5 de junho de 2010

Luto - Perder um amigo é a pior das perdas...


Perder um amigo é a pior das perdas que podemos ter na vida. Há amigos que a gente perde aos poucos, perde o contato, deixa de falar, acaba a amizade. Foi-se. Essas são perdas das quais a gente se ressente, mas vai se acostumando aos poucos e sabe que o sujeito está vivo, só escolheu não compartilhar mais nada contigo.

Mas o amigo que a morte nos leva é a pior das perdas. Sobretudo se é aquele amigo que atravessa os tempos. Aquele que você pode passar meses sem falar e quando reencontra parece que a última vez em que se viram foi ontem. A cumplicidade e o mesmo carinho continuam guardados ali bem dentro do peito.

Há dois dias perdi um grande amigo, um dos meus maiores amigos, parceiro desses últimos 26 anos da minha existência. Hoje ele faria aniversário, mas não deu tempo. Queria poder lhe dar parabéns. Liguei o skype, atendeu a esposa dele e veio a notícia. Acabou!

Fiquei aqui meio perdido nas lembranças do meu querido amigo Marco. Reli seus e-mails ainda guardados no meu outlook e chorei bastante com o carinho e amizade que ele sempre me reservou.

Foi em 1984 que o conheci. Tinha criado um jornal de estudantes no CEFET-RJ. Era o finalzinho da ditadura e junto com alguns bons amigos resolvemos peitar o diretor pró-tempore da escola criando o Caminhando. Foram tempos gloriosos, efervescentes, de muitas descobertas e vivências políticas matriciais na minha vida.

E no final daquele ano, Dulce, uma professora de Física muito querida pelos integrantes do jornal, e que apoiava a nossa iniciativa, veio me contar que um aluno estava fazendo um jornal cladestino e colando dentro dos banheiros do CEFET. O jornal chamava-se Desencaminhando. E quem o fazia era o Marco. Era um panfleto metendo o pau na gente, nos alunos que faziam o Caminhando.

Desencaminhando era a cara do Marco, um sujeito que sempre insistiu em nadar contra a corrente. O cara escrevia bem pra caramba. Era já talentosíssimo. Fomos apresentados, conversamos amistosamente e eu lhe fiz o convite: “vem fazer o Caminhando com a gente”. Ele aceitou de primeira e o Caminhando ganhou muito em qualidade com ele. Lembro que foi com os artigos do Marco que tomei conhecimento pela primeira vez do Legião Urbana e do rock de Brasília. Era um prazer ler o que ele escrevia.

Aliás, pra mim, o Marco sempre foi um escritor e é uma pena que não tenha jamais se aceitado como tal. Queria fazer muitas coisas na vida e não via no próprio texto nada de especial, nunca deu bola para os meus elogios.

A vida seguiu em frente e estivemos juntos em muitas situações. Em 1987 ele começou a fazer Jornalismo na UFF, depois de passar num vestibular disputadíssimo. Pouco tempo depois largou tudo, se desencantou com o IACS, embora tenha feito vários amigos por lá.

Conheci Mirantão (MG) com ele, li tudo de Carlos Castañeda e Roberto Freire por causa dele. Era um prazer imenso conversar com ele sobre a vida. E esse diálogo aberto e franco, mas ao mesmo tempo cheio de carinho eu sempre tive com ele. Acho que decidi muito dos rumos a tomar na minha vida conversando com o Marco, de quem sempre tive apoio incondicional.

Quando decidimos vir para Teresina, Marco ficou entusiasmado, deu força. Foi só eu pisar em Teresina e as notícias ruins começaram a chegar. Uma suspeita de gastrite foi virando algo mais complicado e incontornável. Em um ano o câncer levou meu amigo. Ainda em janeiro, quando estive no Rio pela última vez e muito rapidamente, eu o recebi na casa da minha sogra para um papo caloroso. Jantamos juntos, notei que ele estava mais magro, mas parecia ainda forte e até mais saudável depois de perder alguns quilos. De lá pra cá só conversamos pelo telefone.

Agora ficam as saudades do meu eterno amigo Marco, que eu registro neste blog, porque ele, como eu, insistia em desmascarar as farsas da Bruzundanga e ousou viver a vida como desejou. Pena que foi tão rápido, pena que não deu tempo dele vir a Teresina...

Um comentário:

Maria disse...

Sinto muito...amigos são importantíssimos em nossa caminhada, mas ela não acaba aqui...
Abçs