19 de outubro de 2014

Raymond Williams e a mídia

Para Raymond Williams, a mudança do caráter da sociedade capitalista e sua lógica cultural passa pela comunicação de massas: a “massa” deve ter seu acesso à produção facilitado, de forma a se transformar em produtores ao invés de simples consumidores do que os outros acham que vão gostar.

No ensaio "Culture is ordinary", de 1958 (mas que parece atualíssimo nesses dias em que tanto temos comentado aqui sobre os efeitos nocivos de uma mídia oligopolizada às vésperas de uma eleição presidencial), Williams observa:

“Vai ser bem difícil, mas não acredito que somos tão pouco inventivos que tenhamos apenas duas alternativas ruins: ou a continuação dessa mamata de mascates, nas quais as notícias e as opiniões estão inextricavelmente ligadas às barganhas do mercado, que trazem consigo a nova escravidão e prostituição da venda de personalidades; ou então um sistema mesquinho, monolítico e controlado no qual as notícias e opiniões são um presente do partido no poder. Deveríamos estar pensando agora em maneiras de arcar com nossos serviços em comum que garantissem uma liberdade adequada àqueles que efetivamente são os provedores desses serviços, e ao mesmo tempo os protegesse, e a nós também, da dominação de uma minoria, seja financeira seja política” (Raymond Williams, “Culture is ordinary” [1958], p. 17)

FONTE: CEVASCO, Maria Elisa. Para ler Raymond Williams. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

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