28 de agosto de 2010

Brasiliana on line

Projeto da UFRJ digitaliza livros da Coleção Brasiliana

Portal coordenado pelo historiador Israel Beloch já disponibiliza 80 volumes on-line; série é referência em relatos sobre o Brasil

Por MARCO RODRIGO ALMEIDA
DE SÃO PAULO
Projetos longos e complexos não são novidades na vida do historiador e pesquisador Israel Beloch, de 68 anos.

Ao "Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro" (1985), cinco volumes dedicados aos principais fatos políticos brasileiros desde 1930, ele dedicou dez anos de trabalho.

Coordenou uma equipe que produziu mais de 6 mil verbetes e 5 mil biografias das mais importantes personalidades políticas do período, além de artigos temáticos referentes à história contemporânea do Brasil.

Há dois anos Beloch vê-se envolvido num projeto não menos superlativo: digitalizar os 415 volumes que compõem a Coleção Brasiliana.

O resultado poder ser conferido no site http://www.brasiliana.com.br/. Lá estão as 80 obras já digitalizadas, disponíveis em duas versões: o fac-símile da edição original e o texto correspondente com a ortografia atualizada.

O portal Brasiliana Eletrônica, do qual Beloch é editor-chefe, é desenvolvido pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) com apoio do Ministério da Educação.

A expectativa é completar todo o trabalho nos próximos dois anos.

Publicada originalmente pela Editora Companhia Nacional entre 1931 e 1993, a Coleção Brasiliana reúne relatos de brasileiros e estrangeiros que, somados, formam um amplo retrato da história do Brasil.

"Toda a realidade brasileira é esquadrinhada. O país é visto pelos ângulos da política, sociologia, ciências e cultura", completa Beloch.

Algumas das obras já disponíveis no site trazem também apresentações críticas e comentários de especialistas. A ideia é incluir os textos introdutórios em todos os volumes da coleção.

TEXTOS RAROS

O trabalho "árduo", como define Beloch, é realizado por uma equipe formada por 15 pessoas.

Primeiro os livros passam por um processo especializado de digitalização. Depois, um programa de computador transforma as imagens em texto.

A etapa final -revisão, padronização e atualização ortográfica- pode consumir até dois meses de trabalho para cada livro.

"É tudo muito gratificante. É uma forma de divulgar o conhecimento para novas gerações e resgatar autores importantes que estavam esquecidos", define Beloch.

Dos 80 textos já disponíveis on-line, o mais antigo é o "Tratado Descritivo do Brasil em 1587", do viajante português Gabriel Soares de Sousa (1540-1591).

A obra, uma das primeiras escritas sobre o Brasil, aborda variados aspectos da colonização, geografia, agricultura e recursos naturais.

Outro destaque da coleção é "Diário de uma Viagem ao Brasil", escrito entre 1821 e 1823 pela inglesa Maria Graham (1785-1842).

Um dos raros relatos históricos femininos publicados no século 19, o livro de Graham traz valiosos comentários sobre a vida social do Rio de Janeiro da época.

Extraído da Folha de S. Paulo, em 28/8/2010.

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