16 de setembro de 2013

FLIP 2014: consagração negada, de novo?

Ando revendo cada detalhe da trajetória de Lima Barreto para uma nova pesquisa. Daí me veio mais uma vez a percepção do quanto o establishment literário do Rio de Janeiro do início do século XX negou-lhe a merecida consagração em vida. Veja só.

Segundo o historiador e biógrafo Francisco de Assis Barbosa, ainda em 1911, Lima Barreto
participou do movimento para a criação da Academia dos Novos, patrocinada pelo jornal A Imprensa, de Alcindo Guanabara. E em 1914 participou também do movimento para a fundação da Sociedade dos Homens de Letras. Nenhuma dessas instituições prosperou a ponto de produzir o reconhecimento tão almejado pelo escritor.
 
Em 21 de agosto de 1917, em carta a Rui Barbosa, Lima Barreto declarava-se pela primeira vez candidato à ABL, na vaga que surgiu com a morte de Sousa Bandeira. Mas a inscrição sequer foi considerada.


Em 24 de fevereiro de 1919 foi pela segunda vez candidato à ABL, na vaga de Emílio de Meneses, obtendo 2 votos no primeiro e segundo escrutínios, e apenas um voto do terceiro e quarto. Em 30 de outubro houve uma nova eleição para essa vaga, em que foi finalmente eleito Humberto de Campos.


Em 4 de dezembro de 1920, Lima Barreto apresentava-se candidato ao prêmio da ABL para o melhor livro publicado no ano anterior, com Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. No ano seguinte, anunciado o resultado, o romance recebeu menção honrosa da ABL.


E pela terceira vez, em 1º de julho de 1921, apresentava-se mais uma vez candidato à ABL na vaga de Paulo Barreto (João do Rio). Mas em 28 de setembro retirou a sua candidatura “por motivos inteiramente particulares e íntimos”.

Como se sabe, Lima Barreto faleceu no ano seguinte, em 1º de novembro de 1922, por volta das 17 horas, na sua própria casa, na rua Major Mascarenhas nº 26, no subúrbio de Todos os Santos. Consta que morreu abraçado a um exemplar da Revue des Deux Monde, da qual era leitor habitual.

Longe de substituir a consagração que lhe foi negada em vida, a edição de 2014 da FLIP repararia um pouco essa injustiça escolhendo Lima Barreto como escritor homenageado. Ou será que mais uma vez o reconhecimento lhe será negado?

Vale lembrar que em 1904, Lima Barreto tinha 23 anos e começava a escrever o seu primeiro romance, Clara dos Anjos. Em 2014 poderemos dizer que há 110 anos surgia um jovem e talentoso escritor brasileiro.

A conferir!

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