3 de junho de 2012

Viver na Bruzundanga

"Pode ser definida a feição geral da sociedade da Bruzundanga com a palavra - medíocre.

Vem-lhe isto não de uma incapacidade nativa, mas do contínuo tormento de cavar dinheiro, por meio de empregos e favores governamentais, do sentimento de insegurança de sua prórpia situação.

[...] Uma tão vulgar preocupação pauta toda a vida intelectual da sociedade bruzundanguense, de modo que, nas salas, nos salões, nas festas, o tema geral dos comensais é a política; são as combinações de senatorias, de governanças, de províncias e quejandos.

A política não é aí uma grande cogitação de guiar os nossos destinos; porém, uma vulgar especulação de cargos e propinas.

Sendo assim, todas as manifestações de cultura dessa sociedade são inferiores. A não ser em música, isto mesmo no que toca somente a executantes, os seus produtos intelectuais são de uma pobreza lastimável.

[...] As obras mais notáveis que lá tem aparecido são escritas por homens que vivem arredados da sociedade bruzundanguense.

Em uma sala desse país, quando não se trata de intrigas políticas ou coisas frívolas de todos os dias, surge logo um tédio inconcebível. Ele sepulta o pensamento, antes de matá-lo: enterra-o vivo".

Fonte:
BARRETO, Lima. Os Bruzundangas. São Paulo: Brasiliense, 1956. p. 108
_____________________________________________

Antes que alguém se apresse a vestir a carapuça, aviso que se trata de um fragmento de Os Bruzundangas. Aliás, devia ser horrível viver na Bruzundanga, não é?

Nenhum comentário: