29 de agosto de 2013

Cuidado, o inimigo mora ao lado



O Brasil amanheceu perplexo hoje com o que se passou na Câmara dos Deputados ontem à noite. O Deputado Natan Donadon deixou o Complexo Penitenciário da Papuda, onde está preso, para comparecer à sessão da Câmara em que foi votada a cassação do seu mandato. Levado de camburão e algemado até o plenário, sua excelência voltou para a Papuda sem ter sido cassado. 233 deputados votaram a favor da sua cassação, que necessitaria de 257 votos. Houve 131 votos contra a cassação e 41 abstenções.

São vários os aspectos que suscitam discussão e perplexidade nesse episódio. Contudo, quero chamar a atenção para um ponto: sob o manto obscuro, vergonhoso e corporativista do voto secreto, 172 deputados são cúmplices do deputado criminoso, julgado, condenado e preso na Papuda. Não há e não pode haver distinção alguma entre um corrupto e os seus solidários companheiros que, por abstenção ou não, preservaram seu mandato intocável.

Mas é sempre bom lembrar que o nosso parlamento reflete com precisão a nossa conduta política. Recuso-me a lançar todos os parlamentares na vala comum da degradação e corrupção, porque prezo pela democracia. Além disso, sei que nem todo político é corrupto e criminoso, assim como nem todo brasileiro é desonesto. Antes, pelo contrário, acredito que a maioria dos brasileiros é honesta e ética. Mas os desonestos estão por aí, em toda parte, em todas as profissões, inclusive diante dos seus olhos ou ao seu lado...

Sem considerar a complexidade desse problema, não vale a pena ir às ruas berrar contra a corrupção.

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