ao povo brasileiro” de Lula (de junho de 2002) não representa outra coisa, senão um alto grau de continuísmo neoliberal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que me tornei professor também por conta de uma fé inabalável no futuro e, em especial, nas novas gerações. O magistério exige isso de nós: determinação e esperança que nos fazem crer que aqueles que estão por vir serão em breve muito melhores do que nós, capazes até de realizar os mesmos sonhos que sonhamos e não concretizamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por tudo isso, me orgulho muito dos estudantes que tomaram as ruas de Teresina nos últimos dias. Fazendo uso das novas tecnologias e das redes sociais (como o Twitter), mobilizaram-se e interromperam o trânsito nas principais vias da cidade. Ao invés de criminalizar a ação coletiva de jovens estudantes secundaristas, universitários e pós-graduandos, devemos saudá-la. Afinal, estão lutando pelo interesse coletivo e não em defesa de causas particulares, tão ao gosto do tempo em que vivemos. Estão a nos ensinar algo de muito positivo: é preciso lutar pelo que queremos, pois a vida é luta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao invés de lançar sobre eles a pecha de vândalos, baderneiros e desordeiros, observemos os motivos pelos quais lutam: é injustificável o último reajuste das tarifas dos ônibus urbanos. Especialmente em face do massacre sofrido cotidianamente – e de forma silenciosa – pelos estudantes, trabalhadores e demais usuários desse meio de transporte. O fato é que os ônibus circulam frequentemente lotados, em quantidade e horários insuficientes para a população, fazendo muitos caminharem longos trechos até ter acesso a um ponto de embarque. Além disso, é igualmente inaceitável a inexistência de terminais que articulem as linhas e permitam o pagamento de uma só passagem, ao invés de duas ou mais para se chegar ao destino desejado. E numa cidade como Teresina, por razões óbvias, todos os ônibus deveriam circular obrigatoriamente dotados de ar condicionado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essa violência e humilhação cotidiana que um transporte público coletivo desrespeitoso e indigno impõe aos teresinenses, os estudantes responderam tomando de assalto as ruas, protestando e exigindo um valor de tarifa condizente com a realidade e não resultante de uma planilha de custos já colocada sob a devida suspeição. Eis a lição que vem das ruas. É bom que aprendamos com ela, pelo menos enquanto ainda corre em nossas veias o sangue fervido pela indignação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afinal, os jovens têm tomado as ruas de grandes cidades pelo mundo afora, movidos por causas de outra magnitude. É o que se vê atualmente no Chile, na Espanha e países do norte da África, por exemplo. Temos assistido à chamada “primavera árabe”. Não me admiraria se ao invés de presenciar o início do B-R-O-BRO, estivermos presenciando uma espécie de “primavera teresinense”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Professor de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado n’O Dia (Teresina, PI), em 03.09.2011, Caderno Em Dia, Coluna Fórum, pág. 4.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7513096073330021196?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7513096073330021196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7513096073330021196' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7513096073330021196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7513096073330021196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/09/licao-que-vem-das-ruas.html' title='A lição que vem das ruas'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-6702172218193871389</id><published>2011-08-27T08:04:00.000-03:00</published><updated>2011-08-27T08:04:13.700-03:00</updated><title type='text'>Sobre a história que aprendemos e ensinamos</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;  &lt;w:DoNotOptimizeForBrowser/&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Qualquer graduando ou graduado em história (seja licenciado ou bacharel)padece com o ranço positivista que recai sobre os profissionais dessa área.Numa conversa informal que conte com a presença de um historiador ou professorde história, é muito comum ouvir do interlocutor alguma pergunta sobre opassado, seja ele recente ou mais longínquo. Em geral são perguntas quedemandam algum grau de memorização sobre nomes, datas ou fatos. Como era mesmoo nome completo de D. Pedro II? Em que dia o mandato de Fernando Collor deMello foi impugnado? Qual a contribuição das reformas de Sólon para ademocracia ateniense?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não raro essas situações acabam gerando constrangimento para o inquiridoe frustração para quem pergunta. Parece que tanto o senso comum quanto o ensinobásico continuam reforçando a ideia equivocada de que o historiador ouprofessor de história é uma espécie de repositório natural de todo oconhecimento sobre o passado. Afinal, para muita gente, cursar História nauniversidade ainda pode significar a aquisição ao longo de quatro anos de todoesse conhecimento, para só então poder pisar numa sala de aula e exercer omagistério.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não há nada mais equivocado do que essa concepção. E os alunos degraduação em História percebem isso já desde o primeiro período, dando-se contade que não era bem isso que imaginavam sobre a formação que passam a adquirir.Descobrem cedo que não vão conhecer tudo sobre o passado e que nem mesmo averdade sobre o passado é possível conhecer. Aprendem que lidamos com averossimilhança, nos aproximamos o máximo possível da realidade passada, semcontudo jamais conhecê-la plenamente. A formação do docente e do pesquisador daárea de história consiste em entrar em contato com versões verossimilhantes,frequentemente conflituosas e até opostas. Impossibilitados de voltar no tempo,nossa relação com outras épocas se estabelece através das fontes, é mediadapelas fontes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Portanto, não existe história sem fontes e não existe professor de históriaque saiba tudo sobre o passado. O magistério exige de nós um exercícioconstante – e extenuante - de pesquisa e leitura sobre cada tema que vamosabordar. Convém desconfiar do historiador sem fontes e do professor que sabetudo sobre todo e qualquer tempo e lugar. Desconfie em nome do senso crítico. Eo que faz da história um campo do conhecimento dinâmico e em permanentetransformação e construção é a pesquisa e as novas versões dela resultantes.Convenhamos, não fosse assim seria tedioso esse ofício.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É nesse terreno movediço que atuamos o tempo todo. Daí a necessidade dealicerçar a concepção da História como um conhecimento – sobre o passado e opresente - que é permanentemente construído e reconstruído. Nas minhas aulas deHistória do Brasil República, na Universidade Federal do Piauí, tenho procuradocompartilhar com os meus alunos uma experiência que tem se revelado bastanteproveitosa no sentido de sedimentar essa noção. A certa altura, apresento-lhesum sujeito chamado Manoel de Assumpção, que conheci há cerca de 20 anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Inicialmente esbarrei com ele num fichário do Arquivo Nacional. Pelasinformações contidas na ficha, fui sentar-me numa mesa da sala de consultasdaquela instituição e conheci mais detalhes sobre sua história. Descobri entãoque em 1904, ele tinha 29 anos e era um jovem negro e analfabeto. No dia 15 dejulho daquele ano, foi recolhido à prisão por dois motivos: encontrava-seexcessivamente embriagado numa rua do subúrbio carioca, sendo tambémconsiderado um vadio, sem endereço fixo ou trabalho através do qual pudessecustear a sua subsistência.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Essasinformações constam de um processo criminal que tenho examinado com meus alunosnesta disciplina.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O leitor pode – e deve – achar estranho que a embriaguez e a falta de umemprego já tenham sido considerados crime. Mas foram. Os artigos 396 e 399 doCódigo Penal de 1890 classificavam como criminosas tais práticas. E por essarazão, lá se foi Manoel de Assumpção para o xadrez. Mas poucos dias depois elefoi absolvido pelo juiz, que considerou improcedente a acusação. Há muito maisinformações a serem consideradas na análise cuidadosa do processo, mas vou meabster de tratar delas aqui, seja por que me falta espaço, seja porque nãoquero tornar enfadonha a leitura de quem chegou até essa linha do texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O que é importante dizer é que temos aprendido muito com Manoel deAssumpção. Como já afirmei, ele reforça a compreensão de que a história é umconhecimento que se constrói assim: frequentando os arquivos e pesquisandofontes variadas. Esse jovem que passou alguns dias sob as garras da polícia edo poder judiciário no Rio de Janeiro da Primeira República deve ser observadocomo um caso exemplar de um processo de imposição de uma nova ordem capitalistano país. Trata-se também da imposição de uma nova ideologia do trabalho quepode ser percebida concretamente no depoimento do acusado no auto de prisão emflagrante. Quando lhe foi concedida a palavra para produzir sua defesa, foi“pelo mesmo dito que é verdade que bebe e que ultimamente está sem trabalho,mas que promete corrigir-se de um e de outro vício”. Tudo leva a crer queManoel de Assumpção já assimilara essa nova ordem imposta pela ideologia queressignificava o trabalho e pela repressão: mesmo bêbado ele declarava que nãoter trabalho era um vício, portanto uma doença da qual se empenharia emcurar-se. Como se o fato de não ter um emprego ou trabalho dependesse única eexclusivamente dele. Cabe ainda desconfiar se de fato essa expressão foi ditapor ele ou lhe foi atribuída pela habitual prepotência policial diante de umanalfabeto negro e embriagado. A verdade, como já foi dito, jamais saberemos. Enesse caso nem é o mais importante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não resta dúvida de que muitos outros jovens negros e analfabetos comocontinuam a nos aguardar nos arquivos e em fontes diversas. Ao retirarmos doanonimato de um processo criminal personagens como esse, estamos ensinando aosnossos alunos que qualquer indivíduo pode assumir a condição de sujeito dahistória. Assim como qualquer professor de história deve ser também um hábilpesquisador e sujeito da produção do conhecimento. Afinal, o conhecimento dahistória não está aprisionado no passado, “ele nos ajuda a conhecer quem somos,porque estamos aqui, que possibilidades humanas se manifestaram e tudo quantopodemos saber sobre a lógica e as formas de processo social”, como afirma ohistoriador britânico E. P. Thompson, no livro “A miséria da teoria”. E issonão é pouca coisa em se tratando de uma área do conhecimento que tem padecidocom formas tradicionais de ensino. Como se vê, Manoel de Assumpção tem muito anos ensinar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Essa experiência de analisar fontes em sala de aula, com os alunos do cursode História, tem sido tão instigante e inspiradora, que pretendo levar Manoelde Assumpção ao I Seminário Internacional História do Tempo Presente, em que umgrupo de professores e pesquisadores vai se reunir para compartilhar suaspesquisas e reflexões sobre Ensino de História no Tempo Presente - num simpósiotemático. O evento acontecerá nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 2011, naUniversidade do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis. A UFPI certamenteestará bem representada, não por mim, mas pelo jovem Manoel e pelo tanto quetem nos ensinado sobre o ofício da história e da docência nessa área.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm;"&gt;Prof. de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina-PI), em 27 de agosto de 2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;_________________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;u&gt;&lt;b&gt;Observação&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;: excepcionalmente hoje, estou colocando o texto no blog mais cedo, ao invés de fazê-lo após às 12 horas do dia da publicação, como de hábito. O motivo dessa antecipação é que me vejo na obrigação de divulgar o texto sem erros (de separação de sílabas, junção indevida de parágrafos e supressão da última palavra) que constam na edição impressa do jornal. Em respeito ao leitor, aí está o texto completo e correto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-6702172218193871389?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/6702172218193871389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=6702172218193871389' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6702172218193871389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6702172218193871389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/sobre-historia-que-aprendemos-e.html' title='Sobre a história que aprendemos e ensinamos'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-2780383957767492556</id><published>2011-08-21T19:06:00.000-03:00</published><updated>2011-08-21T19:06:41.355-03:00</updated><title type='text'>As escolas de photoshop do Ceará</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Do lamentável estado da educação pública no Ceará&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde a mais tenra idade sempre ouvi falar que as pessoas que escolhem trabalhar com a educação de crianças e jovens são dotadas de uma vocação especial, algo similar ao que é dito sobre os homens que renunciam a uma série de prazeres materiais para abraçar o sacerdócio católico. A meu ver, por trás desse discurso meigo está escondida uma ideologia lamentável: para alguns, quem trabalha na educação pública, área historicamente desprezada em nosso País, merece um salário ínfimo, afinal, é uma pessoa vocacionada, quase mártir, que certamente terá um lugar reservado no paraíso depois de uma vida de sofrimentos e incompreensão não apenas por parte do poder público, como também pela sociedade de modo geral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em meio à constante desvalorização da docência pública do Brasil e, em especial, a do Estado do Ceará, professores articulam greves para alertar os governantes e a sociedade civil sobre as dificuldades vividas cotidianamente dentro e fora das salas de aula, sendo a mais grave delas a questão salarial. Por conta de uma extrema má vontade, o governador cearense Cid Gomes continua se recusando a pagar corretamente o piso salarial dos professores da rede pública estadual, além de não querer tentar qualquer acordo com tal categoria, pois, segundo ele, “Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após essa declaração desastrada vinda de um homem que supostamente deveria governar para o povo, não pude deixar de sentir indignação, revolta e um certo sentimento de impotência, já que tanto a imprensa quanto a maioria esmagadora da Assembleia Legislativa de meu Estado dificilmente contestarão a visão torta do governador. Para eles, detentores do poder nas mais diversas esferas da sociedade cearense, é muito mais interessante voltar os holofotes para as belezas naturais desta terra, enaltecendo as possibilidades de lucro com o turismo (que só serão sentidas em seus bolsos), do que centrar esforços para melhorar a educação básica e dar melhores oportunidades às milhares de crianças pobres que jamais frequentarão uma escola privada. Afinal, quem vai querer uma massa de gente esperta e crítica para derrubar os poderosos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que o descaso com a educação pública não começou na administração de Cid Gomes nem é exclusividade do meu Estado. O Brasil inteiro padece desse problema. Em 2010, comemoramos a derrocada do tucano Tasso Jereissati, cujo mandato prejudicou bastante a educação cearense. Hoje vemos que tal derrota foi apenas simbólica, pois Cid Gomes, que hoje pertence a um partido dito “socialista”, está apenas reproduzindo os mesmos discursos e práticas de seu antigo preceptor, mesmo dizendo que os vínculos políticos entre eles estão rompidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como é possível ter esperança em um futuro melhor para o nosso Ceará com uma liderança de visão torta como Cid Gomes? É terrível pensar que, com a força que ele tem, poderá eleger um sucessor com grande facilidade. E quem sabe até dizendo que seu governo “beneficiou” a educação pública, mostrando, na propaganda eleitoral, escolas fabricadas no photoshop e atores sorridentes fingindo ser professores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por Débora Vaz, em seu blog&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segunda-feira, 15 de agosto de 2011&lt;/div&gt;Extraído do &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/debora-vaz-as-escolas-de-photoshop-do-ceara.html"&gt;http://www.viomundo.com.br/denuncias/debora-vaz-as-escolas-de-photoshop-do-ceara.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-2780383957767492556?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.viomundo.com.br/denuncias/debora-vaz-as-escolas-de-photoshop-do-ceara.html' title='As escolas de photoshop do Ceará'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/2780383957767492556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=2780383957767492556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2780383957767492556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2780383957767492556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/as-escolas-de-photoshop-do-ceara.html' title='As escolas de photoshop do Ceará'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-1237386912586881308</id><published>2011-08-21T18:51:00.000-03:00</published><updated>2011-08-21T18:51:35.787-03:00</updated><title type='text'>Olhaí para o Chile!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Rebelião no Chile: Movimento dos estudantes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;ganha apoio e marca novas manifestações&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Bárbara Mengardo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Enviada Especial&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Santiago (Chile) – Santiago está em ebulição. Em todos os cantos da capital chilena, a qualquer hora é possível encontrar pixações, eventos culturais e atividades de apoio às manifestações que se estendem há três meses por todo o país, e não se limitam mais às demandas dos estudantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O movimento cresceu tanto, e tem tanto apoio popular (o jornal La Tercera, que há meses tenta esconder e desqualificar as movimentações, publicou matéria no último sábado afirmando que 76% da população chilena apóia os protestos), que é impossível saber com exatidão quais atividades vão ocorrer pela cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A praça Ñuñoa, localizada a mais ou menos meia hora do centro de Santiago, em um bairro de classe média, é palco todas as noites de manifestações e confrontos com os carabineiros. Cerca de 3.000 pessoas se deslocam diariamente ao local para participar de panelaços e, geralmente, são recebidos pela polícia que se utiliza de gás lacrimogênio e jatos fortes de água para tentar interromper as atividades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses carros que descarregam água na multidão foram apelidados pela população de Guanacos, que são animais parecidos com Lhamas que vivem nos Andes, e costumam a cuspir nas pessoas. Catalina Gamboa, estudante secundarista que acompanhava uma das manifestações na praça Ñuñoa, explica que o líquido expelido pelos Guanacos da polícia não é apenas água “Quando isso cai no rosto arde. Fizeram algumas análises e viram que tinham fezes nessa água”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos sites das Federações de estudantes brotam relatos de casos de extrema violência policial aplicada pelos Carabineiros. O portal da Federação de Estudantes da Universidade de Valparaiso postou a história de um estudante de História que foi pego por policiais enquanto observava um confronto e levado para um ônibus, onde foi violentamente golpeado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As agressões resultaram em uma grave fratura nasal, e o estudante necessitou de uma cirurgia. Quando viu a gravidade do machucado, um dos policiais, conta o site, perguntou: “O que se passou filho, porque está sangrando?” o garoto respondeu que eles o haviam agredido, e ouviu a resposta “Nós não batemos em ninguém, você sozinho bateu em uma porta”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As manifestações, entretanto, não estão presentes apenas nos bairros mais ricos da cidade. Ocupações em universidades e colégios de ensino médio e fundamental se estendem também pela periferia. Estudantes estimam que cerca de 700 colégios estejam ocupados, 200 deles só na capital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já no ensino superior ninguém soube dizer quantas ocupações estão em andamento no Chile. Sabe-se que todas as universidade chamadas tradicionais, que foram criadas até a década de 1960 e eram gratuitas até o regime ditatorial de Augusto Pinochet (1973-1990), estão ocupadas ou paralizadas. Andando pelas ruas de Santiago, entretanto, é possível se deparar com dezenas de universidades públicas ou privadas cujos portões estão bloqueados por cadeiras ou os muros estão cobertos com cartazes com dizeres como “fim ao lucro”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso porque, na educação superior chilena, o lucro foi proibido durante a ditadura, com uma lei que instituía que todas as universidades, públicas ou privadas, seriam pagas, mas não poderiam obter lucro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atualmente, todas as universidades chilenas são pagas, e a maioria recebe ajuda financeira do governo. Neste cenário, muitos donos de universidades acharam brechas na lei, e obtém muito lucro com as instituições de ensino. É comum que os integrantes dos diretórios acadêmicos, que estão acima dos reitores, possuam também imobiliárias, e repassem dinheiro a partir de obras superfaturadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fim do lucro se tornou uma das principais reivindicações dos estudantes que começaram a realizar marchas e manifestações desde junho. A esse ponto somaram-se muitos outros, sendo um dos principais a educação gratuita e de qualidade que, para todos os atores do movimento que já é conhecido como “inverno chileno”, deve acompanhar uma reforma integral da educação no país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre o assunto, a Federação dos Estudantes da Universidade do Chile, que tem sido muito ativa durante as manifestações, afirmou em um documento onde reúne todas as pautas do movimeno estudantil: “Nos une a firme convicção de que a educação é um componente essencial para alcançar um novo projeto histórico de desenvolvimento democrático que tanto anseia o país para superar as escandalosas brechas de desigualdade que presenciamos hoje. Desta forma, foi exposta a necessidade urgente de recuperar a educação como um direito social e humano universal que deve ser garantido pela Constituição Chilena.