7 de janeiro de 2013

Germinal, de Émile Zola



Recomendo a leitura de Germinal, de Émile Zola. Como descrever esse livro? Seria a história de uma greve? Ou seria o aprendizado da organização de um movimento social a partir da experiência dos mineiros do norte da França no final do século XIX? E o que dizer sobre o modo como Zola articulou essa história arrebatadora à emergência da Primeira Internacional?

Lido nos dias de hoje, o romance sugere algumas boas reflexões. Por um lado, reforça a minha convicção de que continuamos a viver sob a lógica do capitalismo e do mundo do trabalho, que insiste em produzir incessantemente fome, miséria e opressão. Nas palavras de Étienne, o protagonista, “o trabalho assalariado é outra forma de escravidão”. E essa sentença respalda um amplo campo de pesquisas sobre o mundo pós-abolição em que vivemos.

Por outro lado, a leitura nos leva a refletir também sobre o quanto é complexo o universo dos movimentos sociais, sobretudo quando entram em cena as multidões sedentas pela vingança impregnada do ódio de classe. Quando a fúria toma conta do povo, não se sabe mais o que pode acontecer.

Germinal deixa uma sensação que mistura derrota e esperança. A histórica greve que se desenvolve ao longo do texto é brutalmente derrotada, inclusive com a eliminação física de diversos trabalhadores. Contudo, resta alguma esperança de que a união dos despossuídos volte a triunfar em algum tempo nessa história que prossegue até os nossos dias

Talvez esse triunfo seja como o amor entre Étienne e Catherine, consumado apenas no derradeiro instante de suas vidas. O nosso triunfo derradeiro ainda está por vir?

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