17 de janeiro de 2013

O mercado brasileiro de aviação e a ladainha neoliberal


         Cresce na mídia corporativa e neoliberal o clamor contra o aumento do preço das passagens aéreas no Brasil. O movimento vem ganhando corpo desde o final do ano passado. Uma apresentadora da Globonews, ainda há pouco, defendia a possibilidade de empresas aéreas estrangeiras operarem vôos domésticos para fomentar a concorrência no mercado interno e a consequente redução dos preços. A proposta teria sido lançada pelo presidente da Embratur, chocado com os preços dos voos para o nordeste.
         Em tese, a proposta até pode parecer boa. Quem seria capaz de se contrapor à redução dos preços das passagens aéreas? E quem seria capaz de negar que isso é fruto das recentes fusões realizadas no setor, que resultaram na concentração do mercado nas mãos de duas grandes empresas – TAM e Gol – e mais uma miúda – Azul? Nisso todo mundo concorda. Daí a abrir o mercado para empresas estrangeiras operarem indiscriminadamente nas rotas domésticas, é preciso cautela.
         Não duvido que para entrar com força nesse mercado, abocanhando uma boa fatia do mesmo rapidamente, qualquer empresa estrangeira vai praticar dumping. Ou seja, teremos preços atraentes e bem inferiores aos praticados nesse mercado hoje concentrado nas mãos de Gol, TAM e Azul. Não duvido que em pouco tempo as três comecem a apresentar volumosos prejuízos e quebrem ou sejam adquiridas por grupos estrangeiros. E aí teremos um novo e mais grave problema: estaremos nas mãos de empresas aéreas estrangeiras que poderão cobrar valores ainda mais elevados do que hoje e sem ter que enfrentar nenhuma concorrência nacional, que a essa altura terá sido varrida do mercado.
               É preciso reconhecer que o governo federal foi leniente e omisso. O que deveria ter sido feito, há tempos, era fomentar a concorrência entre empresas sediadas no Brasil, favorecendo assim preços mais acessíveis. Agora é tarde, é verdade. Mas ainda dá tempo de evitar um mal maior.
         O mercado da aviação regional permanece incipiente e inexplorado, justamente porque está hoje nas mãos dessas três empresas e só. Por exemplo: se eu quiser sair de Teresina para Natal, certamente terei que fazer conexão em Brasília (ou Campinas), para então seguir rumo a Natal. Não faz sentido eu ter que ir ao Centro Oeste ou ao Sudeste para fazer um vôo de uma capital nordestina para outra. Por isso, insisto: a solução não está lá fora, mas aqui dentro. Ou por acaso alguém aí acredita que uma American Airlines ou alguma similar está preocupada com os interesses dos passageiros brasileiros? E mais: você já viu um filme parecido com isso, não é?

Denilson Botelho

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