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outras demandas importantes são a criação de um novo sistema de financiamento, pois o atual faz com que cerca de 40% dos estudantes deixem as universidades endividados e a desmunicipalização da educação, já que Pinochet desmantelou o Ministério da Educacao, passando a responsabilidade administrativa e financeira para as comunas, que, grosso modo, podem ser comparadas a subprefeituras. Esse sistema faz com que a distribuição de verbas seja desigual entre as comunas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atualmente, entretanto, não são só os estudantes que pautam suas reivindicações. No dia 8 deste mês, os trabalhadores do Banco de Santiago começaram uma greve por reajustes salariais, e nos últimos meses ocorreram também paralisações de mineiros e taxistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um hospital público de Santiago, Posta Central, interrompe suas atividades toda vez que ocorrem marchas, e são convocadas também panelaços nos quais muitos adultos e idosos batem panelas para manifestar seu apoio aos estudantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até agora, o governo ainda não apresentou nenhuma proposta satisfatória para os manifestantes. A última tentativa, de estabelcer uma mesa de diálogo com o Congresso, foi rechaçada pelos estudantes universitários, mas bem vista pelos secundaristas. Muitos setores que compõem a ala universitária do movimento acreditam que a melhor solução para o impasse colocado é a realização de um plebiscito, e não veem essa mesa de diálogo como capaz de realizar a mudanca estrutural que desejam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desta forma, seguem as mobilizações no Chile, e já está fechado um calendário nacional de mobilizações para as próximas semanas. No dia 16 está marcada uma “velaton”, e todos que apóiam o movimento devem colocar velas em suas janelas. Na quinta, dia 18, acontecerá uma jornada de protesto nacional, e estão marcadas marchas e panelaços. Nos dias 24 e 25 haverá uma greve geral, puxada pela CUT (Central Unitária dos Trabalhadores do Chile).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Santiago, está marcado um bem humorado protesto na Praça das Armas, no qual todos deverão se reunir para fazer um grande “iiiiiiiii” pela educação, fazendo referência ao prefeito da comuna de Santiago, Pablo Zalaquett, que, devido a um tique, utiliza essas vogais no meio de suas frases.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governo também se diz preocupado com a possibilidade dos estudantes perderem o ano. Quanto a isso, Patricio Perez, 16 anos, estudante de um colégio ocupado, responde com uma frase que muito está se ouvindo: “Perder o ano, mas ganhar o futuro”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reproduzido do Correio Caros Amigos, recebido por e-mail.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-1237386912586881308?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/1237386912586881308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=1237386912586881308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1237386912586881308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1237386912586881308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/olhai-para-o-chile.html' title='Olhaí para o Chile!'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-3557986715183576013</id><published>2011-08-20T16:59:00.000-03:00</published><updated>2011-08-20T16:59:00.569-03:00</updated><title type='text'>Filhos de Clio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Veio para ressuscitar o tempo e escalpelar os mortos, as condecorações, as liturgias, as espadas, o espectro das fazendas submergidas, o muro de pedra entre membros da família, o ardido queixume das solteironas, os negócios de trapaças, as ilusões jamais confirmadas nem desfeitas”. É com o inicio do poema “O Historiador” de Carlos Drummond de Andrade que começo minha elegia a esse filho de Clio, deusa da História, o historiador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como já bem nos diz Drummond, o historiador veio para ressuscitar o tempo: o passado, e agora o presente. Anteriormente, quando se tocava no nome historiador éramos remetidos somente aquela pessoa que estudava o passado tal como ele aconteceu. Essa definição de nosso ofício já está por demais superada. O historiador é o pesquisador que estuda o passado, mas não somente ele. O historiador agora também estuda o presente. Essa revolução na historiografia mundial se dá no início do século XX, quando uma corrente historiográfica francesa, denominada Escola dos Annales, veio com uma nova perspectiva de se estudar a História. Para esses historiadores precursores do movimento, a História é mais do que simplesmente narrar os fatos tal como eles aconteceram – o chamado método positivista. O historiador, a partir de então, tinha a responsabilidade de problematizar seu estudo, isto é, a fonte não iria mais falar por si só, como queriam os positivistas, mas caberia ao historiador fazer as perguntas à mesma; fazer a fonte falar a partir das suas inquietações, das inquietações do seu presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O oficio do historiador resulta muito da relação do historiador com o mundo, das suas inquietações, da sua relação de vida e etc. Em suma, a prática historiográfica vem muito de uma questão pessoal. Às vezes, eu mesmo falo que o historiador é um ser frustrado. Frustrado no sentido de não ter vivido a época que ele propõe-se a estudar. E uma maneira de superar isso é estudar aquilo que lhe interessa; aquilo que gosta. Como bem nos diz a Prof.ª Teresinha Queiroz, não devemos pesquisar sem amor. O historiador tem que amar o tema que pesquisa, tem que gostar por uma questão pessoal e não uma imposição, pois caso isso aconteça seu leitor irá perceber certo grau de frustração em seu trabalho. Com amor, penso eu, seja tudo melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É graças aos historiadores formados pela Universidade Federal do Piauí e Universidade Estadual do Piauí que a História do Piauí está ganhando destaque e visibilidade em nosso Estado. Graças às pesquisas desenvolvidas pelos estudantes da graduação, mestrado, e professores dessas universidades, que Clio se satisfaz com seus filhos. Não há um povo sem História. E é por isso que devemos ressaltar o papel dessas instituições, bem como dos historiadores de formação e, por conseguinte, daqueles que não tiveram essa oportunidade, todavia desempenham o mesmo papel, quiçá até melhor do que os de formação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é hoje, 19 de Agosto, dia do Historiador que encerro essa minha elegia com o final do poema de Carlos Drummond de Andrade. O historiador “veio para contar o que não faz jus a ser glorificado e se deposita, grânulo, no poço vazio da memória. É importuno, sabe-se importuno e insiste, rancoroso, fiel.” Portanto, o que mais pedimos aos historiadores do Piauí é amor a sua terra, amor ao que é nosso, amor a nossa História. Salve Clio!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vinicius Alves Cardoso é graduando em História pela UFPI.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Artigo publicado na página de Opinião do jornal O Dia (Teresina), em 19/08/2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-3557986715183576013?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/3557986715183576013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=3557986715183576013' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3557986715183576013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3557986715183576013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/filhos-de-clio.html' title='Filhos de Clio'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-215803335712710110</id><published>2011-08-20T10:19:00.000-03:00</published><updated>2011-08-20T10:19:11.617-03:00</updated><title type='text'>Para entender a greve nas universidades públicas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma onda de greves pode varrer as universidades públicas federais nas próximas semanas. Uma greve dos funcionários, que se estende por cerca de 2 meses na UFPI, vem causando transtornos variados ao cotidiano da comunidade acadêmica. Não se concebe, por exemplo, que a universidade continue a funcionar com a Biblioteca Carlos Castelo Branco fechada. Os livros que lá estão me parecem indispensáveis aos alunos, professores, pesquisadores e até mesmo ao público em geral que busca ali um espaço e estrutura adequados para estudar. Entretanto, espantosamente a universidade continua funcionando como se uma greve não estivesse acontecendo, como se pudéssemos prescindir desses servidores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora são os docentes que podem paralisar suas atividades pelo país afora em defesa dos seus salários, entre outras reivindicações. Não vou discutir aqui os rumos do movimento e as demandas de funcionários e professores. Penso que são, em sua grande maioria, justíssimas, especialmente no que tange aos reajustes salariais. E logo adiante argumento nesse sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas vale lembrar que enquanto esteve no governo, o presidente Lula, do mesmo PT de Dilma, promoveu significativa recuperação dos salários dos professores das universidades públicas federais. A era FHC, que o antecedeu, foi marcada pelo arrocho salarial e sucateamento do ensino público superior. A lógica que presidiu o achatamento salarial foi a do neoliberalismo e da privatização do ensino superior. Afinal, assistimos ao longo da década de 1990 uma virada histórica nessa área: a expansão desenfreada do ensino superior privado promovida nesse período, sob o comando de Paulo Renato Souza (recentemente falecido), fez com que passássemos a ter pela primeira vez um maior contingente de alunos no setor privado ao invés do público.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo em que asfixiava as universidades públicas com escassez de recursos, baixos salários e parcos investimentos em infraestrutura, os governos de FHC permitiram a abertura e expansão nada criteriosa de faculdades e universidades particulares por todo canto desse país. Convenhamos que, especialmente nas grandes capitais, abria-se uma instituição de ensino superior com a mesma facilidade que se abre uma biboca a cada esquina. Regidas pelas leis do mercado, várias delas não resistiram à concorrência e pereceram em pouco tempo. Esbarraram num obstáculo óbvio: o baixo poder aquisitivo da população que sonha com um diploma universitário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outras dessas bibocas – não todas, é verdade - continuam por aí, a estampar em suas fachadas o título de universidade, faculdade ou centro universitário. Dessa forma mascaram o fato de que não são instituições de ensino, mas sim empresas ou estabelecimentos comerciais. Tratam alunos como clientes, aos quais não se dispõem a formar, mas antes oferecer um serviço. E na oferta desse serviço, exploram o quanto podem o trabalho de docentes contratados em geral como horistas e não como professores com 40 horas e dedicação exclusiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desta forma, distanciam-se bastante da excelência verificada em muitos cursos das universidades públicas federais. E a distância se deve ao fato de que nessas não é só o ensino que se desenvolve, mas também a pesquisa e a extensão – o tradicional tripé sobre o qual se sustenta a qualidade do ensino superior. Além disso, nas universidades públicas hoje só se ingressa no quadro docente mediante concursos disputados que têm priorizado sobretudo docentes com doutorado. Trata-se de uma instituição essencialmente regida pelo mérito, que se reflete na tabela salarial que remunera melhor os mais qualificados no campo acadêmico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem romper com a lógica neoliberal e o próprio neoliberalismo, o PT de Lula estancou a expansão desenfreada promovida pelo PSDB de FHC. Não reverteu o quadro, mas conteve a sanha pelo lucro desenfreado que movia muitos empresários da educação. E, sejamos justos, recuperou parcialmente as perdas acumuladas antes do seu governo. Diga-se de passagem, ainda em 2010 tivemos um pequeno reajuste que fez parte dessa política salarial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eleita Dilma Roussef, mantido o PT no poder, era de se esperar que pelo menos essa recuperação salarial prosseguisse ao longo dos próximos anos. Ainda que em 2011, por ser o primeiro ano do mandato da atual presidenta, não tivéssemos reajuste algum – e essa é uma opinião pessoal –, seria compreensível. Afinal, quem chega precisa arrumar a casa e são nítidas as dificuldades de concluir a faxina inicial, que ameaça tornar-se permanente, imobilizando o novo governo – tal como deseja uma certa mídia que faz e desfaz ministros sucessivamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O elemento deflagrador de uma eventual greve nacional dos professores das universidades públicas federais parece ser a mais absoluta intransigência do governo, que se evidencia no fato de não acenar com uma proposta consistente de reajustes, mínimos que sejam, escalonados ao longo da atual gestão – como fez Lula. E se evidencia também numa comparação reveladora do desprestígio, desprezo e desvalorização do magistério que diferentes governos insistem em perpetuar. Senão, vejamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem tiver oportunidade de acessar a página da ADUFPI na internet pode verificar esse descaso a que me refiro. Note que a fonte dessas informações é o DIEESE. Por que o professor de uma Instituição Federal de Ensino Superior (IFES) recebe o mais baixo salário quando leva-se em consideração o grau de exigência em titulação? Ou seja, enquanto um professor com doutorado recebe um salário bruto de R$ 7.333,67, um pesquisador do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) também com doutorado é contemplado com R$ 10.350,68. Por que?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A comparação torna-se ainda mais grotesca quando se observa que um especialista de agências como a ANAC ou ANATEL amealha para si, apenas com um diploma de graduação, sem mestrado ou doutorado, a bagatela de R$ 12.963,00. Um Auditor da Receita Federal, cargo para o qual também exige-se apenas o nível superior, recebe R$ 13.600,00. E um analista do Banco Central, com a mesma exigência de formação de graduado, recebe R$ 12.960,77. Note que estamos fazendo comparações somente com carreiras do Poder Executivo Federal, porque se formos comparar com o Judiciário e o Legislativo, o descalabro aumenta assustadoramente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podemos até discutir se a greve é ou não o instrumento adequado para professores universitários conquistarem reajustes (que são diferentes de aumentos) salariais. Não me propus a analisar essa questão, embora o retrospecto mostre que nas últimas décadas os governos não entenderam outra linguagem, que não fosse a greve. O que inquieta é a disparidade salarial que se observa e que é reveladora de um notório descaso com a educação e o magistério em todos os níveis de ensino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo leva a crer que a docência não é vista como função estratégica que merece reconhecimento em todas as instâncias, inclusive no plano salarial. O exame dessas informações sugere uma reflexão: de que lado está a intransigência? Dos professores que defendem a valorização da atividade fundamental que desempenham em nossa sociedade ou de um governo que insiste num inexplicável contingenciamento de recursos que certamente não serão negados aos empreiteiros que enriquecerão com as obras “urgentes” para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denilson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prof. de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 20.08.2011, sábado (Coluna Fórum, publicada no Caderno Em Dia, pág. 4)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-215803335712710110?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/215803335712710110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=215803335712710110' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/215803335712710110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/215803335712710110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/para-entender-greve-nas-universidades.html' title='Para entender a greve nas universidades públicas'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-9062304386481827357</id><published>2011-08-18T07:49:00.000-03:00</published><updated>2011-08-18T07:49:33.993-03:00</updated><title type='text'>Um promissor documentário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A vida secreta de Marighella&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;No ano em que ex-guerrilheiro comemoraria centenário, documentário revela vida íntima do ícone da esquerda e traz rap inédito de Mano Brown&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por MORRIS KACHANI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;DE SÃO PAULO&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Um dia, faz 40 anos, eu estava indo com meu pai para a escola e ele disse: 'Vou te contar um segredo: seu tio Carlos é o Carlos Marighella'". Assim começa o documentário "Marighella", de Isa Grinspum Ferraz, com estreia prevista para outubro. Em uma hora e 40 minutos, "Marighella" desfia a trajetória do ícone da esquerda brasileira que acabou baleado e morto dentro de um Fusca em 1969, em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meio século da história do país pode ser contado a partir dos acontecimentos em sua vida: a gênese do comunismo baiano, mulato, do qual Jorge Amado era partidário; o conflito entre integralistas e comunistas; a legalização do Partidão; a clandestinidade; a frustração com Stálin; o golpe militar e, por fim, a luta armada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que torna "Marighella" único é o olhar íntimo que só quem era de dentro da família seria capaz de documentar: "Tio Carlos era casado com tia Clara. Eles estavam sempre aparecendo e desaparecendo de casa. Era carinhoso, brincalhão, escrevia poemas pra gente. Nunca tinha associado o rosto dele aos cartazes de 'Procura-se' espalhados pela cidade", continua a voz em off da própria Isa, que assina direção e roteiro do filme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A ideia é desfazer o preconceito que até pouco tempo atrás havia contra meu tio. Era um nome amaldiçoado, sinônimo de horror. Além da vida clandestina e do ciclo de prisões e torturas, procuramos mostrar também o poeta, estudioso, amante de samba, praia e futebol, e acima de tudo o grande homem de ideias que ele foi", diz Isa, socióloga formada na USP.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na esteira da pesquisa que foi feita, surgiram algumas revelações. Clara Charf, companheira de Marighella de 1945 até sua morte, hoje aos 86, desenterrou uma pasta que pertencia a ele, na qual aparecem correspondências, mapas e esboços de ações guerrilheiras. A produção também descobriu uma gravação de Marighella para a rádio Havana, de Cuba. Em sua fala tipicamente cadenciada, ele anuncia o rompimento com o Partido Comunista e a adesão à luta armada. Mesma época em que intelectuais europeus como o cineasta francês Jean-Luc Godard passam a enviar remessas de dinheiro em apoio à sua causa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O filme ainda traz trilha sonora de Marco Antônio Guimarães e Mano Brown e depoimentos esclarecedores de militantes históricos, como o crítico literário Antonio Candido: "Marighella encarnava moral e psicologicamente o seu povo. Ele era pobre e não abandonou sua classe".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já a judia Clara enfrentaria resistência do pai ao assumir o relacionamento, no que acabou se transformando numa versão tropical de "Romeu e Julieta". "Carlos era preto, comunista e gói (não judeu)", lembra Clara, aos risos. "Mas era muito doce e, no fim, conquistou a todos." &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Folha de S. Paulo em 18 de agosto de 2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-9062304386481827357?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/9062304386481827357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=9062304386481827357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/9062304386481827357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/9062304386481827357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/um-promissor-documentario.html' title='Um promissor documentário'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7021587981952665449</id><published>2011-08-17T20:01:00.000-03:00</published><updated>2011-08-17T20:01:04.529-03:00</updated><title type='text'>I ENCONTRO PIAUIENSE DE ENSINO DE HISTÓRIA</title><content type='html'>Vem aí o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I ENCONTRO PIAUIENSE DE ENSINO DE HISTÓRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresina, dias 4 e 5 de outubro de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No CCHL/UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesas redondas, mini-cursos e debates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organização PIBID-HISTÓRIA &amp;amp; PET-HISTÓRIA da UFPI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inscrições em breve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7021587981952665449?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7021587981952665449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7021587981952665449' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7021587981952665449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7021587981952665449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/i-encontro-piauiense-de-ensino-de.html' title='I ENCONTRO PIAUIENSE DE ENSINO DE HISTÓRIA'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-4435148825050896536</id><published>2011-08-13T18:29:00.000-03:00</published><updated>2011-08-13T18:29:26.303-03:00</updated><title type='text'>O que aprendemos com a morte de Sandro?