15 de abril de 2011

Milícia sem mandato

Preso na última quarta-feira (13/4), três anos depois de indiciado pela CPI das Milícias, o vereador Luiz André Ferreira da Silva, o Deco, é o último político da lista de citados pela CPI com mandato em curso. Para Freixo, que presidiu a Comissão e foi ameaçado por Deco, a Câmara Municipal do Rio tem agora o dever de cassá-lo. Leia, abaixo, o pronunciamento de Freixo.

"Como não poderia deixar de ser, venho me pronunciar sobre a ação da Polícia Civil hoje e do próprio Ministério Público, que prendeu o Vereador Luiz André Deco. Esse senhor foi indiciado por nós na CPI das Milícias, em 2008. Importante dizer que essa foi uma CPI que eu presidi, que contou com os Deputados Cidinha Campos, André Corrêa e Deputado Gilberto Palmares, todos aqui ainda. O resultado foi concreto naquela CPI.

Foi muito bom saber que esse senhor foi preso hoje – ele e mais 14 pessoas, se não me engano, segundo a informação, boa parte delas indiciada também por nós na CPI das Milícias. Eu parabenizo por um lado, mas ressalto que já era para ele estar preso há muito tempo, porque desde 2008 nós o acusamos de tudo por que ele está sendo preso agora: formação de quadrilha, homicídio, extorsão.

O mais inacreditável é que essa pessoa, para além de representar uma milícia, era Vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Foi preso, consta ainda como Vereador. Espero que a Câmara de Vereadores faça o seu dever de casa e imediatamente peça a cassação do mandato desse senhor. É inadmissível que façam com ele o que fizeram com Sr. Girão, que esperem ele ter uma quantidade x de faltas na Câmara, por estar preso, para dizer que ele não é mais Vereador. Isso é inadmissível!

Aqui nós fizemos o nosso papel, concluímos aquela CPI e o indiciamos – ele foi interrogado pela CPI. É muito bom que ele seja preso hoje, é uma resposta. Ele era o último político parlamentar daquela nossa lista. Só faltava ele. Aquela CPI apresentou 58 propostas concretas. Para além da prisão deles, os braços econômicos desses caras têm que ser cortados. Se eles continuarem dominando o transporte alternativo, a distribuição de gás, o “gatonet”, a prisão deles não vai resolver a agonia dessas populações que eles massacram. Então, o Estado como um todo tem que também fazer o seu papel, tem que ocupar aquelas regiões, tem que, enfim, inviabilizar economicamente esse grupo criminoso, que é um dos mais poderosos da história recente do Rio de Janeiro. É por isso que nos últimos dois anos nós temos mais de 500 prisões de milicianos, mas o número de milícias aumentou.

Então, parabéns a quem trabalhou em conjunto e que permitiu que essa pessoa hoje fosse detida, mas muita coisa ainda tem que ser feita".

Marcelo Freixo em pronunciamento no plenário da Alerj em 13 de abril de 2011.

Copiado do site do Deputado Estadual Marcelo Freixo: http://www.marcelofreixo.com.br/

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