10 de maio de 2010

Como convocar uma seleção

Na próxima terça-feira o Dunga escala a seleção que vai pra Copa do Mundo. Um indivíduo elege 22 jogadores que irão representar um país em uma competição mundial. Uma das grandes dúvidas está na escalação de Ronaldinho Gaúcho, jogador habilidoso, porém em decadência e pouco produtivo na seleção.

Mas o selecionado é um grupo. São um time. Só funcionam juntos, o talento individual não decide todas as partidas. Será que o Ronaldinho deve ser chamado? Quais os critérios que devem ser usados para ele ser chamado ou não? A experiência prévia? O prestígio entre outros jogadores? O que ele já fez? O tipo de jogo do time se encaixa no dele? O tempo dele já passou ou ele tem algo importante à oferecer a equipe? Ele merece uma segunda chance?

Daí faça um paralelo para outra seleção que vai ser escalada esse ano. Mais de 100 milhões de pessoas escolhendo poucos para representar os brasileiros. Hora de votar em 2010. Quais são os critérios para escolher os canditados? A experiência também conta? A composição do legislativo dará condições de governabilidade ao executivo? Qual a composição do congresso, do senado? Por que pensamos mais criticamente quando pensamos no jogador de um time do que quando pensamos no candidato que vamos votar?

Digo isso porque um parlamento é uma equipe também. Há vários membros e disputas internas, inclusive intrapartidárias. Sabemos dessas tensões? Ora, um parlamento precisa ser heterogêneo pra funcionar. Tem que ter alguém pensando na saúde, alguém na educação, alguém nos transportes, assim como há goleiro, lateral, etc. Apenas assim teremos um time. Então, qual é a área que acha que deve ser reforçada em nosso time? Qual é o setor que acha mais debilitado e que merece um reforço? O que está sendo feito está de acordo ou tem que melhorar? Tudo isso, que é papel de um verdadeiro técnico, deve ser pensado na hora da escalação definitiva, porque nesse jogo, não tem substituição.

Então que tal conhecer melhor um pouco dos candidatos à seleção que vai nos representar nos próximos 4 anos? Há algum tempo a Transparência Brasil criou a página Excelências que responde muitas questões sobre muitos dos "jogadores" que estão batendo bola há algum tempo nos congressos, ministérios e câmaras. Através do sítio podemos acessar o currículo do candidato, bem como ver os últimos projetos assinados e as últimas aparições da figurinha do álbum político nas manchetes de jornal.

Então, tempo ainda há de sobra pra escolher seu time. E olha que o voto é seu, o que é muito melhor que ficar apenas opinando em uma equipe que nem te representa diretamente nas questões importantes da vida social. Assim como o Dunga, a escolha final não pode ser feita apenas tomando como base o "potencial" ou o "presentismo", mas todo um trabalho que foi desenvolvido durante todo o tempo de trabalho. Uma equipe não se constrói de um dia para o outro, então cautela em sua escolha, até porque é o seu próprio futuro que está em jogo, e não uma taça dourada.

Por Jorge dos Santos Valpaços
Historiador e torcedor pelo Hexacampeonato de futebol.
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Nota do Blog:

Recebi o texto acima através do meu correio eletrônico e solicitei autorização do autor para publicação. Valpaços foi meu aluno e orientando de monografia no IFCS/UFRJ. Além de ser um jovem historiador, conhece os subúrbios do Rio de Janeiro como poucos e escreveu em 2008 uma brilhante monografia intitulada Entre tabuleiros e quiosques: cultura popular e alimentação nas ruas do Rio de Janeiro da Primeira República.

Na Bruzundanga está aberto para acolher e publicar eventuais colaborações de alunos, ex-alunos, colegas, amigos e frequentadores desse espaço virtual que desejem propor reflexões tão oportunas e pertinentes com a de Valpaços.

Denilson Botelho

Um comentário:

Maria disse...

Excelente texto! Vou levar para a empresa que trabalho, montar um projeto e trabalhar a conscientização e importância do voto nas proóximas eleições.Depois lhe conto o resultado, ok?
Obrigada,
Junca