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você já ouviu falar de Sandro do Nascimento? Ele foi o jovem protagonista de uma tragédia ocorrida no Rio de Janeiro em 12 de junho de 2000 e transmitida ao vivo para todo o Brasil pelas emissoras de TV. Sequestrou um ônibus da linha 174 na rua Jardim Botânico, mantendo seus passageiros como reféns por algumas horas. Ao final do sequestro, foi assassinado dentro de um camburão da polícia em que deveria ter sido apenas levado preso até a delegacia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa história foi brilhantemente retratada num documentário intitulado “Ônibus 174”, dirigido em 2002 pelo agora famoso José Padilha. É bom não confundir o documentário com a sua adaptação livre em forma de ficção (com atores interpretando aqueles que viveram esse drama na vida real), intitulado “Última parada 174”, dirigido por Bruno Barreto, em 2008. Afinal, a ficção baseada nos fatos ocorridos naquele dia dos namorados do ano 2000 é um filme comercial, um caça-níqueis em busca do sucesso de bilheteria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assisti ao documentário mais de uma dúzia de vezes. Não por uma obsessão qualquer ou porque eu seja uma espécie de cinemaníaco. Sou amante dos documentários e o Brasil é pródigo e talentoso nesse ramo de produção cinematográfica. Mas minhas diversas sessões de “Ônibus 174” são ossos do ofício de professor. Exibi diversas vezes esse filme para alunos do ensino superior e em todas elas eu me sentava e apreciava cada cena de novo, descobrindo novos detalhes e municiando-me de argumentos e questões para os debates que se sucediam às tais sessões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O documentário parte do episódio do sequestro mas é uma espécie de cinebiografia de Sandro. Padilha é movido pelo desejo de contar e explicar a história daquele jovem seqüestrador. Quem ele era? De onde veio? Como chegou até aquele momento dramático de sua breve trajetória de vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É curioso lembrar que muitas vezes vi alunos dividirem-se entre duas posições ao longo da exibição e dos debates que se sucediam: uns clamavam o tempo todo pela morte de Sandro, quase como um desejo de vingança; outros pouco a pouco cediam ao desejo de compreendê-lo, chegando mesmo a se apiedar de sua condição. Ou seja, oscilavam entre identificá-lo como vítima ou algoz, custando a perceber que ele exerceu esse duplo papel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E Padilha pretendeu acima de tudo compreender quem foi Sandro e não julgá-lo. Ao descobrir que aquele jovem rapaz negro, viveu boa parte de sua vida pelas ruas, sem pai nem mãe ou qualquer assistência do Estado, tendo inclusive sobrevivido à outra tragédia marcante na história da cidade do Rio de Janeiro – a Chacina da Candelária, em que vários meninos de rua foram brutalmente assassinados no centro da cidade, em 1993 – começamos a compreender que há uma engrenagem em funcionamento regendo os rumos de sua vida. Quando percebemos que boa parte dos meninos que sobreviveu àquela noite de terror na Candelária foram assassinados ao longo dos anos seguintes, compreendemos que em 2000 chegara a hora de Sandro ser também impiedosamente eliminado. Operou-se e opera-se uma espécie de extermínio dos pobres e miseráveis, especialmente daqueles que ousam desafiar o ordeiro funcionamento de nossa sociedade capitalista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas considerações ressurgem em face do sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro ocorrido nessa semana. De novo, o pesadelo daquele 12 de junho de 2000 veio perturbar-nos a memória. Ressurgiram as imagens de Sandro e tudo mais, quase que inevitavelmente. E ficamos a nos perguntar sobre o que aprendermos com o episódio tão bem retratado por Padilha? Aprendemos alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente alguém poderá argumentar que sim, pois aí estão as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, como a melhor – será mesmo? - resposta produzida pelo Estado nos últimos tempos. Vários morros e favelas foram ocupados pela polícia, não sem a pirotecnia peculiar aos marketeiros de plantão. E muitos poderiam vangloriar-se dos tempos de paz vividos na cidade sede da Olimpíada de 2016, quando irrompe um novo sequestro de ônibus a nos atormentar. Sejamos justos ao admitir que um episódio de violência como esse não surpreenderia nenhuma capital brasileira. Padecemos todos, nos quatro cantos do país, dos mesmos males.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas quem melhor analisou o que representam hoje as UPPs foi o sociólogo Michel Misse. O coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ, autor do livro “Crime e violência no Brasil contemporâneo” (no prelo), publicou artigo extremamente esclarecedor na edição de julho do “Le Monde Diplomatique Brasil”, intitulado “Os rearranjos de poder no Rio de Janeiro”. Nesse texto, destaca que a “pacificação”, que já atinge vinte importantes áreas da capital fluminense, mantém uma lógica de operar por territórios. E o desafio está justamente em se transformar numa política de desterritorialização, capaz de integrar as áreas ocupadas à cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas palavras de Misse, “o desafio da permanência agora não é, como se supõe, o de levar ‘políticas públicas’ para os territórios, mas – por paradoxal que pareça – desterritorializá-los, isto é, integrá-los como bairros normalizados à cidade, dissolvê-los enquanto ‘territórios’, inclusive ‘territórios de UPPs’”. Caso contrário, estaremos reificando nos territórios “relações sociais de segregação e estigma, de desigualdade e repressão”. E conclui o autor com maestria: “nesse sentido, as UPPs terão alcançado sucesso quando não buscarem a permanência, quando não buscarem uma nova (ainda que bem intencionada) territorialização. É mais ou menos como o Bolsa Família: o sucesso depende de que o programa alcance seu fim, isto é, que tenha como meta alcançável seu próprio fim”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sequestro do ônibus ocorrido nessa semana não se deu em território de uma UPP e isso sugere que falta muito para alcançarmos a desterritorialização proposta por Misse. Integrar a cidade – e o país – como um todo significa ampliar as conquistas da cidadania, oferecer educação e saúde pública de qualidade a todos, salários dignos aos professores, médicos, bombeiros, policiais e demais agentes do Estado a serviço da sociedade – atitude que Sérgio Cabral e os demais governantes têm negligenciado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelo visto, há Rio de Janeiro demais para UPP de menos. Ou seja, o Rio não cabe nas UPPs. E jamais caberá! Não aprendemos nada, ou quase nada, com a morte de Sandro do Nascimento. Aquela tal engrenagem continua em funcionamento fazendo suas vítimas habituais. Até quando?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Denilson Botelho&lt;br /&gt;Prof. de História da UFPI&lt;br /&gt;Doutor em História Social pela UNICAMP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 13.08.2011, sábado (Coluna Fórum, publicada no Caderno Em Dia, pág. 4)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-4435148825050896536?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/4435148825050896536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=4435148825050896536' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4435148825050896536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4435148825050896536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/o-que-aprendemos-com-morte-de-sandro.html' title='O que aprendemos com a morte de Sandro?'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-1580557397132973962</id><published>2011-08-07T16:20:00.000-03:00</published><updated>2011-08-07T16:20:35.181-03:00</updated><title type='text'>Seminário Internacional História dos Conceitos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JeAu7BC0q_M/Tj7k15rWicI/AAAAAAAAAQE/nhfdz0ey3u0/s1600/Semin%25C3%25A1rioRJ.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="281px" src="http://3.bp.blogspot.com/-JeAu7BC0q_M/Tj7k15rWicI/AAAAAAAAAQE/nhfdz0ey3u0/s400/Semin%25C3%25A1rioRJ.jpg" t$="true" width="400px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Participantes: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chenxi Tang (Berkeley)&lt;br /&gt;David Armitage (Harvard University)&lt;br /&gt;João Feres Júnior (IESP/UERJ)&lt;br /&gt;João Paulo Garrido Pimenta (USP)&lt;br /&gt;Jorge Myers (Universidad Nacional de Quilmes)&lt;br /&gt;Lilia Schwarcz (USP)&lt;br /&gt;Lucia Bastos (UERJ)&lt;br /&gt;Luciana Villas Bôas (UFRJ)&lt;br /&gt;Marco Antonio Pamplona (PUC-Rio)&lt;br /&gt;Maria Elisa Mader (PUC-Rio)&lt;br /&gt;Murilo Sebe Bon Meihy (PUC-RJ) &lt;br /&gt;Pedro H. Villas Bôas Castelo Branco (UFF) &lt;br /&gt;Roberto Rocha (UFRJ) &lt;br /&gt;Sérgio Alcides (UFMG)&lt;br /&gt;Sven Trakulhun (Universität Zürich)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-1580557397132973962?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/1580557397132973962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=1580557397132973962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1580557397132973962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1580557397132973962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/seminario-internacional-historia-dos.html' title='Seminário Internacional História dos Conceitos'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JeAu7BC0q_M/Tj7k15rWicI/AAAAAAAAAQE/nhfdz0ey3u0/s72-c/Semin%25C3%25A1rioRJ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-6475017487448998027</id><published>2011-08-07T11:42:00.000-03:00</published><updated>2011-08-07T11:42:23.762-03:00</updated><title type='text'>Para onde vai o jornal diário?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há pouco mais de um ano foi criado na UFPI um Grupo de Pesquisa de História Social da Imprensa, Memória e Narrativas, que tenho a honra de liderar. O grupo reúne um pequeno número de pesquisadores com mestrado, mestrandos e graduandos que se interessa pela história da mídia, notadamente a imprensa. Além de discutirmos projetos de pesquisa em desenvolvimento e a bibliografia referente a essa área do conhecimento, volta e meia contemplamos também os desafios que estão colocados à mídia contemporânea.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O futuro e o estado atual dos jornais diários é inquietação que vai e volta entre nós. Noutro dia mesmo um aluno reforçou a percepção de que essa modalidade de imprensa está falida, visto que reproduz muito do que já está publicado na internet e justamente por isso, perdeu a sua função na medida em que nos serve todas as manhãs notícias velhas. Será mesmo que o jornal diário está fadado a desaparecer entre nós?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como historiador, não deveria me arvorar a tratar do futuro, mas arrisco prever um vigoroso futuro para essa mídia, caso consiga contudo se reinventar – e disso não resta dúvida. Senão, vejamos: como teve início a derrocada recente de Palocci? Foi através da reportagem de um jornal diário, a Folha de S. Paulo, que o Brasil tomou conhecimento no último dia 15 de maio, um domingo, da súbita e suspeita multiplicação do patrimônio do ex-ministro. A notícia fresquinha nos foi servida não pela internet, mas por um jornal impresso – que até tem a sua versão digital. Tem ou não futuro o jornal diário? Ele pode ou não sair na frente da internet na divulgação de certas notícias e informações?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo a pensar que se a empresa que publica um jornal estiver disposta a bancar um investimento mínimo no jornalismo e na investigação, pode produzir um impresso que sirva de fonte para a internet, ao invés de apenas reproduzir notícias já difundidas pela grande rede. Afinal, repórteres talentosos e criativos não nos faltam. Aqui mesmo, n’O Dia, em fevereiro desse ano, li reportagem de Mayara Bastos da qual jamais me esquecerei – e a qual já me referi recentemente. O tema não era novo e tinha tudo para sugerir uma abordagem pautada pela mesmice: a fome no Piauí. O IBGE acabara de divulgar dados novos sobre o assunto e esses poderiam ser apenas reproduzidos pela repórter num texto sem a menor criatividade. Contudo, não foi isso que se leu naquela matéria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao invés de reproduzir números e ressaltar quantos milhares de pessoas passam fome por aqui, Mayara Bastos preferiu mostrar a face humana da fome naquele 3 de fevereiro de 2011. Uma coisa é citar os números da fome, outra é pegar o leitor pela mão e conduzi-lo ao interior da casa de um teresinense que cotidianamente não tem o que comer, nem como alimentar os próprios filhos. Lembro do olhar sem esperança de uma mulher que padece dessa infame situação estampado numa foto que compunha a reportagem, junto com outra de uma panela vazia sobre o tosco fogão de um casebre humilde. Temos assim um exemplo claro do jornalismo se reinventando ou mesmo do jornalismo literário num jornal diário – coisa que muitos julgam inviável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a minha crença no futuro do jornal não me permite fechar os olhos para os desafios a serem enfrentados. E para tratar de parte – apenas parte – desses desafios, reporto-me a uma crônica de Lima Barreto, publicada na Gazeta da Tarde, há um século, mais precisamente em 18 de outubro de 1911. Sob o título “Os nossos jornais”, aquele escritor passa em revista a imprensa da época e faz diversas observações que soam extremamente atuais, sobretudo no exame dos jornais publicados hoje em Teresina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ressaltando o “emprego inútil que os nossos jornais fazem de um espaço precioso”, Lima Barreto critica “uns tais diários sociais, vidas sociais, etc. Em alguns tomam colunas, e, às vezes, páginas. Aqui nesta Gazeta, ocupa, quase sempre duas e três”. E prossegue o literato:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mas isso é querer empregar espaço em pura perda. Tipos ricos e pobres, néscios e sábios, julgam que as suas festas íntimas ou os seus lutos têm um grande interesse para todo o mundo. Sei bem o que é que se visa com isso: agradar, captar o níquel, com esse meio infalível: o nome no jornal”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mas para serem lógicos com eles mesmos, os jornais deviam transformar-se em registros de nomes próprios, pois só os pondo aos milheiros é que teriam uma venda compensadora. A coisa deveria ser paga e estou certo que os tais diários não desapareceriam”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os diários precisam se reinventar e acredito que há um público leitor sedento pela leitura de suas páginas, desde que elas não sejam preguiçosas reproduções do que já se encontra disponível na internet. A citadas reportagens sobre Palocci na Folha e a fome n’O Dia indicam claramente a relevância e o papel desse veículo na formação da opinião pública. Especialmente se considerarmos que o Plano Nacional de Banda Larga (PNLB) continua sendo uma peça de ficção que mantém a maioria da população distante da internet e também que a televisão parece insistir na sua costumeira superficialidade e indigência no trato da informação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mesma crônica, Lima Barreto ainda afirma que “seria tolice exigir que os jornais fossem revistas literárias, mas isso de jornal sem folhetins, sem crônicas, sem artigos, sem comentários, sem informações, sem curiosidades, não se compreende absolutamente”. Passados cem anos, o jornal precisa definir que rumo tomar, mas certamente isso não acontecerá enchendo páginas e páginas de matérias copiadas dos grandes portais de notícias ou de gente ilustre que ninguém conhece e cujas festas só interessa aos seus seletos convidados. Afinal, o que pretendem os jornais, cativar seus leitores ou tornar-se meros congêneres de revistas de celebridades, como tantas que já temos por aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora meu interesse primordial seja pelo passado da imprensa e do jornalismo, ratifico aqui o meu desejo: vida longa ao jornal diário!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denílson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prof. de História da UFPI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 06.08.2011, sábado (Coluna Fórum, publicada no Caderno Em Dia, pág. 4)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-6475017487448998027?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/6475017487448998027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=6475017487448998027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6475017487448998027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/6475017487448998027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/08/para-onde-vai-o-jornal-diario.html' title='Para onde vai o jornal diário?'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-3601302374011434823</id><published>2011-07-30T11:34:00.000-03:00</published><updated>2011-07-30T11:34:50.570-03:00</updated><title type='text'>Quando a memória não quer calar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.rioquepassou.com.br/andredecourt/wp-content/imagens/1159454426_f.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="287" src="http://www.rioquepassou.com.br/andredecourt/wp-content/imagens/1159454426_f.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Uma breve temporada de dez dias no Rio de Janeiro - de onde escrevo - pauta a coluna de hoje. Migrado há cerca de dois anos da capital fluminense para Teresina, retorno regularmente à cidade para rever parte da família que aqui continua a viver. E não possuindo mais um endereço no Rio, passei parte desse período numa área da cidade pouco conhecida e inexplorada por muitos até pouco tempo atrás, especialmente por turistas. Refiro-me à zona portuária, formada pelos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo, que situam-se entre a rodoviária e a Praça Mauá - essa mais conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci nessa região da cidade, onde meu pai vive há 71 anos e de onde ele insiste em dizer que não sai para lugar nenhum, a não ser para o Caju - numa referência ao bairro que possui um dos maiores cemitérios da cidade, também situado na mesma zona portuária. Deixei de morar no bairro quando cursava a graduação em Niterói, mas jamais me desfiz dessas raízes e das memórias que sempre carrego carinhosamente comigo. Dos 11 aos 15 anos de idade eu percorria a pé diariamente toda a longa e sinuosa rua Sacadura Cabral, fazendo o trajeto de ida e volta entre minha casa e o Colégio de São Bento (o acesso ao Google Maps ou Google Earth pode dar uma dimensão do que isso significa). Como era apenas um adolescente, não percebia o quanto o caminho estava repleto de referências históricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEscendo a rua Conselheiro Zacarias, onde vivem meus pais até hoje, entrava na Sacadura Cabral e logo me deparava com o Quartel do 5º Batalhão da Polícia Militar (5ºBPM), ladeado pela Praça da Harmonia e pelo gigantesco Moinho Fluminense. Essas edificações ainda existem e correspondem praticamente a três quarteirões percorridos. Da praça já vislumbramos o que hoje é o Morro da Providência, que foi a primeira favela formada no Rio de Janeiro, recebendo aliás o nome de Morro da Favela. A Sacadura Cabral vai contornando o morro, passa pelo gigantesco Hospital dos Servidores do Estado - onde o general-presidente João Batista Figueiredo esteve certa vez internado, nos áureos tempos em que o mesmo ainda não havia sido vilipendiado pelo SUS. No cruzamento com a rua Camerino separam-se os morros da Providência e da Conceição. Este último guarda ainda hoje características do Rio colonial, com suas ruas estreitas serpenteando a encosta. A certa altura, situa-se numa de suas encostas a chamada Pedra do Sal, remanescente do período da escravidão. E avançando em direção à Praça Mauá havia ainda os cabarés que marcaram época no local, um ao lado do outro. Depois era cruzar a atual Avenida Rio Branco, antiga Avenida Central, entrar na rua Dom Gerardo e subir o morro de São Bento, um dos marcos iniciais do povoamento da cidade, que dá nome ao colégio ainda tradicional e exclusivamente destinado a meninos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que circular por essa região atualmente me dá a impressão de que parte do Rio passa por um novo bota-abaixo, tal como aquele promovido há cerca de um século pelo Prefeito Pereira Passos. Com o intuito de aparelhar a cidade para receber alguns jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas de 2016, prefeito e governador levam a cabo reformas vultosas e profundas em várias regiões da cidade. Nesses bairros a que me referi, a meta é transformar o velho cais no Porto Maravilha - título com cheiro de marketing barato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o passado tem imposto alguns reveses ao curso dessas obras. Na larga avenida Barão de Teffé, por exemplo, escavações vinham sendo feitas para sanar de uma vez por todas um crônico problema naquele local: o alagamento causado por chuvas torrenciais que castigam a cidade a cada verão. Eis que as tais escavações e a implantação de novas galerias de escoamento para as águas pluviais esbarraram em resquícios arqueológicos do século XVIII, que remetem ao desembarque de escravos naquela região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que as obras avancem e tudo indica que em poucos anos a zona portuária esteja reurbanizada, reformada e transformada em novo ponto turístico da cidade - ensejando inclusive uma intensa especulação imobiliária que pode vir a expulsar de algumas áreas a população mais pobre que ali sempre viveu. Mas o grande atrativo daquela região, além da visão deslumbrante da baía de Guanabara, será mesmo a história, o patrimônio histórico e cultural, material e imaterial que clama pela atenção de quem passa por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para citar um exemplo, vou me referir à Praça da Harmonia, também denominada Praça Coronel Assumpção. Aquela pracinha onde dei minhas primeiras voltas de bicicleta - uma caloi pequena e vermelhinha - é o que poderíamos classificar como um lugar de memória, bem ao gosto do que preconiza o historiador francês Pierre Nora. Não foi exatamente a harmonia que prevaleceu naquele local no ano de 1904. Naquele ano ali eclodiu a Revolta da Vacina e foram montadas as barricadas da Saúde. Um movimento social urbano parou a cidade e tornou-se um conflito de consequências imprevisíveis durante alguns dias. A Marinha chegou a se posicionar na baía de Guanabara para o caso de um bombardeio tornar-se inevitável estratégia no sentido de debelar a rebelião - que foi sufocada sem que se chegasse a esse extremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos depois da revolta ergueu-se no local um quartel da polícia. A data de inauguração gravada no frontispício da edificação está lá como testemunha: 1908. E ao seu lado fez-se então a Praça da Harmonia. Ou seja, deu-se nitidamente uma operação cujos desdobramentos fundamentais remetem ao campo da memória. No lugar da desordem (da revolta), se construiu um símbolo da ordem (o quartel). Onde no passado houve rebelião e inconformismo, implantou-se a Harmonia (que está no nome da praça). E assim se apagou e ocultou a história da Revolta da Vacina no bairro da Saúde. Lembro que estudei quatro anos numa escola pública municipal a duas quadras da praça e nunca tomei conhecimento disso naquela época. Só mesmo como estudante de História fui descobrir em que terreno eu pisava ao longo de toda minha infância e juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cem anos depois da Revolta da Vacina, em 2004, um grupo de abnegados foliões criou um bloco carnavalesco chamado Cordão do Prata Preta, numa referência e homenagem a Horácio José da Silva, estivador e capoeirista que foi um dos líderes da revolta de 1904, sendo preso e deportado para o Acre. Horácio ficou conhecido como Prata Preta. E se não fosse pelo bloco carnavalesco recém-criado, o silenciamento dessa memória seria um sucesso até hoje. Só mesmo o olhar elitista e burguês da nossa sociedade é que insiste em considerar nossas festas populares - como o carnaval - como a mais completa expressão da alienação popular. Vida longa ao Cordão do Prata Preta!