29 de junho de 2017

Livro sobre Lima Barreto – escritor homenageado da FLIP 2017 - tem 2ª edição revista e atualizada, após conquistar Prêmio Carioca de Pesquisa (2002)


Na obra, Denilson Botelho – historiador e professor da Universidade Federal de São Paulo – apresenta a trajetória de militância política e literária de Lima Barreto nos seus artigos e crônicas publicados no Rio de Janeiro no início do século XX.

Passados 15 anos da primeira publicação, que se tratava de uma edição premiada e distribuída somente para bibliotecas, universidades e escolas públicas, finalmente o livro A pátria que quisera ter era um mito ganha uma edição comercial e assim chegará às livrarias.

O livro teve origem em dissertação de mestrado em História defendida na Unicamp, sob a orientação do professor Sidney Chalhoub, cujo objetivo foi produzir uma compreensão detalhada sobre a trajetória de política e literária do escritor carioca Lima Barreto (1881-1922). Ao invés de abordar os seus textos mais conhecidos, como os romances e contos, Denilson Botelho analisou um vasto acervo constituído por pouco mais de 500 artigos e crônicas - menos conhecidos pelos leitores em geral. Publicados originalmente em jornais e revistas da época, esses textos revelam o quanto Lima Barreto participava dos debates em curso no Brasil do século XX, opinando sobre quase tudo e tratando dos mais variados assuntos.

O testemunho histórico de Lima Barreto é, em certa medida, o testemunho de alguém que buscava um caminho a ser seguido em meio à transição entre uma sociedade caracterizada pela ideologia paternalista e pelas relações de dependência pessoal, vigentes no século XIX, e a sociedade republicana em plena reestruturação das ideologias de dominação, cenário de redefinição dos novos espaços de poder a serem ocupados. Mas ao mesmo tempo, o testemunho de um indivíduo perplexo e inconformado com a permanência de uma lógica excludente do ponto de vista político, social e econômico – exclusão que insiste em se perpetuar até os dias atuais.

Escrito em linguagem acessível e envolvente, com reprodução de diversos trechos dos artigos e crônicas do escritor carioca negro e suburbano, o livro está dividido em quatro capítulos. No primeiro o autor apresenta um esboço biográfico de Lima Barreto, partindo do momento inicial de sua carreira literária até que se tornasse um escritor reconhecido em seu tempo. O segundo capítulo mostra como a Primeira República aparece nos artigos e crônicas do escritor, indicando que nada escapava ao seu olhar atento sobre a época. O terceiro capítulo delineia o país com o qual Lima Barreto sonhava, ao mesmo tempo em que vivenciava enorme frustração com a república recém implantada. E o quarto e último capítulo examina o quanto a valorização do diploma (em Direito, Medicina e Engenharia) resultou num verdadeiro fetiche para a sociedade daquele tempo, fazendo do “doutor” um símbolo da distinção social e da desigualdade que em tudo depõem contra um projeto democrático de república.

O livro conta ainda com prefácio de Sidney Chalhoub e apresentação de Nei Lopes.

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