7 de janeiro de 2010

Quem precisa desse tipo de jornalismo?


Bóris Casoy, um serviçal do poder econômico é pego em flagrante delito

por Mario Augusto Jakobskind

Qual a moral que tem o senhor Bóris Casoy depois de ser defenestrado em pleno noticiário? Casoy, um antigo militante do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) saiu-se com a seguinte jóia do pensamento elitista ao ver e ouvir mensagem de dois garis desejando feliz ano novo aos telespectadores: "Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros! O mais baixo da escala do trabalho". E ao fundo alguém gritou para avisar que o áudio estava no ar, interrompendo a reflexão de Casoy: "deu pau, deu pau", ou seja, o áudio estava aberto, ou a merda estava feita.

No dia seguinte, o próprio Casoy pedia desculpas verbais pelo que tinha dito. De que adianta pedir desculpas e tudo ficar por isso mesmo? É o mesmo que o âncora tinha feito desmentindo sua participação no CCC nos anos 60. Desmentiu, mas na prática continuou defendendo os valores do Comando. O episódio revelou uma faceta do pensamento de parte significativa da elite brasileira, que tem um profundo menosprezo aos trabalhadores de um modo geral, em especial aos que exercem atividades como a dos garis.

Casoy é um digno representante de um segmento das elites, de natureza racista e preconceituosa. É do mesmo time de um jornalista que escreveu um livro dizendo que no Brasil não há racismo e hoje na TV Globo cuida diretamente de todo o noticiário sobre o candidato preferencial da emissora, o senhor José Serra. Em outras palavras, tudo que sai sobre Serra na Rede Globo passa antes pelo crivo de Ali Kamel, segundo informam espiões benignos.

É uma vergonha que a TV brasileira seja ocupada por profissionais de imprensa que babam ódio, como Casoy, a qualquer tipo de manifestação das classes populares. Volta e meia, o próprio âncora da Bandeirantes é acionado para criminalizar de forma grosseira o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e qualquer outro movimento social. Ele fala com satisfação, tal como um militante ativo do CCC nos anos 60.

Os comentários contra os movimentos sociais são exatamente da mesma natureza que as reflexões feitas por Casoy sobre os garis. É o real pensamento de parte da elite brasileira, que não se conforma com o fato de o Brasil e a América Latina estarem em processo de transformação.

Casoy e outros do gênero, como, por exemplo, Arnaldo Jabor, são pagos para babarem ódio contra tudo que se aproxima de movimentos que visam tornar o país mais justo e igualitário.

Por estas e muitas outras é preciso mostrar aos brasileiros que o manipulado noticiário jornalístico das principais emissoras de televisão faz parte do jogo da dominação. Nada é por acaso, mesmo a reflexão do senhor Casoy ao expor o seu verdadeiro pensamento de servidor incondicional do poder econômico.

O âncora poderá ser gradativamente jogado fora pela cúpula da Band, porque pega mal para ela mostrar uma verdade que diariamente os bi-shots midiáticos tentam maquiar de forma sofisticada para iludir os telespectadores.

Será que o Sinidicato de Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas não vão se pronunciar sobre um fato que fere a ética dos profissionais de imprensa?

Extraído de: http://www.viomundo.com.br/
Atualizado em 03 de janeiro de 2010 às 17:05 | Publicado em 03 de janeiro de 2010 às 17:02

3 comentários:

Luciano Freitas disse...

A casa caiu para o BC... e para a Band também, que deve estar dizendo "puta que pariu! que merda".

THEORIKÓNDOXAS disse...

Putz! Por essa eu não esperava!(hehehe). O Boris parece manifestar expressamente vérias idéias ultrarreacionárias, mas essa ... Já não vejo que o mesmo se aplique, pelo menos em igual grau, ao jabor que, embora defenda idéias economicas neoliberais(de vo admitir que o acho um cronista bem desenvolto), não me lembro de vê-lo manifestar publicamente sentenças de tal ordem.Honestamente, sou cético quanto as supostas e/ou possíveis "mudanças" que por ora parecem sinalizar-se na América latina e sobretudo no Brasil. O que vejo ainda é algo que parece beirar a anomia. Também adoraria uma sociedade que tivesse como seu principal valor de ethos (ético portanto) a Justiça - entndida em suas inúmeras implicações, mas infelizmente meu ceticismo não me permite vislumbrar isso. O que vejo são as pessoas querendo que o genio da lampada resolva os problemas da humanidade, que ela mesma cria com suas concepções e condutas incoerentes. Isso também não é mais do que uma razão-cínica como dominante ideológica (fora do conceito tradicional de ideologia), me valendo da licenciosidade para apresentar-me nessa passagem até um pouquinho pessimista. Esse cinismo generalizado e absurdo, arrisco-me a dizer, é propulsor da indisposição dos espíritos mais longanimos: é a "gênese da burrice"(Adorno).
Mais a mais, achei bem interessante essa postagem, um flagrante desses não ocore com freqüencia. Tomara que nossa colega Nadja não cometa uma dessas!

Abraços, Professor.

THEORIKÓNDOXAS disse...

Continuando: não sei onde não há racismo! Temos um dos piores tipos de racismo, que é o racismo hiperestrutural: em decorrencia sistemática, e viciosa, temos toda sorte de anomalias sociais. Educação, empregabilidade, estética... atribuições equivocadas de padrões de comportamento que dverão ser rechaçados ou aceitos como uma segunda natureza de determinados grupos etnicos.Daí que: ou se persegue aquele grupo para eliminar aquela conduta ou aceitam-se até condutas inconciliáveis com o ethos para não ser racista. Porque já se admitiu que determinados comportamentos são derivativos de sua "natureza" etnica.Absurdo!E perigoso! Essa alienação está incrustada nesse país, de tal modo que até os negros aceitam que valores como justiça, honestidade, trabalho, honradez, são "coisa de branco", revertendo esse racismo para si mesmo ao incorporá-los ideologicamente nos hábitos. Aí encontramos um ponto cronico cristalizado e reificado desse racismo, quando até os excusados passa, acriticamente, a autenticá-lo, justificando em práxis a visão que se quis, ratifico SE QUIS, deles.Reproduzem assim as condições da produção desse racismo,conservando as condições de sua reprodução, como qualquer modo de produção.

Fellipe Knopp