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Por Denilson Botelho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Publicado n'O Dia (Teresina), em 30 de julho de 2011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-3601302374011434823?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/3601302374011434823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=3601302374011434823' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3601302374011434823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3601302374011434823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/quando-memoria-nao-quer-calar.html' title='Quando a memória não quer calar'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-3225950531259492167</id><published>2011-07-23T12:03:00.000-03:00</published><updated>2011-07-23T12:03:45.114-03:00</updated><title type='text'>Para que serve o Ideb?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Matéria publicada na edição de Veja de 13 de julho de 2011 chegou às minhas mãos. Faço questão de descrever a situação dessa forma porque não sou leitor dessa revista. O seu perfil escancaradamente tendencioso, os interesses que esse veículo representa e o seu perfil ideológico não me agradam nem um pouco. Por isso, há muito tempo deixei de ler Veja. Cansei! Mas o fato é que a referida edição destinou quatro páginas a um texto do economista Gustavo Ioschpe sobre educação. Em síntese, trata-se da defesa entusiasmada de uma idéia aparentemente simples e útil - apenas aparentemente: cada escola pública deve divulgar numa placa bem visível na entrada principal o seu IDEB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em princípio, quem ousaria ser contra tal iniciativa formulada por Ioschpe? A proposta parece tão justa que vários municípios já se apressaram em adotá-la, inclusive Teresina, através de lei municipal. Se de fato já foi implementada é outra história. Mas eu quero aqui manifestar o meu desacordo e descontentamento com essa iniciativa. Discordo mesmo da proposta difundida pelo economista - e não estou sozinho ao manifestar minha discordância. Precisamos refletir sobre o significado desses índices e avaliações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe no Brasil um Movimento Contra Testes de Alto Impacto na Educação que é coordenado por Luiz Carlos de Freitas, Professor Titular da Faculdade de Educação da UNICAMP. Em junho de 2011, a revista Caros Amigos - esta sim vale a pena ler e assinar - lançou uma edição especial intitulada "Educação - O que fazer para tirar o Brasil do atraso". Um artigo do coordenador desse movimento, publicado na página 11 dessa edição,  fornece motivos suficientes para fundamentar a crítica a Ioschpe. Assim, vou me permitir reproduzir a seguir seus trechos mais esclarecedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A educação é sempre um campo em disputa. Tem uma ligação tão grande com as questões relativas à formação de mão de obra em nossa sociedade, que economistas, muitas vezes escalados pelos interesses dos empresários, predominam na hora de definir os caminhos da educação. Educadores profissionais pouco são ouvidos na elaboração das políticas públicas educacionais, e a mídia, em particular, abre espaço para os homens de negócio e seus representantes e muito menos para educadores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A conversa é sempre a mesma. Os educadores não são objetivos ou não têm propostas concretas. São ideólogos e não cientistas. Os reformadores empresariais procuram se contrapor dizendo que eles, sim, são objetivos e não fazem ideologia. Como se isso fosse possível, pois não fazer ideologia já é uma o p ção ideológica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A educação sofre e sofrerá nos próximos anos o assédio dos reformadores empresariais. Para eles, a educação é um subsistema do aparato produtivo e nisso se resume. Para os educadores profissionais, porém, formar para o trabalho é apenas parte das tarefas educacionais. E aí está uma divergência central".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Para reformadores empresariais, os objetivos da educação se resumem em uma "matriz de referência" para se elaborar um teste que meça habilidades ou competências básicas- via de regra limitadas a português, matemática e ciências. Para educadores profissionais, os objetivos não se limitam a isso. O que implica pensar o jovem em toda sua capacidade de desenvolvimento formativo, ou seja, sua capacidade de sentir, pensar, criar- incluído as demais disciplinas. Para os reformadores empresariais, no entanto, isso não é objetivo- ou seja, não atende aos interesses imediatos da porta da fábrica..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" P or tanto, se pretendemos ter um sistema educacional de qualidade, o primeiro passo é o que entendemos por esta qualidade e qual o projeto formativo que temos a oferecer à juventude - aditanto: isso não cabe nos testes. É prudente, portanto, recusar a 'objetividade' dos reformadores empresariais e formatar um projeto educacional que oriente o país".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) Acontece que o Plano Nacional de Educação estabelece como 'projeto educacional' sair-se bem no IDEB e este foi vergonhosamente amarrado aos resultados do PISA, teste de aprendizagem conduzido por um organismo internacional a serviço dos empresários, a OCDE - Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico. Assim, fica definido nosso 'projeto educacional': os alunos devem sair-se bem na Prova Brasil (português, matemática e futuramente ciências), as escolas devem ter um bom IDEB e todos devemos ser bem avaliados aos 15 anos de idade no PISA da OCDE em português, matemática e ciênc ia s. Décadas atrás gritávamos contra os acordos MEC-USAID, hoje aceitamos a subordinação dos interesses formativos da nossa juventude à OCDE, e a União Nacional dos Estudantes não diz nada e a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação está perfilada ante o MEC".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os reformadores empresariais argumentam que português e matemática é o básico para se formar para a cidadania. Entretanto, não definem o que entendem por cidadania, o que termina resumindo-se em atender aos interesses das corporações empresariais. O problema em limitar-se ao básico é que o básico, por definição, exclui aquilo que se considera que não é básico. E isso é uma decisão ideologicamente orientada. As artes, o corpo, os sentimentos, a afetividade, a criatividade devem ser desenvolvidas simultaneamente e não após o básico. As crianças das camadas populares só têm a escola para desenvolver tais habilidades. Não passam duas vezes pela escola: primeiro par a a prender o básico, e depois para expandir o básico. É um engodo, portanto, falarmos que o básico vem primeiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fórum de hoje sugere ao leitor que observe a necessidade de confrontar os discursos emanados da mídia. Hoje coloquei Veja e Caros Amigos para conversar diante dos seus olhos. A pergunta que fica no ar é a seguinte: para que servirá o IDEB afixado na porta das escolas, em lugar bem visível, como propõe Ioschpe? Me parece que isso não passa de mais um engodo...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Denilson Botelho é Professor de História da UFPI&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Publicado no jornal O DIA, em 23.07.2011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-3225950531259492167?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/3225950531259492167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=3225950531259492167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3225950531259492167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3225950531259492167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/para-que-serve-o-ideb.html' title='Para que serve o Ideb?'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-4535343765796314631</id><published>2011-07-19T14:05:00.000-03:00</published><updated>2011-07-19T14:05:27.196-03:00</updated><title type='text'>Castells propõe outra democracia</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/07/18/castells-propoe-outra-democracia/"&gt;Castells propõe outra democracia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis porque a história da imprensa e do jornalismo, assim como a comunicação em geral, tanto me interessam. Vale a pena conferir a impressionante lucidez de Castells nesse texto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Bruzundanga recomenda!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-4535343765796314631?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.outraspalavras.net/2011/07/18/castells-propoe-outra-democracia/' title='Castells propõe outra democracia'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/4535343765796314631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=4535343765796314631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4535343765796314631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4535343765796314631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/castells-propoe-outra-democracia.html' title='Castells propõe outra democracia'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-1570104940206859216</id><published>2011-07-18T12:13:00.000-03:00</published><updated>2011-07-18T12:13:59.782-03:00</updated><title type='text'>Le Monde Diplomatique - Edição Brasileira - Nas bancas!!!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://diplomatique.uol.com.br/upload/edicao/c2z2pv4Pvi44i7P.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200px" m$="true" src="http://diplomatique.uol.com.br/upload/edicao/c2z2pv4Pvi44i7P.jpg" width="147px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;DOSSIÊ DEMOGRAFIA &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mitos da população mundial por Gérard-François Dumont &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOSSIÊ DEMOGRAFIA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um planeta muito populoso? por George Minois &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOSSIê DEMOGRAFIA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A China, velha antes de ser rica por Isabelle Attané &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOSSIÊ DEMOGRAFIA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens do mundo árabe por Youssef Courbage &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALTERNATIVAS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renda básica na Namíbia por Eduardo Matarazzo Suplicy &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTADOS UNIDOS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camareiras nos palácios nova-iorquinos por Rachid Khechana &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRISE DA EUROPA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não se envergonhe por querer a lua" por Serge Halimi &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRISE NA EUROPA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espanha, novidade sob o sol por Raúl Guillén &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRISE NA EUROPA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas cidades, o movimento da juventude por Max Weisbrot &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRISE NA EUROPA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um país deve pagar sua dívida? por Damien Millet, Eric Toussaint &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EGITO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os obstáculos da revolução por Alain Gresh &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IRÃ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mahmoud Ahmadinejad contra os clérigos iranianos por Fahran Jahanpour &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAÚDE E MEIO AMBIENTE &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um país infestado por agrotóxicos por Lilian Mathieu &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MERENDA ESCOLAR &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agricultura familiar fornece comida saudável a escolas por Marília Leão, Juliana Rochet, Ana Claudia Santos, Vivian Braga &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IMPRENSA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a mídia noticia o irreal por Fernanda Campagnucci &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIOLÊNCIA URBANA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conivência entre o crime e o poder por Vera da Silva Telles &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CULTURA NAS GRANDES CIDADES &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Globalização e periferia por Valmir de Souza &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIOLÊNCIA URBANA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rearranjos de poder no Rio de Janeiro por Michel Misse&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-1570104940206859216?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://diplomatique.uol.com.br/edicao_mes.php' title='Le Monde Diplomatique - Edição Brasileira - Nas bancas!!!'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/1570104940206859216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=1570104940206859216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1570104940206859216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1570104940206859216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/le-monde-diplomatique-edicao-brasileira.html' title='Le Monde Diplomatique - Edição Brasileira - Nas bancas!!!'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-2782269766784264243</id><published>2011-07-18T10:56:00.000-03:00</published><updated>2011-07-18T10:56:29.406-03:00</updated><title type='text'>A tentação totalitária</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;VOCÊ SE considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o mundo seria tão bom... (risadas).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você se lembra de um filme chamado "Um Homem Bom", com Viggo Mortensen, no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo "usado" pelo partido?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando, casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de domingo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais estabilidade na vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, "para ter uma melhor qualidade de vida".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua esposa de 40 anos por uma de 25 -é, eu sei, banal como a morte) o puxa pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor qualidade de vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um certo "mal-estar" com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira, jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha são mais fortes do que qualquer "visão política de mundo"), diz: "meu amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mal assim".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem saber: "quero apenas o bem de todos".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta emoção coletiva e determinação para o bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali "para o bem".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você tem absoluta certeza que "você é do bem", cuidado, um dia você pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um futuro melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se essa certeza vier acompanhada de alguma "verdade cientifica" (como foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que querem "fazer seres humanos melhores" (como foi comum nos totalitarismos históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já era.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está fazendo o "bem para todos", não é a vontade de destruir grupos diferentes do dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome desse bem total.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um "outro bem", mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por LUIZ FELIPE PONDÉ &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Folha de S. Paulo em 18/07/2011 (Caderno Ilustrada)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-2782269766784264243?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/2782269766784264243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=2782269766784264243' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2782269766784264243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2782269766784264243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/tentacao-totalitaria.html' title='A tentação totalitária'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7487358139597842548</id><published>2011-07-18T10:54:00.000-03:00</published><updated>2011-07-18T10:54:05.642-03:00</updated><title type='text'>"A crise não é só deste governo, mas de toda a política"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;"Primavera Árabe" chega ao Chile com estudantes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Jovens atraem vários setores da sociedade em busca de reformas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Onda de protestos já fez a popularidade de Piñera despencar: ele já tem o pior índice de aprovação em 40 anos&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A onda de protestos da Primavera Árabe, que sacudiu o Oriente Médio e influenciou o movimento dos indignados em países como Espanha e Grécia, chegou neste inverno à América Latina, com os sucessivos protestos estudantis no Chile.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As manifestações têm a adesão de outros setores insatisfeitos e provocaram uma grave crise no governo de Sebastián Piñera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Influenciados por essas recentes manifestações, os estudantes chilenos se mobilizam desde maio em prol de uma ampla reforma no sistema educacional do país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde então, 30 universidades e mais de 200 colégios estão tomados em todo país. Além de estudantes universitários e secundários, professores e reitores, somaram-se aos protestos ecologistas, trabalhadores das minas de cobre, aposentados e até servidores da saúde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acossado pelos reclamos, Piñera já ostenta o pior índice de aprovação de um chefe de governo em 40 anos e cogita uma ampla reforma ministerial para tentar reverter a crise.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Vimos que podíamos mudar indo para as ruas, como fizeram outros países", conta Estebán Lagos, 23, secretário-geral da Fech (Federação dos Estudantes da Universidade do Chile) e um dos líderes estudantis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Agora temos a certeza que, além do sistema educacional, podemos influenciar também na política", completa Lagos, estudante de administração pública.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crise no sistema educacional chileno explodiu pela primeira vez em 2006, no que ficou conhecido como revolução dos pinguins" - em referência ao uniforme dos estudantes secundários, parecido com as cores da ave.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além do boom de faculdades privadas, a qualidade da educação vem se degringolando desde os anos 80, quando a ditadura de Augusto Pinochet mudou as regras e esvaziou a participação do Estado no setor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mobilizados via internet desde o ano passado, os ex-integrantes da "revolução dos pinguins", agora universitários, voltaram às ruas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O que aconteceu na Europa e no Oriente Médio nos incentivou bastante, e hoje contamos com o apoio de organizações do Egito, França, Espanha e até Hungria", conta Magdalena Paredes, 19, que ontem inspecionava a ocupação da Universidade do Chile, majestoso prédio do século 19 vizinho do Palácio La Moneda, sede do governo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de alguns acenos do governo, como o envio de projetos de lei para o Congresso e a formulação de um pacote de US$ 4 bilhões para o setor, os estudantes, ainda insatisfeitos, seguem com as mobilizações nesta semana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A crise não é só deste governo, mas de toda a política", disse à Folha Marta Lagos, diretora da ONG Latinobatómetro. "Há uma mudança de ânimo da população, que começa a cobrar por mudanças estruturais."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por LUCAS FERRAZ&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ENVIADO ESPECIAL A SANTIAGO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Folha de S. Paulo em 18/07/2011&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7487358139597842548?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7487358139597842548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7487358139597842548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7487358139597842548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7487358139597842548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/crise-nao-e-so-deste-governo-mas-de.html' title='&quot;A crise não é só deste governo, mas de toda a política&quot;'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7540507300306188710</id><published>2011-07-18T10:50:00.000-03:00</published><updated>2011-07-18T10:50:16.018-03:00</updated><title type='text'>Contra papai e mamãe</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Theodore Roszak, o inventor da palavra "contracultura", morreu outro dia na Califórnia, aos 77 anos. Era um historiador, um observador social, um pensador multidisciplinar. Mas só será lembrado por seu livro de 1968, "A Contracultura", em que cunhou a expressão e tentou dar um sentido a tudo que envolvia a juventude naquela época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que não era pouco. De repente, milhões de rapazes e moças em toda parte se levantaram contra o "sistema" -leia-se o governo, os políticos, a Guerra do Vietnã, as ditaduras militares, os professores, a autoridade em geral, a moral estabelecida, a sociedade de consumo, a arte "bem-feita", o barbeiro do bairro, os maiores de 30 anos ou, à falta de melhor, papai e mamãe. Mas não significava que todos protestassem contra as mesmas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A contracultura foi a passagem do primado da razão (que levou uma parte ultrapolitizada da juventude a lutar contra as ditaduras, as desigualdades sociais, o sistema universitário, a censura etc.) ao primado da não razão (que fez com que outra parte preferisse "cair fora" das cidades e ir queimar fumo, tomar ácido, fazer filhos, plantar coquinhos, catar piolhos e ouvir Jimi Hendrix no meio do mato).