20 de março de 2012

Alberto Dines, jornalismo e Lima Barreto


Ontem Alberto Dines foi o entrevistado do programa Roda Viva, na TV Cultura (a TV Brasil retransmite). Motivo: 80 anos de vida, 60 anos de jornalismo. História viva do jornalismo e da imprensa das últimas décadas.

A certa altura da entrevista, Dines comentou sobre a censura no Brasil. De forma muito pertinente, destacou a censura feita pelos próprios jornais ou seus proprietários. E exemplificou com um dos mais notórios e escandalosos casos de censura da história da imprensa no Brasil.

Recordou que, quando foi trabalhar no Correio da Manhã, na década de 1950, seus colegas de redação comentavam que era proibido citar ou fazer qualquer tipo de referência ao nome de Lima Barreto nas páginas daquele periódico. Como se sabe, em 1909, foi publicado Recordações do escrivão Isaías Caminha, romance de estréia do escritor. E uma das abordagens mais críticas e mordazes que já se fez do jornalismo e da redação do jornal dirigido naquela época por Edmundo Bittencourt.

Como retaliação, Lima Barreto foi proscrito das páginas de um dos jornais mais populares e lidos do início do século XX no Rio de Janeiro. O que espanta é perceber que, cerca de 40 anos depois da publicação do famigerado romance e 30 anos depois do falecimento do próprio Lima Barreto, seu nome continuava proibido naquele veículo. E Dines testemunhou sobre isso no Roda Viva de ontem.

Preciso dizer algo mais sobre a relevância do meu atual projeto de pesquisa (intitulado O jornalismo e o nascimento da reportagem: história, imprensa e literatura em Lima Barreto)?

Um comentário:

peterrj disse...

Em 2010, a Folha de S. Paulo publicou artigo de Nicolau Sevcenko (05/09) sobre o lançamento, pela Penguin, de uma nova edição de Triste Fim de Policarpo Quaresma. Alberto Dines valeu-se da ocasião para tratar do silêncio da imprensa, até meados dos anos 1950, em relação a Lima Barreto. Os comentários de Dines no Roda Viva de ontem vão ao encontro das críticas (severas) à imprensa que silenciou Lima - e, por tabela, à Folha - estão aqui: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/da_ditadura_do_silencio_a_lista_negra
No mais, um grande abraço de seu colega de profissão e amigo no Facebook,

Pedro Belchior