24 de abril de 2010

Brasiliana e Biblioteca Nacional mostram avanço de acervos públicos

A "Maria Bonita" é mais alta que uma mulher grande e bem mais larga que uma mulher gorda. Tem um tubo de vento para separar as páginas dos livros e um braço de sucção para pegar uma folha por vez. Lá em cima, como olhos de caranguejo, duas câmeras digitais fotografam as páginas, que depois são tratadas e convertidas em formato digital antes de ir para a internet.

Ela é o robô da biblioteca Brasiliana Digital da USP, projeto que começa a levar ao público o acervo de livros e documentos raros doados à universidade pelo bibliófilo José Mindlin, morto em fevereiro.

Embora funcione em caráter experimental (a versão 2.0, operacional, está prevista para outubro), a página (www.brasiliana.usp.br) já reúne as primeiras centenas de pérolas da coleção de Mindlin, de 17 mil títulos. Estão lá, com páginas nítidas e textos de apresentações de especialistas, primeiras edições de Machado de Assis e José de Alencar, periódicos, dicionários, relatos de viagem e clássicos como a "História Geral do Brazil" de Varnhagen.

Enquanto o mercado ainda patina para vender livros digitais, a Brasiliana é um dos exemplos de como os acervos públicos estão mais adiantados em trazer à luz, e gratuitamente, obras neste formato.

O diretor da Brasiliana, Pedro Puntoni, coordena uma equipe de 15 bolsistas da Fapesp, a fundação de amparo à pesquisa do Estado de SP, que em 2008 injetou R$ 980 mil no projeto (o robô custou US$ 220 mil, R$ 378 mil em valor atual).

Trabalha em conjunto com a equipe da curadora da coleção de Mindlin, Cristina Antunes. A "Maria Bonita", assim batizada porque os primeiros servidores da Brasiliana ganharam nome de cangaceiros, fica na casa onde vivia o bibliófilo.

A princípio, a digitalização começaria pelo acervo do IEB, Instituto de Estudos Brasileiros da USP, que integra o projeto. Mas, segundo Puntoni e Antunes, o IEB desistiu da parceria. A Folha tentou falar com a diretora do instituto, Ana Lucia Lanna, mas não houve resposta ao pedido de entrevista.

Exemplo mais desenvolvido é o da Biblioteca Nacional Digital (bndigital.bn.br), da fundação homônima do governo federal, criada em 2006 e que, segundo a coordenadora Angela Bettencourt, já tem 30 mil itens digitalizados (dos 9,5 milhões da biblioteca). Na internet pode-se consultar raridades como a coleção fotográfica do imperador D. Pedro 2º e documentos sobre a escravidão e a Guerra do Paraguai.

Publicado no Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 24 de abril de 2010.

2 comentários:

Washington Oliveira (Waro) disse...

Muito legal este trabalho da Brasiliana da USP!

Acabei de passar a vista na digitalização de "Quéda que as mulheres têem para os tolos", de Machado de Assis, publicada em 1864.

Pra quem gosta de obras clássicas originais, é emocionante, além de eliminar o inconveniente de respirar ácaros do século passado, ou esfacelar o livro nas mãos...
E pra quem faz pesquisas de universidade, é uma ferramenta revolucionária.

Ótima informação, Denilson.

Abraço,
Washington

Raro de Oliveira disse...

Pô, muito massa essa notícia.. já estou me aproveitando dela. (http://rarodeoliveira.wordpress.com/), abraços, Raro