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante algum tempo, pareceu que a segunda facção -a dos hippies, drop-outs, psicodélicos, místicos, ocultistas e alienados em geral- iria prevalecer. Prometia-se um novo homem, sem os velhos defeitos. Até que, naturalmente, o "sistema" absorveu esse antirracionalismo, converteu-o em produtos e serviços, e o pôs à venda. A contracultura se tornou a nova cultura, e tão careta quanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roszak nunca aceitou bem essa conclusão. Para ele, os ecos da contracultura estão entre nós até hoje -na informalidade ao vestir, na comida mais saudável, na ecologia, nos direitos humanos. Tudo bem. Mas o novo homem não veio, só mudaram os defeitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por Ruy Castro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na Folha de S. Paulo em 18/07/2011&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7540507300306188710?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7540507300306188710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7540507300306188710' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7540507300306188710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7540507300306188710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/contra-papai-e-mamae.html' title='Contra papai e mamãe'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-1171765170554613500</id><published>2011-07-16T10:50:00.000-03:00</published><updated>2011-07-16T10:50:34.530-03:00</updated><title type='text'>A Igreja entre Higino Cunha e um caído que levanta o outro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca esqueci de um diálogo que tive quando ainda cursava a graduação em História na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Como morava no Rio de Janeiro, cruzava a baía de Guanabara ao final de todas as tardes, de segunda a sexta, de barca – e isso sempre me faz pensar sobre o quanto deixamos de explorar o transporte marítimo, ou fluvial no caso da nossa Teresina servida por dois grandes rios. A travessia durava cerca de 20 minutos, tempo suficiente para concluir a leitura de um texto a ser discutido em aula ou para trocar dois dedos de prosa com algum colega de faculdade que rumava para o mesmo destino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tal diálogo foi marcante em função do questionamento produzido pelo meu interlocutor, aluno do curso de Administração na mesma universidade. Muito convencido das inúmeras possibilidades de atuação profissional que o curso dele certamente lhe franquearia, perguntou-me mais ou menos o seguinte: “para que serve um curso de história, além de formar professores? Vocês falam muito em pesquisa, mas as pesquisas na área de história não servem para nada, não é? No final das contas, vocês fazem pesquisa sobre o passado por mero diletantismo, pelo simples prazer de descrever o passado e só!”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A conversa esquentou e prosseguiu até mesmo depois do desembarque, enquanto nos afastávamos da estátua de Araribóia, que recepciona a todos que chegam em Niterói fazendo uso daquele meio de transporte. Ao invés de prosseguir com reminiscências sobre essa conversa, prefiro explicar um pouco para que serve a pesquisa em história citando, por exemplo, duas monografias de conclusão do Curso de História da UFPI, que foram apresentadas e defendidas ao longo da última semana. Acredito que esses trabalhos contraditam claramente o suposto diletantismo que aquele colega – e talvez não só ele – atribuem ao conhecimento que produzimos no âmbito do Centro de Ciências Humanas e Letras dessa universidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se monografias desta natureza raramente são publicadas, o que é de se lamentar, esse espaço num jornal da capital piauiense mostra-se oportuno para explicitar a natureza desse tipo de trabalho. Cairo Bruno Souza da Silva, por exemplo, fez uma rica investigação sobre o envolvimento de Higino Cunha nos debates político-religiosos travados no Piauí no início do século XX. Um dos aspectos que mais me chamou a atenção na sua pesquisa diz respeito ao papel da Igreja Católica naquele contexto. Sendo um anticlerical convicto, Cunha atribuía, em algum grau, o precário desenvolvimento da instrução pública e o alto índice de analfabetismo que grassava no Estado naquele período à Igreja Católica e à orientação que a instituição seguia na época. Inclusive o governo de Miguel Rosa teria sido duramente criticado em jornais católicos por defender uma educação pública e laica. Assim, de certa forma, na visão de Higino Cunha e outros intelectuais, o catolicismo teria emperrado o combate ao analfabetismo e a difusão do ensino público em protesto contra a educação laica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, a monografia de Denise Soares de Oliveira nos permite olhar para outra face dessa mesma instituição que é antes de tudo plural. Com o instigante e criativo título “Um caído que levanta o outro”, a jovem historiadora produziu um trabalho acadêmico que é também uma grave denúncia. Ao ler esse texto, somos tomados de indignação em relação às condições de trabalho e de exploração a que as quebradeiras de coco babaçu maranhenses estão submetidas dos anos 1990 até hoje. É inquietante o sistema arcaico, servil, que é examinado pela autora e que em tudo lembra o velho sistema de barracão. Desta forma, seu trabalho é um exemplo de que se pode fazer pesquisa acadêmica com rigor e ao mesmo tempo militar em defesa de uma causa, tal como célebres historiadores já fizeram, em especial E. P. Thompson, que inclusive lhe serve de referência teórica. O Brasil das quebradeiras de coco babaçu do final do século XX e início desse novo século tem cheiro de Brasil colonial, de uma escravidão extemporânea e inaceitável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E na pesquisa de Denise Oliveira a Igreja Católica também se apresenta como personagem fundamental. Só que desta vez, trata-se da ala católica que na segunda metade do século XX fez ou refez a “opção preferencial pelos pobres” e através de seus agentes mais engajados contribuiu decisivamente para a organização de um movimento social vigoroso que reúne diversas mulheres quebradeiras de coco babaçu em terras maranhenses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temos aqui alguns frutos produzidos pela pesquisa nessa área. Na medida em que nos permitem refletir de forma mais fundamentada sobre o papel da Igreja Católica em certos momentos da história, podemos compreender melhor a situação em que vivemos. E isso tem especial relevância para as sociedades piauiense e maranhense, historicamente marcadas pela forte presença do catolicismo até os dias atuais. Nada como pisar no interior de uma Igreja consciente do que essa instituição representa e representou no passado. Eis o que a história é capaz de fazer por nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 16.07.2011, sábado (Coluna Fórum, publicada no Caderno Em Dia, pág. 2)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-1171765170554613500?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/1171765170554613500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=1171765170554613500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1171765170554613500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/1171765170554613500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/igreja-entre-higino-cunha-e-um-caido.html' title='A Igreja entre Higino Cunha e um caído que levanta o outro'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-740842554099993013</id><published>2011-07-13T08:26:00.000-03:00</published><updated>2011-07-13T08:26:57.900-03:00</updated><title type='text'>A república que não foi - Roberto Pompeu de Toledo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fará 100 anos, em agosto, que começou a ser publicado em capítulos no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro o romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. O livro é hoje um clássico da literatura brasileira e o Policarpo do título um de seus personagens mais marcantes. Mesmo quem não leu o livro tem uma ideia de quem se trata – o patriota tão patriota, tão enamorado e orgulhoso das coisas do Brasil, e tão avesso à influência estrangeira, que um dia enviou uma representação à Câmara dos Depurados propondo a adoção do tupi como língua oficial, em lugar do importado português. Tão patriota que proibiu em sua casa o jantar de frango com o estrangeiro petit-pois. Tinha ele ser com guando. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até lá pela metade do livro Policarpo Quaresma é personagem de comédia. Encanta-se com a magnitude dos rios brasileiros e tem tanta fé na dadivosidade do solo pátria que, quando vira agricultor, se recusa a usar adubo nas plantações. Depois toma corpo um outro Quaresma, agora personagem de tragédia. O livro deve sua grandeza a essa transição. Como um herói do teatro grego, ele vai consumir-se numa luta perdida. Mas, à diferença elos heróis gregos, não é a manipulação dos deuses que o enreda na malha da danação. São as pragas bem terrenas do Brasil que tanto amou. A saúva que corrói suas plantações. O torniquete dos constrangimentos e das multas que, ao recusar-se a participar de uma fraude eleitoral, se fecha contra sua atividade de produtor rural. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lima Barreto (881-1922) é um ficcionista com pés muito firmes na realidade do seu tempo. Alvo preferencial de sua crítica – e de sua ira – é a política dos primeiros anos da República. Triste Fim de Policarpo Quaresma passa-se no tempo do marechal Floriano Peixoto (1891-1894) e da Revolta da Armada, o movimento que precipitou uma guerra de seis meses na Baía de Guanabara entre os rebeldes da Marinha e as forças do governo. Quaresma, que ainda acreditava em Floriano, decide alistar-se nas forças governistas. Vai fazê-lo apresentando-se pessoalmente ao presidente, a quem conhecera no tempo em que trabalhou no Ministério da Guerra. Tem a intenção de aproveitar a oportunidade para apresentar-lhe um memorial em que compendiara os problemas da agricultura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Itamaraty, então palácio presidencial, tem uma atmosfera de bulício e bajulação. Floriano, que como sinal do almoço recém-terminado ainda tinha um palito na boca, atende um e outro, recebe elogios, ouve apelos de "Energia, marechal". Quando chega sua vez, depois de apresentar-se como voluntário, Quaresma começa a falar da agricultura. Floriano ouve-o com enfado. "Trouxe até este memorial", diz Quaresma. "Deixa aí", responde o presidente. Chama o próximo. É um oficial a quem precisa anotar uma ordem. Pega então do lápis e, na falta de outro papel, rasga um pedaço das primeiras páginas do manuscrito de Quaresma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O retrato que o livro apresenta de Floriano é arrasador. O olhar era "mortiço, redondo, pobre de expressões", próprio de uma "ausência total de qualidades intelectuais". Aquele que outros viam como o "Marechal de Ferro" possuía, segundo Lima Barreto, a "tibieza de ânimo" como traço predominante e um temperamento marcado por "muita preguiça". Ao longo da Revolta da Armada, Quaresma experimentará da rotina sem sentido dos tiros perdidos dos navios para os fortes, e vice-versa, transformados a certa altura em diversão para a população até a matança cruel que se seguirá, como vingança à derrota dos insurretos. Agora perfeito e consumado personagem de tragédia, morrerá por força da injustiça e da ferocidade dos detentores do poder, mas também dos efeitos da desilusão e da solidão de suas causas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro investe contra Floriano, os militares e o "Santo Ofício Republicano". Lima Barreto, que tinha o vezo de atalhar o relato ficcional com diatribes de editorialista, acusava o "nefasto e hipócrita positivismo", a ideologia dos militares que proclamaram a República, de um "pedantismo tirânico, limitado e estreito, que justificava todas as violências". Ele era mais um dos desencantados com a "república que não foi", como se dizia na época – a dissipação da ideia de república num mar de intolerância, de desonestidade e de mistificação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Releve o leitor voltar à nossa rasa vidinha de cada dia, mas é irresistível. Se ressuscitassem hoje Policarpo Quaresma e Lima Barreto, veriam que continuam os embustes com a palavra "república". Hoje temos um Partido da República. Aquele do Ministério dos Transportes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por Roberto Pompeu Toledo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na revista Veja, em 11/07/2011.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Mas copiado de &lt;a href="http://sergyovitro.blogspot.com/2011/07/republica-que-nao-foi-roberto-pompeu-de.html"&gt;http://sergyovitro.blogspot.com/2011/07/republica-que-nao-foi-roberto-pompeu-de.html&lt;/a&gt;, porque Veja não dá para ler! Eu não suporto!)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-740842554099993013?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://sergyovitro.blogspot.com/2011/07/republica-que-nao-foi-roberto-pompeu-de.html' title='A república que não foi - Roberto Pompeu de Toledo'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/740842554099993013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=740842554099993013' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/740842554099993013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/740842554099993013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/republica-que-nao-foi-roberto-pompeu-de.html' title='A república que não foi - Roberto Pompeu de Toledo'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-5177222082640742773</id><published>2011-07-12T08:57:00.000-03:00</published><updated>2011-07-12T08:57:40.572-03:00</updated><title type='text'>O jornalismo literário e a história da imprensa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No último dia 28 de junho tive a oportunidade de participar do IV Ciclo de Debates sobre História da Imprensa, realizado no Auditório do CCE/UFPI e organizado pelo Grupo de Pesquisa liderado pela Profª Jaqueline Dourado, do Curso de Comunicação Social. À despeito da importância de eventos como esse, em que a universidade abre-se para o debate público fomentando uma tão necessária interdisciplinaridade, gostaria de compartilhar aqui, de forma breve, um pouco do que expus naquela ocasião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como qualquer historiador, meu interesse pela história da imprensa é presidido pelas inquietações diante do presente. E convenhamos, a imprensa e a mídia em geral nos causam inúmeras inquietações. Uma delas provém de um artigo de Ali Kamel, publicado no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, em 23 de janeiro de 2007. Intitulado “O jornalismo”, o texto é uma pérola em matéria de dissimulação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro convém lembrar aos mais desavisados que Kamel é o diretor de jornalismo da Rede Globo de Televisão. Quando terminam os jornais dessa emissora, o nome dele é um dos últimos que aparece entre os créditos expostos na tela, dada a sua importância na hierarquia da redação instalada no nobre bairro carioca do Jardim Botânico. Conhecido também por ter escrito um livro com o curioso – para não dizer cínico - título “Não somos racistas”, naquele artigo para o diário carioca ele pergunta: “o jornalismo é um campo de batalha de ideologias ou é uma forma de conhecimento da realidade?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu, que em 2007 lecionava disciplinas de História e Ciências Humanas em cursos de Comunicação Social, fiquei absolutamente perplexo diante dessa indagação. Perplexo porque julgava essa discussão completamente superada e sepultada. E perplexo também porque se trata de uma falsa questão formulada pelo “cérebro” do jornalismo emanada da Rede Globo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para responder a tal pergunta, o autor comete verdadeiras peripécias discursivas. Vejamos: “Diante de uma miríade de acontecimentos, os jornalistas são treinados para discernir que fatos têm relevância e narrá-los e analisá-los de maneira lógica e isenta”. A prova dos nove disso, segundo Kamel, pode ser obtida comparando diferentes jornais: “No Brasil, o leitor pode verificar que Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo (...) destacam sempre mais ou menos os mesmos assuntos. Não é falta de criatividade, é que os jornalistas que neles trabalham, profissionais treinados, sabem reconhecer num enxame de fatos, o que é relevante e o que não é”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda que o autor insista em sugerir que a formação de jornalistas resuma-se a um bom treinamento para identificar o que é ou não relevante, tornando-os capazes de narrar os fatos com isenção, jamais me identifiquei com a condição de treinador ou adestrador, mesmo depois de lecionar por vários anos em cursos de jornalismo. A partir do campo das ciências humanas, procurei sobretudo fomentar a formação crítica e intelectual desses profissionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas por que aquela pergunta inicial é uma falsa questão? Porque o jornalismo tanto é uma forma de conhecimento da realidade, quanto um acirrado campo de batalhas de ideologias. Afirmar a primeira idéia para negar a segunda é no mínimo má fé ou deliberada tentativa de ludibriar o leitor, sobretudo o mais ingênuo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imprensa não nos apresenta a realidade de forma neutra e isenta (quase verdadeira?). Apresenta sim um conhecimento sobre o mundo que nos cerca, mas esse conhecimento é atravessado por ideologias e interesses de classe. Qualquer leitor ou espectador um pouco mais atento e crítico percebe como essas opções ideológicas e interesses de classe não esfregados no seu nariz a todo instante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez por isso haja um crescente interesse nos últimos anos pelo jornalismo literário. Tudo indica que esse gênero funciona como um eficiente antídoto contra o discurso ultrapassado do jornalismo isento e neutro. Afinal, nele podemos ver o autor se colocando dentro do texto e conduzindo o olhar do leitor sobre uma determinada realidade. Soa como quem diz: eis os fatos! E tire suas próprias conclusões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para exemplificar o tipo de procedimento de um jornalismo literário, reporto-me a uma matéria publicada aqui mesmo nesse jornal, no dia 3 de fevereiro do ano corrente. Diante da divulgação dos resultados de uma pesquisa do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), vinculado à Universidade Federal do Ceará (UFC), indicando que metade da nossa população vive com menos de um salário mínimo, Mayara Bastos fez um retrato da pobreza em Teresina no seu texto. Ao invés de se limitar à divulgação de eloquentes estatísticas sobre a fome, deu vida aos números e aos dramas e histórias que se escondem por trás deles. Pegou o leitor pela mão e o conduziu ao interior da casa do senhor Raimundo Nonato, fazendo-o ver – quase com os próprios olhos – o que se passa ali dentro: “os caroços de feijão dispersos na panela fazem parte do dia-a-dia da família composta por oito pessoas”, descreve a repórter. Uma coisa é noticiar dados sobre a fome, outra radicalmente diferente é levar ao conhecimento público como vive quem passa fome cotidianamente. Mayara Bastos fez isso, consciente ou não de que se trata de jornalismo literário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa inquietação leva-me, atualmente, em busca da história desse jornalismo literário no Brasil. Quero entender melhor como e quando isso começou a se desenvolver entre nós, fazendo disso tema de pesquisa em desenvolvimento na UFPI. E não me conformo com a tese de que tudo começou por volta da década de 1960, como mímese do movimento do “novo jornalismo” norte-americano. Por maior que seja a minha admiração por Gay Talese, George Orwell, Norman Mailer e outros, minha hipótese é de que esse jornalismo literário surgiu bem antes entre nós, ainda nas primeiras décadas do século XX, com Lima Barreto, João do Rio e outros escritores que atuaram intensamente na imprensa daquele período. Ou seja, trata-se de uma tradição genuinamente nacional e que, já no início do século XX, nas palavras de Lima Barreto, percebia a imprensa como um “engenhoso aparelho de aparições e eclipses, espécie complicada de tablado de mágica e espelho prestidigitador, provocando ilusões, fantasmagorias, ressurgimentos, glorificações e apoteoses com pedacinhos de chumbo, uma máquina Marinoni e a estupidez das multidões”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre Ali Kamel e Lima Barreto, eu fico com o segundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 12.07.2011, terça-feira (Coluna Fórum, publicada no Caderno Em Dia, pág. 2)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-5177222082640742773?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/5177222082640742773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=5177222082640742773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/5177222082640742773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/5177222082640742773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/o-jornalismo-literario-e-historia-da.html' title='O jornalismo literário e a história da imprensa'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-4175814187374840450</id><published>2011-07-10T13:33:00.000-03:00</published><updated>2011-07-10T13:33:30.184-03:00</updated><title type='text'>História esmigalhada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;A encruzilhada da escola historiográfica que já experimentou análise e narração&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;RESUMO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A antologia "Nova História em Perspectiva" retraça a evolução da corrente historiográfica formatada na esteira da crise de 29, desde a busca da "história total" até o flerte com um viés narrativo. Em entrevista, os organizadores apontam os limites da tendência e opinam sobre o ensino de história no país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por ELEONORA DE LUCENA&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ESCREVER HISTÓRIA com foco em datas e homens. Ou nos grandes movimentos em torno do poder e da luta de classes. Ou em torno das migalhas do cotidiano, dos amores e dos humores. Nas entrelinhas de cada maneira de trabalhar a história há um pensamento, uma teoria, um debate acadêmico, político, científico, ideológico -todos encharcados de história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na esteira da crise global de 1929, formou-se, em torno de nomes como Marc Bloch (1886-1944) e Lucien Febvre (1878-1956), uma escola de historiadores batizada de "Annales", por causa da publicação que editavam na França. Porosa às emergentes ciências sociais, a "nova história" se contrapunha ao positivismo, à história como gênero literário, e consagrou uma dimensão analítica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partir daí, vieram nomes como Fernand Braudel (1902-1985) e Jacques Le Goff. A escola tornou-se hegemônica na academia e nas escolas. Ganhou o mundo. Ao longo do tempo, transformou-se e ruminou contradições. Mais recentemente, cristalizou-se em torno de uma abordagem mais narrativa, menos explicativa, fixando-se em temas pontuais e abandonando a "história total" de suas origens. Bateu de frente com o marxismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para tratar da história dessa história, Fernando Antonio Novais, 77, e Rogério Forastieri da Silva, 64, lançam nesta semana "Nova História em Perspectiva" [Cosac Naify, 552 págs., R$ 79]. O livro é uma antologia de textos que embasaram essa corrente em suas diversas fases. Para apresentar a coletânea, os organizadores -"historiadores marxistas, na periferia do capitalismo", como se definem- produziram uma densa introdução. Nela, cuidam da tensão entre materialismo histórico e "nova história" no desenrolar do tempo. Discutem os limites da "história em migalhas" e os impasses do marxismo, identificando transformações mais recentes. Tratam especialmente dos contextos desses movimentos e do debate teórico em torno do fazer história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na obra, 20 autores (como Braudel, Le Goff, Carlo Ginzburg e Paul Veyne) se debruçam sobre seus métodos, dilemas e escolhas. Haverá um segundo volume com novos nomes do grupo. Um terceiro, só com autores brasileiros, está em projeto. Novais e Forastieri falaram à Folha sobre o livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Folha - O que é a "nova história"?