24 de setembro de 2010

A ‘invasão’ dos sem-mídia

O pequeno auditório (150 cadeiras) do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo não deu nem para um terço dos que compareceram para protestar contra o golpismo midiático. Havia pelo menos umas 300 pessoas, ali. A maioria teve que ficar em pé.

No corredor que dava acesso ao auditório uma fila que se estendia até a rua, onde centenas de outras pessoas ouviam os discursos, aplaudiam e gritavam palavras de apoio ao que ouviam de lá de dentro.

O calor era insuportável, no recinto. Era agravado por um público que se espremia em cada canto e pelos refletores das várias tevês, inclusive da tevê aberta (SBT e Gazeta), que foram cobrir o evento.

Altamiro Borges, o Miro, presidente do Centro Barão de Itararé, fez uma extensa exposição do primeiro documento oficial do ato. Em seguida, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, José Augusto de Oliveira Camargo, o Guto, leu o documento da entidade, o segundo documento oficial.

Para a Mesa, foram convidados representantes das centrais sindicais CGTB, Nova Central, Força Sindical e CUT; o presidente da Altercom, Joaquim Palhares, o representante do MST, Gilmar Mauro, e eu mesmo pelo Movimento dos Sem Mídia; pelos partidos, vieram um representante do PDT, a deputada federal Luiza Erundina, pelo PSB, e o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.

João Felício, ex-CUT, veio representando o PT, mas não conseguiu entrar, tal a quantidade de pessoas que compareceram. E quando digo que não conseguiu entrar, quero dizer que não conseguiu entrar nem no prédio. Aliás, ninguém conseguia entrar lá. O diretor jurídico do MSM também chegou mais tarde e não conseguiu.

Eu diria que o ponto alto do encontro foi o discurso da septuagenária Luiza Erundina (76). Parecia uma menina, em seu vigor, com aquele brilho que lhe brota dos olhos ao se rebelar contra essa vergonha que é essa imprensa golpista.

Tudo deu certo. Só o que não funcionou foi a sofrível cobertura que a mídia fez – a Folha de São Paulo, em sua matéria de hoje sobre o Ato, não conseguiu nem escrever direito o nome do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, organizador oficial do evento.

Mas penso que valeu. Nos últimos dias, o foco do debate político saiu do denuncismo. A mídia golpista acabou tendo que se concentrar em questionamentos que lhe estão sendo feitos. O noticiário ridiculamente desproporcional contra o ato acabou lhe dando notoriedade e atraindo público.

Tentei contribuir para o ato estimulando dezenas de membros do Movimento dos Sem Mídia a compareceram e divulgando-o. Sendo assim, cumprimento a todos, não só aos que compareceram, mas esses milhares de sem-mídia que vêm a este blog.

23 de setembro de 2010, portanto, foi um dia especial. Como dificilmente acontece, nesse dia nós deixamos de ser sem-mídia, mesmo que por pouco tempo. Se o Movimento dos Sem Terra ocupa propriedades rurais, nós ocupamos a mídia.

Para encerrar, deixo-os com o vídeo da vitalidade, da lucidez e da coragem de Luiza Erundina e com o vídeo do meu discurso. Ambos foram gravados pelo blogueiro Rafael Tsavkko. Ao fim, a transcrição do discurso que fiz em nome do MSM.

Para assistir a esse comovente discurso de Erundina, acesse http://www.blogcidadania.com.br/2010/09/a-‘invasao’-dos-sem-midia/

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