14 de junho de 2011

Lendo Maurice Tardif


"Se sou um professor numa universidade do Rio de Janeiro e publico um artigo em inglês numa boa revista americana, é claro que isso é excelente para o meu currículo e para a minha ascensão na carreira univeristária, mas será que isso tem alguma utilidade para os professores do bairro da Pavuna nesta cidade? Este exemplo mostra que a pesquisa universitária é demasiadas vezes produzida em benefício dos próprios pesquisadores universitários. Noutras palavras, ela é esotérica, ou seja, modelada para e pelos pesquisadores universitários, e enunciada em linguagem acadêmica e em função das lógicas disciplinares e das lógicas de carreira da universidade. Em consequência, ela tende a excluir os professores de profissão ou só se dirige a eles por meio de formas desvalorizadas como a vulgarização científica ou da transmissão do conhecimento de segunda mão". (TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis-RJ: Vozes, 2008. p. 239)
Atentemos para o que observa esse intelectual canadense e vamos repensar a educação e o ensino! Professor do ensino básico não faz "vulgarização" do conhecimento, nem é mero transmissor. É sim detentor de um saber-fazer, baseado em sua experiência cotidiana, que é tão importante quanto o conhecimento produzido na universidade. Enquanto não percebermos isso, fica difícil melhorar a qualidade do ensino.

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