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fernando Novais - É a tendência dominante entre os historiadores no mundo. Nasceu na França em 1929, com a fundação da revista "Annales". Passa a dominar na segunda metade do século 20. Resolvemos nos posicionar sobre isso. É como falar para um economista brasileiro se posicionar entre monetaristas e estruturalistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rogério Forastieri - O trabalho diz respeito a um setor específico da história: a historiografia, a história da história. Quem cursou história ouviu que a nova história é a melhor coisa que se produziu. Que antes havia uma coisa perigosa, execrável chamada positivismo. Procuramos situar esse movimento do ponto de vista da historiografia e tratar desse debate.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O livro mostra que, em sua primeira fase, a nova história dialogou com as ciências humanas, especialmente com a sociologia. Depois, convocou a economia, conversando mais com o marxismo e sendo mais analítica. Na terceira fase, a atual, a antropologia tem mais peso. É mais narrativa, com menos contexto, uma "história em migalhas". Qual o desenrolar dessa história com a crise atual?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - A antologia pretende apresentar textos das formulações, dos desdobramentos e dos questionamentos. A novidade é examinar isso dentro da história geral da historiografia. A história da historiografia normalmente é considerada de duas maneiras: a tradicional e a moderna. A historiografia moderna é científica; a tradicional, não. Ser científico é ser explicativo. A outra era apenas narrativa. É como se a historiografia moderna não tivesse nada a ver com a tradicional. O nosso ponto de vista é que tem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é só uma distinção temporal. É que a história moderna dialoga com as ciências sociais. A tradicional não dialogava por um motivo muito simples: não existiam as ciências sociais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A historiografia anterior ao século 19 entendia que se reconstitui a vida diretamente pelos registros, pelos documentos. A moderna não diz o contrário. É preciso ter documentos. Mas diz que, para reconstituir, é preciso explicar. O historiador explica para reconstituir; o cientista, qualquer que seja, reconstitui para explicar. Essa é a diferença. A "nova história" acentuou o lado não analítico, o lado narrativo, esmigalhado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Forastieri - Tem um autor que fala que é um positivismo arejado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Isso perdura? Há alguma mudança?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Forastieri - Uma das poucas coisas que a prática da historiografia ensina é a não fazer previsões. É a crise dos paradigmas, não só na história, mas na ciência em geral -até nas ciências exatas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O sr. poderia explicar a crise dos paradigmas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - A crise dos paradigmas é a crise da ciência, quando conceitos mais gerais foram abandonados. É a crise do estruturalismo. Em história, o que mudou? Foi uma mudança de assunto. Em vez de estudar Estados, estruturas, produção, consumo e poder, a história passou a estudar os modos de sentir, os amores e os humores. As obras ficaram mais bonitas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nós nos perguntamos quais são as implicações disso. Nas ciências humanas, houve uma mudança de conceitos. Na economia, por exemplo, em vez de estudar desenvolvimento e subdesenvolvimento, passaram a estudar ciclos. Passou do macro para o micro. Nas ciências sociais, houve uma mudança de conceitos. Na história, houve o abandono desses conceitos, uma desconceitualização -que é a característica da "nova história".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas está mudando. Os debates da terceira parte do segundo volume mostram isso. Um grande historiador como Carlo Ginzburg, um pilar da "nova história", ultimamente insiste que cada vez mais é preciso retomar o caráter analítico da história. Tem que haver um equilíbrio entre narração e análise. História profissional é mais complicado. Todo mundo acha que sabe de história. Pior, todo mundo acha que pode fazer história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como os srs. veem o fato de muitos livros de história que vendem bem não serem de historiadores?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - E não são livros de história. O mercado tem as suas leis. Se perguntar para o mercado quem é bom, Guimarães Rosa ou Paulo Coelho, a resposta será Paulo Coelho. Quem mais imagina que pode fazer história são os jornalistas. Não tenho nada contra eles. A divergência é em relação a conceitos, não a pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mas esses livros são malfeitos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - Alguns são, outros não. Outros são muito bem-feitos. Nenhum é livro de história. Porque, para fazer história, tem que ser profissional. Tem que conhecer história, não só do assunto que se está estudando. História é situar uma coisa no tempo. Precisa conhecer o tempo. Em história, o último livro não é necessariamente o melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como avaliam a qualidade dos livros didáticos e a maneira como se ensina história hoje no Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - Acho que a "nova história", descontextualizante, acabou tendo efeito no livro didático e no ensino secundário. Minha neta de dez anos me disse que começou a estudar a escravidão vendo a escravidão hoje. Fazem história de trás para frente, ao contrário. Isso para mim é uma maluquice.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não é uma questão de atração?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - A influência da "nova história" na maneira pela qual se ensina foi maléfica. Contrariando a expectativa dos autores -que achavam que esse sistema de estudar os amores, os humores iria chamar a atenção-, tenho a impressão de que o prestígio da história entre a moçada não é tão grande como era antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falavam que era só "decoreba" e que o aluno não gostava. Mas podia ensinar história sem grandes decorações. Também não se deve dizer que não precisa saber as datas. Isso deve ser sabido. Memória é importantíssima para o conhecimento histórico e para a vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Noto um desprestígio. Faço revisão na Fundação Carlos Chagas [que prepara provas de vestibular e concursos de admissão] há anos. O número de questões de história diminuiu em todos os testes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Forastieri - A história lida com uma das dimensões fundamentais da existência humana: a temporalidade. A história está preocupada com a reconstrução dos eventos. O evento é importante. O grande problema -e sobre o qual a "nova história" teve responsabilidade- é a negação de que existe uma estrutura subjacente, [o discurso de] que a estrutura é uma camisa-de-força. O grande problema é a opção pelo voo curto. Não é tanto o fato de estudar especificamente uma coisa ou outra. Acho legítimo. Mas é preciso mostrar que existe um nexo entre evento e estrutura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Vocês não se consideram adeptos da nova história. São historiadores marxistas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - De um certo marxismo. No texto, procuramos situar duas coisas: a formulação teórica do materialismo histórico, dos clássicos, e depois como é que fica a historiografia que se inspira no materialismo histórico diante dessa periodização da história geral. Na crise dos paradigmas, a "nova história" aparece como sendo a derrota do comunismo e do marxismo. É bom pensar o seguinte: a crise atual mostra que quem tinha razão? Segundo a economia clássica, o mercado resolve as coisas. Parece que não aconteceu assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A crise trouxe de volta o marxismo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - [O crítico literário] Roberto Schwarz, há algum tempo, fez uma observação muito boa: se o capitalismo está vitorioso, isso vai exigir a volta de Marx. Porque até os conservadores confessam que quem entende de capitalismo é Marx. Sabem que Marx dizia que ia ter crise; eles diziam que não ia ter crise. Mas a crise do capitalismo está na primeira página dos jornais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Qual a posição dos senhores sobre o sigilo de documentos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novais - O ideal é que todo documento seja público, e o historiador tenha acesso. Mas é preciso um mínimo de realismo: não vai ser assim em parte alguma. Vai ter limitação. Mas tem que ser mínima e para um tipo de documento. Quem vai saber se o documento é muito confidencial? Não pode ser o governo. Tem que ter representantes da sociedade que definam isso: quais documentos e por quanto tempo [serão confidenciais].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado na &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Folha de S. Paulo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, domingo, 10 de julho de 2011. (Caderno Ilustríssima)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-4175814187374840450?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/4175814187374840450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=4175814187374840450' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4175814187374840450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4175814187374840450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/historia-esmigalhada.html' title='História esmigalhada'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-8179677505143783345</id><published>2011-07-10T13:28:00.000-03:00</published><updated>2011-07-10T13:28:07.257-03:00</updated><title type='text'>Sem Fórum</title><content type='html'>Inexplicavelmente &lt;em&gt;&lt;strong&gt;O Dia&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; não publicou minha coluna na Fórum deste sábado, 9 de julho de 2011. Ainda estou tentando entender o motivo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-8179677505143783345?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/8179677505143783345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=8179677505143783345' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8179677505143783345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8179677505143783345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/sem-forum.html' title='Sem Fórum'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-7672868363595845203</id><published>2011-07-06T16:00:00.000-03:00</published><updated>2011-07-06T16:00:28.795-03:00</updated><title type='text'>O lugar de formação dos professores de História é no Curso de História</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A carreira do professor de história &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitos cursos de graduação em História privilegiam a formação do pesquisador apesar de a maioria dos estudantes acabar atuando, depois de formados, como professores do ensino fundamental. Existe até mesmo uma percepção preconceituosa de que a pesquisa é a atividade mais nobre e o importante é a produção de conhecimento pelo historiador, a carreira acadêmica, associada ao ensino universitário. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, é frequente que a “formação pedagógica” seja um responsabilidade específica das faculdades de Educação. Quando eu fiz a graduação, havia o curso de bacharelado, que todos fazíamos, e as disciplinas da Educação, que deviam ser cursadas por quem quisesse fazer a licenciatura. Para tornar-se bacharel em História também era preciso redigir a monografia de bacharelado e, no caso da licenciatura, além das disciplinas da Educação, havia a necessidade de se estagiar em alguma escola. Creio que, na essência, isso pouco mudou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estranhamente, não havia qualquer contato entre a faculdade de Educação e o departamento de História. Era como se nós aprendêssemos um conteúdo histórico a ser ministrado segundo as técnicas ensinadas pela Educação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando cheguei à faculdade de Educação fiquei muito espantado com o tecnicismo que imperava (estou falando do longínquo ano de 1980). Havia uma disciplina que apenas apresentava as leis sobre o ensino! Desisti da licenciatura quando percebi que aqueles conteúdos eram formalistas e pouco críticos. Eu também não tinha planos de atuar no ensino fundamental, para o qual não me sentia preparado ou vocacionado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que a existência dessas duas habilitações, nesses termos, é um equívoco total. Entretanto, a ideia de que o ensino e a pesquisa são indissociáveis não deve encobrir a obviedade de que muitos estudantes de História serão professores e não farão pesquisa em termos estritos. É preciso, portanto, que os departamentos de História assumam, como uma tarefa que lhes é própria, a formação pedagógica. Isso significa, por exemplo, extinguir definitivamente a ideia de “conteúdos históricos” a serem “repassados”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meu currículo ideal para um curso de graduação em História, as disciplinas deveriam basear-se em um tripé que amparasse (a) o debate historiográfico, (b) as reflexões teórico-conceituais pertinentes ao tema e (c) o debate sobre o ensino das questões em pauta. Ou seja, para mim não deveriam existir as tais disciplinas de formação pedagógica e, muito menos, disciplinas obrigatórias como Metodologia da História. Todo professor universitário de História deveria ser capaz de debater o ensino e os aspectos teórico-metodológicos relacionados à sua disciplina. Claro que isso não não impediria a oferta de eletivas específicas sobre teoria, metodologia ou ensino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O professor de História do ensino fundamental - no Brasil e em muitos outros países - raramente faz pesquisa (no sentido da produção intelectual de dissertações, teses, livros e artigos de História a partir de fontes primárias). Mesmo que ele tenha interesse nessa atividade, dificilmente haverá tempo para tanto. No Brasil e em outros países que ainda não resolveram o problema do ensino básico e fundamental, as condições materiais – especialmente o salário – também limitam qualquer iniciativa de pesquisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso não significa que o futuro professor possa dispensar a formação teórico-conceitual e historiográfica. Muito ao contrário. Nada mais tedioso para crianças e adolescentes do que um professor “conteudista”, que não domine as diversas leituras historiográficas e que não saiba apresentar os “bastidores” (teóricos e metodológicos) da produção do conhecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando escrevi no Brasil Recente, semana retrasada, sobre a carreira do historiador, alguns leitores viram como elitista a trajetória que descrevi: o bacharelando que passa imediatamente para o mestrado, ingressa no doutorado e só vai tentar seu primeiro emprego depois de se tornar doutor - uma espécie de "bolsista profissional".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tema me ocorreu por causa de uma discussão que tive na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Um dos membros do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior levantou a seguinte questão: como é possível que um doutor, formado em um programa de pós-graduação bem conceituado pela Capes, seja reprovado em um concurso para professor universitário? A Capes, como o próprio nome diz, não investe apenas na formação de pesquisadores. Eu argumentei que nem todo pesquisador é um bom professor, mas não deixa de ser um problema a questão levantada pelo colega do Conselho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ideal seria que todos fôssemos ótimos professores e excelentes pesquisadores. Isso é impossível. Precisamos, ao menos, ficar atentos. O pesquisador deve se preocupar com a divulgação científica e não ter preconceitos em relação ao uso das novas mídias e das redes sociais. Também não deve ter medo de escrever para públicos diferentes: por exemplo, são raros os livros didáticos escritos por historiadores universitários. Do mesmo modo, eu acredito que o professor de História do ensino fundamental somente terá uma atuação realmente crítica desde que saiba destrinchar os meandros (teórico-metodológicos, conceituais e historiográficos) da pesquisa. É nesse sentido que se pode falar em indissociabilidade do ensino e da pesquisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por Carlos Fico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Texto publicado originalmente no site &lt;a href="http://www.brasilrecente.com/"&gt;http://www.brasilrecente.com/&lt;/a&gt;&amp;nbsp;em 06/07/2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-7672868363595845203?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.brasilrecente.com/2011/07/carreira-do-professor-de-historia.html' title='O lugar de formação dos professores de História é no Curso de História'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/7672868363595845203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=7672868363595845203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7672868363595845203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/7672868363595845203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/o-lugar-de-formacao-dos-professores-de.html' title='O lugar de formação dos professores de História é no Curso de História'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-4506201210626861615</id><published>2011-07-04T14:30:00.001-03:00</published><updated>2011-07-12T16:22:14.578-03:00</updated><title type='text'>De Trancoso a Atenas: o didatismo marxista do capitalismo atual</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito tempo se passou desde que Marx e Engels, no velho Manifesto do Partido Comunista, afirmaram ser o Estado moderno um “comitê de negócios da classe dominante”. Pouco mais de vinte anos depois, o mesmo Marx, em sua brochura sobre a Comuna de Paris, assinalaria, sem rodeios, que os processos eleitorais sob o capitalismo não passavam de momentos nos quais os oprimidos eram autorizados “a decidir qual, entre os membros da classe dominante, será o que, no parlamento, os representará e esmagará”. Em outra oportunidade, o velho Engels, em um ousado trabalho de sistematização sociológica, definiu o aparelho de Estado como uma “organização da classe exploradora” voltada para a manutenção, pela força, “da classe explorada nas condições de opressão exigi das pelo modo de produção existente”. Muito tempo também se passou, embora um pouco menos, desde que Lênin, numa linguagem direcionada para a agitação política, caracterizou o regime democrático-liberal como uma “democracia mutilada, miserável, falsificada, uma democracia só para os ricos, para uma minoria”. Seguindo essa trilha interpretativa, autores como Trotsky e Gramsci procuraram analisar as diferentes formas assumidas por essa dominação de classe exercida pelo Estado, as quais se expressariam em diferentes regimes políticos que, em dosagens diferentes, fariam sempre uso de elementos de consenso e coerção. Em todos os casos, o Estado moderno seria, essencialmente, um Estado de classe. Mas tudo isso já faz muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De lá pra cá, não foram poucos os que, dentro e fora do campo marxista (e muitos migraram do primeiro para o segundo), envidaram esforços para refutar estas assertivas “dinossaurescas”; rios de tinta, nascidos de muita ginástica retórica, foram desperdiçados para apontar a perspectiva “ideológica” (no sentido vulgar do termo) e extremamente “reducionista” que as vertebravam. “Cidadania”, “republicanismo”, “esfera pública”, “ética” e até mesmo “hegemonia” foram categorias mobilizadas, mais ou menos honestamente, mais ou menos cinicamente, para demonstrar o quão aqueles vetustos pensadores nada acadêmicos estavam equivocados; alguns, mais conciliadores, mas não menos ardilosos, alegaram que talvez tais idéias tivessem tido lá algum lastro nas condições soc iais em que foram formuladas, mas que, posteriormente, a realidade havia se tornado “muito mais complexa” – alguns têm uma verdadeira obsessão em dizer isso – do que naqueles tempos de antanho. Nas últimas décadas, as vertentes pós-modernas recusaram-se a sequer debater cientificamente com a tradição marxista, limitando-se a, com sua peculiar arrogância cool, tratar tanto a ciência quanto o marxismo como “discursos” utópicos, pueris e até mesmo românticos. Já os finórios jornalistas políticos, por sua vez, fizeram o que foram ensinados e melhor sabem fazer: ignoraram simplesmente a existência de qualquer pensamento crítico. Advindos dos departamentos acadêmicos e das salas da Presidência, das ONG’s e dos Institutos Milleniuns, das redações de TV e das Casas do saber, todos esses apologistas do “Estado democrático de direito” parecem ter conformado, no Brasil, uma espécie de grande partido da ordem. Defensor do atual estado de coisas, esse partido, flexível e democrático, tem lugar garantido também para os que defenderam ditaduras no passado (recente) e até para os que negam que qualquer coisa exista objetivamente. Todas as suas alas são, como dizem os populares, farinha do mesmo saco. Nos últimos anos, é inegável que esse partido tem se mostrado forte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, paradoxalmente, também nesses últimos anos, os acontecimentos, no Brasil e no mundo, parecem cada vez mais evidenciar a contradição existente entre a verdadeira natureza desse atual estado de coisas e o que dizem seus partidários incondicionais. Assim, um tanto quanto ironicamente, a dinâmica política do presente parece resgatar as teses de Marx, Engels, Lênin e outros revolucionários de outrora acerca da essência do Estado e da democracia na sociedade burguesa. Talvez não seja arriscado dizer que alguns eventos dos últimos dias conferem a elas ainda mais justeza do que possuíam quando foram escritas. Brincando livremente com a antiga dialética alemã, pode-se dizer que os fatos parecem estar correndo ao encontro das idéias, procurando confirmá-las mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Provincianamente, comecemos por um episódio que teve lugar aqui pelas bandas turísticas do litoral nordestino, onde o acaso, puxando o véu ideológico, foi quem permitiu ao “Estado democrático de direito” mostrar-se tal como efetivamente é. Um desastre aéreo lançou luz sobre as íntimas relações cultivadas entre o governador do Rio de Janeiro (eleito e reeleito, aliás, por fortes alas do grande partido da ordem), mega-empresários, empreiteiros, donos de resorts, de aviões, de helicópteros, doleiros e outros estratos da lúmpem-burguesia fluminense. A imprensa, impingida pelas circunstâncias e pela pressão de um corajoso deputado estadual, divulgou o fato. Aparentemente, tratar-se-ia de um escândalo, como gostam os jornais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ocorreu, entretanto, que a imprensa não poderia alardear como escândalo aquilo que é a natureza mesma do poder político sob o regime do Capital, aquilo que todo mundo sabe, mas que não se diz, e que, se dito, não implica, necessariamente, em nenhuma acusação, pois não pode haver nada de anormal em se portar normalmente, não poder haver crime no fato de um governador e um empresário agirem como devem agir um governador e um empresário. A declaração de um dos milionários envolvido indiretamente no caso (tratado como pop star tanto pelas revistas de salão feminino, quanto pelos famosos colunistas de notícias de três linhas) foi bastante esclarecedora quanto a isso; corretamente (do ponto de vista do sistema, claro), o “acusado” alegou que, como qualquer cidadão, é livre para “escolher suas amizades” e para “escolher a quem empresta seus aviões”. O governador, por sua vez (também corretamente do ponto de vista do sistema), não se viu na obrigação de dar explicações sobre onde e com quem passa seus feriados prolongados. Como bons “professores marxistas”, o empresário e o governador davam uma verdadeira aula sobre os fundamentos do Estado na sociedade atual. A imprensa, talvez percebendo que, movida por vis interesses mercadológicos, também estava contribuindo para o didatismo classista, flexionou sua abordagem, e passou a destacar o fato de que não havia licitação em muitos dos contratos firmados entre o governo estadual e a empreiteira de propriedade de um dos convivas do governador. O detalhe da questão tentou ser transformado em seu cerne. Mas já era tarde. A falta de licitação não era senão um mero adereço jurídico de uma roupagem ideológica que escondia o eterno romance d o poder com o Capital. Com ou sem ele, o rei, ou melhor, o governador, estava nu. A aula tinha sido dada, e quem assistiu não teve dificuldade em apreender seu conteúdo. Tudo foi facilitado porque o próprio “professor-governador” – que, aliás, parece pretender matar de fome todos os professores do “seu” Estado – fazia uso de recursos didáticos e seguia um bem preparado cronograma de aulas: poucos dias antes de ir para suas libações nas areias privatizadas de Trancoso, se encarregou de ordenar que o cruento BOPE – retratado, de forma laudatória, por um conhecido cineasta que, paradoxalmente (ou melhor, esquizofrenicamente), apoiou a campanha à reeleição do corajoso deputado que denunciou o governador (?!) – esmagasse uma mobilização dos bombeiros que reivindicava um salário mensal de 2000 reais (provavelmente um valor próximo ao das diárias no referido resort). Cerca de três meses antes, a polícia estadual havia levado à prisão, e a justiç a lá mantido por três dias, 13 ativistas (sendo 10 militantes do PSTU, um nacionalista, um menor do PSOL e uma sexagenária tricolor) que protestavam contra a visita de Obama no país. A um só tempo, o Estado, em sua forma democrático-liberal, se mostrava como um “comitê de negócios da classe dominante” e como uma “organização de repressão” dirigida contra os descontentes – como sugeriram, há muito tempo, os “ultrapassados” teóricos do pré-diluviano materialismo histórico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num salto geográfico – mas não analítico – chegamos a Atenas. Em meio à crise econômica, o governo do país requisitou mais empréstimos à banca internacional para conseguir pagar as dívidas que com ela arcara. Como condição pra receber o montante, o governo tinha que aprovar um pacote eufemisticamente chamado pela imprensa – sempre ela – de “austeridade fiscal”: demitir milhares e milhares de trabalhadores do serviço público, cortar direitos sociais e aumentar impostos, entre outras medidas que até mesmo o mais despótico dos generais da Birmânia sabe que não são lá muito “humanitárias”. Só elas, porém, poderiam salvaguardar os interesses materiais do partido da ordem de lá, composto por uma associação entre a banca internacional e a timorata burguesia grega. O antagonismo existente entre a vontade popular, isto é, entre a vontade da enorme maioria da nação, e os da ínfima minoria capitalista do país (associada à banca internacional) ficou “nítido como um girassol” de Fernando Pessoa, e se expressou fisicamente na oposição entre a Praça e o Parlamento, entre os trabalhadores que ocupavam a primeira e a polícia que violentamente defendia o segundo. O governo neoliberal “de esquerda”, talvez constrangido, talvez não, levou o pacote à votação. O Parlamento, fazendo jus à sua natureza (e não a subvertendo, como querem alguns), o aprovou. Do lado de fora, nas ruas, os trabalhadores fizeram greve geral, protestaram, queimaram pneus e tudo mais o que podiam fazer naquelas condições. O ódio era justo. A polícia fez o que era a sua função: reprimiu, prendeu, bateu e tudo mais o que podia fazer naquelas condições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Retomando as idéias de Marx sobre a existência de uma separação relativa entre as esferas “econômica” e “política” na sociedade capitalista – decorrência do fato de que nela a apropriação de excedentes não se baseia, fundamentalmente, em expedientes “extra-econômicos” –, a arguta historiadora Ellen Wood, estudiosa da Grécia antiga, chamou a atenção para o que seria a essência e, ao mesmo tempo, a particularidade da democracia dos tempos modernos. Resultante política de um uma forma social baseada no trabalho livre assalariado, na qual os proprietários dos meios de produção não se diferenciam juridicamente dos não-proprietários, ou seja, dos que trabalham – o que não existia nem no mundo antigo nem no medieval –, a democracia moderna (diferentemente de sua antecessora ateniense) é formalmente acessível a todos os estratos sociais; somente nela, a “cidadania política” foi finalmente estendida (não sem muita luta dos movimentos operário, negro e feminista) a todos os segmentos da população (trabalhadores braçais, mulheres, negros, pobres e despossuídos em geral). Sob o capitalismo, assinalou Wood, a democracia política se manifestaria, então, na sua forma historicamente mais inclusiva, embora, ela, em função da separação relativa entre a “economia” e a “política”, já não decidisse efetivamente sobre os reais fundamentos da vida social dos cidadãos que dela “participam” (diferentemente da antiga democracia ateniense). Justamente por isso, ela podia ser uma democracia formalmente bastante ampliada, como jamais se vira antes. Corroborando a tese de Wood, e arriscando-nos a rapidamente lapidá-la, podemos dizer que, se é verdade que a “esfera política” já não delibera sobre as bases da exploração de classe – isto é, os parlamentos não votam a favor o u contra a “mais-valia”, ela simplesmente (economicamente) existe –, é também fato que a intensidade dessa exploração pôde, em alguns regimes democrático-liberais, ser debatida e até mesmo ocasionalmente freada graças à presença de algumas poucas representações políticas dos trabalhadores nas instâncias políticas formais. Ainda que de forma moderada, às vezes distorcida, os trabalhadores gozavam de alguma representatividade em certas democracias liberais, as quais não deixavam de ser, evidentemente, “democracias de uma minoria”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A novidade apresentada pelas últimas décadas, sobretudo nos últimos anos, é que, em quase a totalidade das chamadas “democracias representativas”, já não há representação política alguma de amplas camadas da população e, por conseguinte, já não há sequer a chance de, pelos caminhos institucionais, impor limites aos desejos nada secretos do Capital. O caso da Grécia é exemplar. Ao aprovar o pacote exigido por uma minoria, mesmo sabendo que a ingente maioria do país era peremptoriamente contrária a ele, o Parlamento grego mostrou que se constitui, na verdade, em uma instituição totalmente indiferente à vontade popular. Parafraseando Marx, pode-se dizer que se essa instituição fora alguma vez um “corpo de parlamentares livremente eleitos pelo povo”, ela se transformou, indubitavelmente, em um “parlamento usurpador de uma clas se” (os capitalistas), e “reconheceu, mais uma vez, que cortara, ela mesma, os músculos que ligavam a cabeça parlamentar ao corpo da nação”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caráter burguês da democracia moderna possivelmente atingiu seu paroxismo nos dias atuais. Ela já não é só uma democracia para a burguesia, mas é também uma democracia apenas para a burguesia. Dela só podem participar as alas do partido da ordem. Se na democracia antiga, aqueles que trabalhavam, os escravos, estavam dela excluídos (além das mulheres, dos metecos e dos xenos – estrangeiros residentes e não residentes, respectivamente), na democracia moderna, são também os que trabalham, o proletariado contemporâneo (seja ele formal, informal, precarizado, imigrante etc.), que se encontram alijados das instâncias políticas decisórias. Na Grécia, como em Portugal, Espanha e tantas outras partes d o mundo, já não há nenhuma ligação entre a vontade da maioria de população e o poder político constituído, e isso talvez na terra de Clístenes adquira um simbolismo maior do que em qualquer outro lugar. Nas próximas eleições gregas, onde se manifestará a vontade dos milhões de insatisfeitos com o governo neoliberal “de esquerda”, mas que, tampouco, querem a volta dos neoliberais de direita? As últimas eleições portuguesas, aliás, foram elucidativas quanto a isso. A democracia burguesa atual, face à inexistência de uma alternativa organizada anti-sistêmica (revolucionária), faz com que, cada vez mais, enormes contingentes populacionais posicionem-se nos pleitos tal como torcedores de um time eliminado o fazem diante de uma disputa de pênaltis entre duas outras equipes que foram à final, e com as quais não simpatizam nem um pouco: só lhe resta torcer – torcer ou votar, tanto faz – contra aquela que mais desprezam, ou contra aquela que mais re centemente lhe impôs derrotas. As representações políticas da burguesia mundial, capitaneadas pelos representantes da burguesia grega, vêm cumprindo, assim, um inestimável papel didático-marxista. Despindo suas democracias de todos os disfarces, livrando-as de quaisquer rebuços, ensinam que a democracia burguesa atual é cada vez mais uma democracia “mutilada, miserável, falsificada, uma democracia só para os ricos, para uma minoria”, como bem disse, certa feita, o velho líder bolchevique. Mas isso já faz muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por &lt;a href="http://lattes.cnpq.br/3195163395846498"&gt;Felipe Demier&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Doutorando em História pela UFF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________________&lt;br /&gt;Nota do Blog, em 12/7/2011:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publiquei abaixo (como moderador) um comentário sobre esse artigo. O autor do comentário se pergunta sobre o que andam fazendo Felipe Demier e os simpatizantes do marxismo, dentre os quais me incluo. Vale dizer, em primeiro lugar, que nós assinamos nossos nomes embaixo do que escrevemos. Já o autor do comentário parece não ter a mesma coragem. Se ele tiver a coragem e a dignidade de assinar o próprio nome, o debate está aberto! Caso contrário, não publicarei mais comentários anônimos. Vamos lá, "dê a cara para bater" tal como nós fazemos habitualmente!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-4506201210626861615?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/4506201210626861615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=4506201210626861615' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4506201210626861615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/4506201210626861615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/de-trancoso-atenas-o-didatismo-marxista.html' title='De Trancoso a Atenas: o didatismo marxista do capitalismo atual'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-9180192675452540073</id><published>2011-07-02T11:27:00.000-03:00</published><updated>2011-07-02T11:27:11.966-03:00</updated><title type='text'>Reconstruções em torno da ditadura militar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns temas tornaram-se senso comum quando se discute o período histórico da ditadura militar no Brasil. A ditadura e os ditadores foram demonizados e desse entendimento resulta a tese de que “a sociedade brasileira viveu a ditadura como um pesadelo que é preciso exorcizar, ou seja, a sociedade não tem, e nunca teve, nada a ver com a ditadura”. Fica assim sugerida a idéia de que todos, de forma geral, foram contrários à ditadura e ao autoritarismo, aos quais opuseram-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é preciso refletir sobre esse senso comum à luz de alguns questionamentos. Se a ditadura foi um pesadelo, foi demonizada, como explicar que não tenha sido escorraçada? Como explicar uma anistia recíproca? Como explicar que permaneçam ainda hoje com tanta força lideranças e mecanismos de poder preservados e/ou “construídos no período da ditadura, pela e para a ditadura?” Como explicar “inúmeras continuidades entre as trevas da ditadura e as luzes da democracia” (o latifúndio, o poder dos bancos, a mídia monopolizada, os serviços públicos deteriorados da saúde e da educação, a dívida interna e externa, José Sarney, Delfim Neto e tantos outros)? Como explicar a vitalidade da cultura política autoritária, tantos anos depois de encerrada a ditadura?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas e outras inquietações constam de um pequeno – mas importante livro – intitulado “Ditadura militar, esquerdas e sociedade”, de autoria do historiador Daniel Aarão Reis Filho, publicado já há cerca de dez anos e cuja leitura recomendo. Segundo o autor, cabe destacar também algumas reflexões suscitadas pelo debate em torno da Lei de Anistia, visto que este motivou algumas interessantes (re)construções históricas, tais como:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1) Apagou-se a perspectiva ofensiva, revolucionária, que havia moldado as esquerdas na resistência à ditadura. De esquerdas revolucionárias foram transformadas em resistência democrática. E o fato é que elas não eram de modo algum apaixonadas pela democracia, francamente desprezada em seus textos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2) Em resposta a essa reconstrução da memória sobre as esquerdas, os partidários da ditadura retomaram o discurso da polícia política reconstituindo as ações armadas como parte de uma autêntica guerra revolucionária. E se houve guerra, os dois lados devem ser considerados e anistiados. Daí a defesa da tese da anistia recíproca, em que os torturadores foram anistiados com os torturados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3) Por fim, “a sociedade se reconfigurou como tendo se oposto sempre e maciçamente à ditadura, transformada em corpo estranho. (...) Apagou-se da memória o amplo movimento de massas que legitimou socialmente a instauração da ditadura”. Assim, se reconstruiu a memória em que a sociedade brasileira não só resistira à ditadura, mas a vencera. Era o resgate da auto-estima de um país torturado pela ditadura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O historiador em questão, evocando o pensador francês do final do século XIX, Ernest Renan, observa que produzir o esquecimento pode contribuir para a harmonia e a coesão social, mas é preciso enfrentar essa habilidosa operação empreendida no campo da memória no sentido de não obscurecer a compreensão do passado e dos conflitos que lhe são inerentes. Esquecer que a ditadura contou com o apoio de parcela significativa da sociedade civil significa abrir mão de identificar aqueles que referendaram o regime militar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reproduzo aqui literalmente trechos do livro citado, como o que segue: “Apagou-se da memória o amplo movimento de massas que, através das Marchas da Família com Deus e pela Liberdade, legitimou socialmente a instauração da ditadura. Desapareceram as pontes e as cumplicidades tecidas entre a sociedade e a ditadura ao longo dos anos 70, e que, no limite, constituíram os fundamentos do próprio processo da abertura lenta, segura e gradual. Um político imaginativo empregou então uma curiosa metáfora: o povo brasileiro, macunaimicamente, comera lentamente a ditadura, mastigando-a devagarzinho, a digerira e se preparava agora para expeli-la pelos canais próprios. Um verdadeiro achado. A sociedade brasileira não só resistira à ditadura, mas a vencera. Difícil imaginar poção melhor para revigorar a auto-estima” (pág. 71).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vale lembrar, tal como está proposto nesse livro, que a memória desperta incômodas inquietações. A ditadura reatualizou e exacerbou no Brasil a cultura autoritária. Que o digam os pataxós queimados, os presos do Carandiru e toda a legião de cidadãos vagando nas margens do sistema. Por outro lado, foi durante a ditadura, no mais fundo dos exílios, que as esquerdas descobriram os valores democráticos. Além disso, cabe observar que a ditadura foi resultado do medo. “Medo de que as desigualdades sociais fossem questionadas por um processo de redistribuição de renda e de poder”. A maior obra da ditadura talvez tenha sido justamente a de manter e consolidar essas desigualdades. E esse questionamento continua provocando medo - esse discurso foi habilmente empregado mais de uma vez pelo PSDB contra o PT em eleições passadas, lembram?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis um dilema: diante das desigualdades temos o medo do caos ou do retorno a formas autoritárias. O melhor antídoto talvez seja “uma reflexão mais acurada e sistemática sobre os tempos da ditadura”. Afinal, a desigualdade continua aí, a espreita de todos nós! A nos desafiar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em face de tudo isso, assisti com certa perplexidade a mídia piauiense incensando a volta de João Paulo dos Reis Veloso ao Piauí recentemente. Não cabe negar sua eventual contribuição para o surto de desenvolvimento vivido nesse estado na década de 1970, embora devamos considerar de que modo isso foi viabilizado. Contudo, não se pode esquecer que o ex-ministro, juntamente com Delfim Netto, foi um dos arquitetos da política econômica da ditadura militar. A alvissareira elevação da taxa de crescimento do PIB, superior a 9% ao ano entre 1969 e 1973, foi resultado dessa política econômica e ficou conhecida como “milagre econômico”. Mas o crescimento econômico tinha como contrapartida o empobrecimento da classe trabalhadora. Na época, argumentava-se cinicamente que primeiro era preciso fazer o bolo crescer, para somente depois reparti-lo generosamente entre os convivas, numa alusão metafórica à necessária distribuição mais equânime de rendas no país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato é que o bolo cresceu, foi devorado por poucos e nem migalhas restaram para o conjunto da população, sendo que parte expressiva desta até hoje padece em condições miseráveis, inclusive no Estado do Piauí. Não comeu do bolo nem os seus farelos. Mas pelo visto, a mídia continua operando suas hábeis reconstruções históricas. A quem interessa o esquecimento?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denílson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Publicado no jornal &lt;em&gt;O Dia&lt;/em&gt; (Teresina), em 02.07.2011, sábado (Coluna &lt;em&gt;Fórum&lt;/em&gt;, publicada no Caderno &lt;em&gt;Em Dia&lt;/em&gt;, pág. 4)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-9180192675452540073?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/9180192675452540073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=9180192675452540073' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/9180192675452540073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/9180192675452540073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/07/reconstrucoes-em-torno-da-ditadura.html' title='Reconstruções em torno da ditadura militar'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-2932487576765441290</id><published>2011-06-25T10:19:00.000-03:00</published><updated>2011-06-25T10:19:38.514-03:00</updated><title type='text'>Universidade para todos? Mas qual universidade?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na medida em que o segundo semestre e os exames vestibulares para as universidades públicas se aproximam, é oportuno refletir um pouco sobre a situação do ensino superior no Brasil. Até porque, nesse momento de escolhas, muitas vezes permanece presente um velho dilema: cursar uma universidade pública ou privada? O que seria melhor? Quais as diferenças entre ambas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se pretende aqui, em tão poucas linhas, dar cabo de tão vasto tema. Talvez por isso podemos voltar a abordá-lo futuramente. Também convém fugir da suposta obviedade de que as instituições privadas de ensino superior são destinadas somente àqueles que podem pagar, haja vista a difusão do Programa Universidade para Todos, o PROUNI. Da mesma forma, as universidades públicas evidentemente não se constituem em território exclusivo dos alunos mais desfavorecidos economicamente. Uma rápida visita aos estacionamentos de alguns campi universitários do país facilmente jogaria por terra essa ingênua suposição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até os anos 70 e 80 do século passado a grande maioria das vagas disponíveis no ensino superior pertenciam às universidades públicas. O vestibular unificado definia para onde iam os candidatos, de acordo com a pontuação obtida nas provas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi nos anos 90, durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, que essa relação entre as vagas oferecidas pelas públicas e privadas inverteu-se. A adoção do modelo neoliberal impediu a ampliação da oferta de vagas no setor público, favorecendo paralelamente a expansão desenfreada do setor privado. A última década do século XX foi marcada por um verdadeiro boom das universidades particulares. Nas grandes capitais algumas delas parecem ter aberto uma unidade a cada esquina...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante desse quadro, o que se verifica hoje é que a grande maioria dos estudantes universitários do país encontra-se matriculada em instituições particulares. Seja arcando com o custo de pesadas mensalidades (da mesma forma que a classe média sujeitou-se ao pagamento de planos de saúde), seja beneficiando-se de descontos provocados pela acirrada concorrência, ou ainda através de bolsas e financiamentos públicos ou privados. Parece que a realidade encarregou-se de responder o velho dilema...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas e quanto às diferenças? O que difere uma alternativa da outra? A qualidade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inúmeras universidades particulares têm procurado exibir corpos docentes devidamente qualificados (com mestrado e doutorado) a fim de comprovar a qualidade do ensino praticado em suas salas de aula. O próprio Ministério da Educação passou a exigir dessas instituições um percentual mínimo de professores com esta qualificação. E é preciso reconhecer o avanço que isto representa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, o ensino superior privado encontra-se há algum tempo numa encruzilhada. E a escolha do rumo a ser tomado definirá o sentido da existência dessas instituições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A razão de ser da universidade está na sua capacidade de aliar o ensino à pesquisa. Não basta que funcione como espaço onde se faz a mera reprodução do conhecimento (ensino), é indispensável que seja capaz também de produzir conhecimento (pesquisa). E aí talvez esteja uma das diferenças fundamentais entre a universidade pública e a particular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para alterar essa situação, a princípio, não é preciso que as particulares invistam recursos próprios na realização de pesquisas. Basta que reformulem o regime de contratação de seus professores, transformando-os de horistas (remunerados apenas e injustamente pelas horas trabalhadas em sala de aula) em docentes contratados por 40 horas semanais dedicadas a uma só instituição. Afinal, essa é uma das exigências básicas das agências de fomento à pesquisa (CNPq, Capes e fundações congêneres) para destinarem recursos a projetos de pesquisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tais exigências em geral supõem – corretamente – que o professor horista pula de galho em galho ao longo da semana, deslocando-se entre duas ou mais instituições, sem dispor, portanto, de tempo para destinar à pesquisa e à produção de conhecimento. Já o professor que dedica 40 horas de sua jornada de trabalho a uma só instituição pode ser capaz de pesquisar – desde que essas 40 horas não sejam totalmente ocupadas somente por aulas e mais aulas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Ministério da Educação vem adiando a exigência de um percentual mínimo de professores dedicados exclusivamente a uma universidade. Mas estamos indiscutivelmente diante da encruzilhada: ou se criam as necessárias condições para a produção do conhecimento também nas instituições privadas de ensino ou as mesmas estarão condenadas a desempenhar o papel de uma espécie de “escolão” de terceiro grau.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que caminho será trilhado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, é imperativo reconhecer que o PROUNI, a exemplo do que fez há algum tempo o PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional, implementado no governo FHC), consiste também num vigoroso e vergonhoso programa de transferência de recursos públicos para a iniciativa privada. O PROER “ajudou” bancos privados a enfrentar as adversidades do mercado e pelo visto mostrou inegável eficiência para a saúde dos banqueiros, haja vista que este é o setor que mais cresce na economia nacional nos últimos anos. Então cabe questionar a quem está servindo o PROUNI? Aos alunos carentes e mal formados, oriundos das escolas públicas, que têm o acesso às universidades públicas federais e estaduais barrado pelos vestibulares? Ou às universidades particulares com vagas ociosas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governo federal usa de meios publicitários para jactar-se do PROUNI como um eficiente instrumento de inclusão social. Argumenta que nunca antes um governo foi capaz de ampliar o número de vagas no ensino superior como se fez ultimamente. Mas é curioso que essa ampliação não se dê dentro das próprias universidades públicas. O que estaria por trás dessa expansão “via” PROUNI?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao invés de promover investimentos pesados nas universidades públicas federais, que possuem na sua maioria docentes qualificados com mestrado e doutorado, responsáveis por boa parte da produção científica do país e por alguns dos mais importantes centros de excelência acadêmica, toma-se o caminho do “aluguel” de vagas na rede particular, que é indiscutivelmente um investimento mais barato, menos dispendioso e muitas vezes de qualidade no mínimo duvidosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao invés de priorizar a contratação de novos professores e ampliação das vagas noturnas que contemplam a realidade do aluno/trabalhador, que precisa conciliar o prosseguimento dos estudos e a formação acadêmica com alguma atividade remunerada que lhe assegure a sobrevivência, a opção tem sido encaminhar esse tipo de aluno para as universidades particulares, mantendo-os lá através de uma bolsa. Ao invés de cumprir a sua função social de abrir as portas dos centros de excelência também ao aluno pobre, as universidades públicas assistem ao vertiginoso crescimento de instituições privadas que passam longe da excelência acadêmica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, os recursos públicos investidos no PROUNI, ao invés de custear a manutenção e a expansão das universidades públicas, são destinados a instituições privadas. Prevalece nesse caso, de forma inequívoca, uma espécie de terceirização típica do modelo neoliberal que aqui se consolidou na última década do século passado. Os governos que se seguiram desde então fizeram a opção política de não investir mais em setores outrora considerados estratégicos para o desenvolvimento e a soberania nacional, como é o caso da educação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais perverso disso tudo é perceber que através do PROUNI se pretende consolidar mais uma barreira social, travestida de inclusão. A universidade pública vai sendo asfixiada e tornando-se cada vez mais uma instituição para poucos. Já as universidades particulares são para todos – que é aliás, o lema do PROUNI.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denílson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 25.06.2011, sábado (Coluna Fórum, Caderno Em Dia, pág. 4)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-2932487576765441290?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/2932487576765441290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=2932487576765441290' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2932487576765441290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/2932487576765441290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/06/universidade-para-todos-mas-qual.html' title='Universidade para todos? Mas qual universidade?'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-8798896633948455537</id><published>2011-06-18T10:44:00.001-03:00</published><updated>2011-06-20T09:47:06.039-03:00</updated><title type='text'>As lições de Assis Brasil: o lugar da sensibilidade na educação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Salão do Livro do Piauí - SALIPI já se foi, mas vejo-me na obrigação de tratar ainda desse evento. Afinal, devemos a ele a possibilidade de, ao acordar numa dessas ensolaradas e radiantes manhãs que Teresina nos oferece regularmente, ir ao encontro de um escritor e ouvi-lo falar durante quase duas horas. Fiz isso no último dia dez de junho. Em meio a tantos compromissos e obrigações que o trabalho nos impõe, cheguei ao belo salão do Clube dos Diários por volta das oito horas da manhã. Queria conhecer pessoalmente Assis Brasil, escritor piauiense que recentemente entrou na minha vida ao tornar-se objeto de estudo dos meus alunos. Sim, devo isso a eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afinal, desde que ingressei no quadro docente da Universidade Federal do Piauí, há dois anos, dois alunos vieram buscar a minha orientação para os seus trabalhos de pesquisa. Ao tomarem conhecimento das minhas aventuras no campo das relações entre História e Literatura, especialmente da minha longa trajetória de estudos sobre a obra do escritor carioca Lima Barreto (1881-1922), talvez esses alunos tenham se interessado em desenvolver suas pesquisas sobre duas das mais conhecidas obras de Assis Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Beira-rio beira vida&lt;/em&gt; tem servido de eixo para uma pesquisa sobre a cidade de Parnaíba de meados do século XX. Da mesma forma que me guiei pelo olhar que Lima Barreto construiu sobre o Rio de Janeiro a partir da periferia, dos subúrbios e de sua gente pobre e discriminada, Josenias Silva – mestrando do Programa de Pós-Graduação em História do Brasil da UFPI - busca compreender aquela cidade litorânea do Piauí, iluminado pela perspectiva crítica e ao mesmo tempo generosa de Assis Brasil em relação aos “excluídos” que ali viviam. Segundo esse historiador e mestrando, “&lt;em&gt;Beira rio beira vida&lt;/em&gt; expõe a quem queira ver as vísceras de uma sociedade opressiva, que num processo sistemático de exploração reproduz-se mediante a violência e a dominação”. Assim, creio que em breve teremos uma bela dissertação sendo defendida e, quiçá, um novo livro na praça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais recentemente, uma aluna da graduação decidiu tomar como objeto de pesquisa e reflexão de sua monografia de conclusão de curso o igualmente belíssimo &lt;em&gt;Os que bebem como os cães&lt;/em&gt;, do mesmo autor. Não conhecia o livro até dezembro do ano passado. Instigado pelo pedido de orientação, comecei a lê-lo às vésperas do último natal e só o larguei depois de concluir a leitura, feita quase de uma só vez. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há poucos dias, novamente vi graduandos de História que integram um programa de iniciação à docência (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID/UFPI) transformando esse mesmo romance no tema central de uma de suas atividades desenvolvidas na U.E. Profª Lourdes Rebelo. Naquela ocasião, tivemos uma tarde agradável de conversas, leituras e debates com adolescentes que cursam o ensino médio naquela escola e pudemos abordar aspectos importantes da Ditadura Militar iniciada no Brasil em 1964. Jeremias, o professor que é o protagonista de &lt;em&gt;Os que bebem como os cães&lt;/em&gt;, motivou calorosa discussão sobre os tenebrosos porões da repressão empreendida pelos militares naquele período.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi movido por essas vivências dos últimos tempos que tive a honra e o prazer ir ao encontro de Assis Brasil na manhã daquela sexta-feira. O escritor, que atualmente está com 79 anos, mostrou enorme vigor e disposição para conversar e contar sobre sua história de vida ao público ali presente. Dentre os diversos episódios que descreveu – e que podem ser conhecidos através da leitura do livro Memória e Aprendizado, publicado pela EDUFPI no corrente ano e contendo uma entrevista concedida pelo romancista a Francigelda Ribeiro –, destaco aqui alguns deles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando vivia no Rio de Janeiro, por volta da década de 1960, foi convidado a militar no Partido Comunista. Contudo, recusou o convite alegando que não era político, mas sim um escritor. E antes que se veja nessa atitude qualquer sombra de alienação, o autor explicou que preferia lutar contra as desigualdades sociais de nosso país através da literatura, fazendo da arte o seu engajamento. Afinal, arrematou, os políticos não mudam o mundo, a arte sim tem esse poder. E aproveitou o ensejo para renovar os votos no sentido de que ensinemos mais aos nossos alunos sobre arte, literatura, poesia, teatro, cinema... E num instante me veio à lembrança aquela tarde recente que tivemos numa escola pública teresinense.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falando em política, Assis Brasil não desperdiçou a oportunidade de criticar o modo inusitado como nós transitamos da ditadura para a democracia a partir de 1979. Observando o que se passa atualmente na vizinha Argentina, onde os generais e torturadores de ontem estão sendo hoje processados e presos pelos crimes cometidos durante a vigência do regime autoritário por lá, classificou de vergonhosa a anistia no Brasil, absolvendo os torturadores dos inúmeros Jeremias que tivemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, o escritor teceu sólida crítica à supremacia da razão sobre a sensibilidade na educação. Nesse sentido, argumentou que um dos piores frutos da razão é a tecnologia. E do alto de sua sabedoria de vida, mas com a humildade e singeleza de quem se põe a trocar dois dedos de prosa com seus leitores, vaticinou: “a tecnologia um dia vai pifar!” E para fundamentar seu argumento, evidenciou os sinais evidentes de debilidade das tecnologias, sinais que nos saltam aos olhos em nosso cotidiano. Quantas vezes você foi ao banco e o “sistema” estava fora do ar? Quantas vezes você tentou usar o telefone celular e não conseguiu se comunicar, sendo atendido por uma gravação? Ou então, quantas vezes fomos interrompidos pelo toque do celular? Aliás, isso aconteceu com o próprio Assis Brasil durante sua fala no SALIPI. Ao desligar subitamente o aparelho, ele não deixou por menos: “tá vendo, é a tecnologia, não deixa ninguém em paz”. Por isso, lembrou que para nos comunicarmos precisamos de sensibilidade (não da razão) e de conversa. Conversa olho no olho, como se faz no SALIPI.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assis Brasil acredita num inevitável colapso da tecnologia. Se esse colapso virá, não sabemos. Mas com certeza precisamos ressaltar o lugar da sensibilidade e das artes na educação. E a obra desse escritor deve ter um lugar especial nas nossas salas de aula, monografias, dissertações e pesquisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Denílson Botelho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no jornal O Dia (Teresina), em 18.06.2011, sábado (Coluna Fórum, publicada no Caderno Em Dia, pág. 2)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-8798896633948455537?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/8798896633948455537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=8798896633948455537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8798896633948455537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/8798896633948455537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/06/as-licoes-de-assis-brasil-o-lugar-da.html' title='As lições de Assis Brasil: o lugar da sensibilidade na educação'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-3123885465659941225</id><published>2011-06-17T14:19:00.000-03:00</published><updated>2011-06-17T14:19:41.240-03:00</updated><title type='text'>Acervo de Chico Buarque chega à internet</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto aguardam o novo disco de Chico Buarque -cuja pré-venda começa na segunda-feira-, seus fãs ganham amplo acesso ao passado do cantor e compositor com o lançamento de seu acervo digital no site do Instituto Antonio Carlos Jobim (&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.jobim.org/"&gt;www.jobim.org&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A obra digitalizada do artista será lançada oficialmente na rede hoje, e seus números dão uma dimensão do volume acessível: são 1.044 imagens, 7.916 letras e partituras e 26.152 textos, entre cadernos, documentos pessoais, reportagens de imprensa, roteiros para cinema e teatro e correspondências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O que mais chama a atenção, no entanto, são as gravações de áudio e vídeo, que somam cerca de 600 arquivos e incluem toda a discografia de Chico, com cada uma de suas canções - algo que nem mesmo o site oficial do artista disponibiliza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Paulo Jobim, presidente do instituto que leva o nome de seu pai, diz que o cantor foi consultado sobre a digitalização de seu acervo, que custou R$ 200 mil e foi bancada pela Vale com uso da Lei Rouanet.&lt;br /&gt;As gravadoras ou eventuais detentores de direitos autorais, no entanto, não foram procuradas. "Essas músicas estão no site um pouco como acontece no YouTube, porque, se eu fosse pedir licença para cada parte do material, teria de montar um Ecad particular", explica Jobim. "Como é algo de utilidade pública e não é lucrativo, imagino que não vamos ter problema. Mas, se alguém me procurar pedindo para tirar uma música, eu tiro."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A digitalização do acervo do astro é um desdobramento do trabalho iniciado por Regina Zappa para a publicação dos três livros que formam o "Cancioneiro Chico Buarque", editado pela Jobim Music.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O instituto digitalizou todo o material oriundo da pesquisa, mas não dará acesso irrestrito a tudo: correspondências pessoais (como cartas e bilhetes de familiares) e vídeos, apesar de estarem no site, só poderão ser vistos na sede, por pesquisadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Acervos de Gil e Milton&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O acervo de Chico é o terceiro que o instituto coloca na internet, depois dos de Tom Jobim, lançado em 2003, e de Dorival Caymmi, de 2009. O mesmo projeto está em andamento com a obra de Gilberto Gil -segundo Jobim, já estão na metade do processo- e começará em breve com a de Milton Nascimento, num trabalho que deve durar dois anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Todos os projetos tiveram captação de verba aprovada pela Lei Rouanet; Jobim diz que os custos de cada um são de cerca de R$ 200 mil e foram bancados por empresas como a Natura e a Petrobras. Jobim diz que, quando iniciou a digitalização, tinha em mente, além dos fãs, estudiosos e músicos. "Estou mostrando esses documentos para quem quiser fazer pesquisa. Isso rende frutos bons, as pessoas fazem trabalhos em cima do material que está no site. Por exemplo, se alguém quer gravar uma canção do meu pai e não tem a partitura, pode entrar no site e gravar a canção corretamente".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Além do lançamento do acervo de Chico Buarque on-line, acontece hoje a abertura de uma exposição com parte do material no Espaço Tom Jobim (r. Jardim Botânico, 1.008, Rio). A mostra, gratuita, fica em cartaz por três meses, de terça a domingo, das 10h às 18h.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;MARCO AURÉLIO CANÔNICO&lt;br /&gt;&lt;!--/BYLINE--&gt;&lt;!--ORIGIN--&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span&gt;DO RIO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Extraído da Folha de S. Paulo, 17/06/2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3442332849278008336-3123885465659941225?l=nabruzundanga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/feeds/3123885465659941225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3442332849278008336&amp;postID=3123885465659941225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3123885465659941225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3442332849278008336/posts/default/3123885465659941225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nabruzundanga.blogspot.com/2011/06/acervo-de-chico-buarque-chega-internet.html' title='Acervo de Chico Buarque chega à internet'/><author><name>Denilson Botelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05529372832871869615</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3442332849278008336.post-8019309023800208022</id><published>2011-06-16T08:11:00.000-03:00</published><updated>2011-06-16T08:11:03.287-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-e2EZKdhvcug/TfnkHu8Zo1I/AAAAAAAAAQA/I6bLIIZzepg/s1600/Manoel+Luis+Salgado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="333px" src="http://4.bp.blogspot.com/-e2EZKdhvcug/TfnkHu8Zo1I/AAAAAAAAAQA/I6bLIIZzepg/s400/Manoel+Luis+Salgado.jpg" t8="true" width="400px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caros amigos, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 20 de junho, no salão nobre do Instituto de História será realizado um evento em homenagem ao Prof. Manoel Luiz Salgado Guimarães. Neste evento será exibido um pequeno documentário sobre o homenageado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O convite eletrônico encontra-se em anexo. Toda ajuda na divulgação será bem-vinda. Contamos com a sua presença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se por ventura houver alguém nesta lista que não tenha conhecido o trabalho do Prof. Manoel, envio abaixo o link de um imperdível trabalho seu, que sem dúvidas, já é um clássico da historiografia brasileira e não deveríamos passar pela graduação sem lê-lo: Nação e Civilização nos Trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o projeto de uma história nacional. Neste artigo da década de 1980, já se pode notar o esforço do autor em firmar no Brasil um campo de pesquisa sobre a produção do texto histórico, atentando não apenas para a dimensão estética deste último, mas também para suas dimensões éticas e políticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/1935/1074"&gt;http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/1935/1074&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, embora hoje possamos ler o Manoel e me resulte simples enviar este link, não posso encaminhar num simples e-mail parte de outra importante face de seu trabalho como professor e historiador: as incontáveis horas de dedicação em aulas para a formação de homens viajadores do tempo. Só posso dizer, a título de depoimento, que suas aulas também eram acontecimentos. Eram espaço de produção de conhecimento, práticas em que teoria e ensino se imbricavam e o professor não era o único detentor das verdades, dono do conteúdo. Nem o aluno, por sua vez, mero recipiente destes, mas sujeito com autonomia de pensamento. Enfim, sujeito do processo ensino-aprendizagem, não apenas um simples objeto destinatário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abraços,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anita Lucchesi&lt;/div&gt;&lt;div style="
