5 de outubro de 2009

Vôo 447: não foi um acidente, foi um crime!

Sinceramente, não tenho medo da morte. E não tenho medo de viagens de avião. Pra ser sincero, procuro nem pensar no risco de acidentes nessas ocasiões. O que tem de ser, será! Tenho medo de me sentir impotente, incapaz de trabalhar e de viver. E tenho medo dos homens, sobretudo dos homens e seus mesquinhos interesses capitalistas.

Embarquei do Rio para Teresina no dia 1º de junho de 2009, ou seja, no dia seguinte à queda trágica e inexplicável do Airbus da Air France, que fazia o vôo 447 Rio-Paris, matando 228 pessoas. Cheguei ao Aeroporto Internacional Tom Jobim tomado por jornalistas e equipes de TV em busca de explicações e notícias sobre o "acidente". Comoção generalizada. E no meu caso, família preocupada e temerosa de que a desgraça se repetisse no dia seguinte, desta vez comigo à bordo...

Hoje a Folha de S. Paulo publica reportagem divulgando o resultado das investigações. Leiam abaixo. A conclusão a que se chega é de que não foi um acidente, mas um crime. A Air France e a Airbus vinham adiando a troca dos sensores "pilot AA" desde 2002, apesar de advertidas pelo fabricante da peça (Thales francesa). Inacreditável tamanho descaso! Como os problemas não aconteciam, foram adiando e se omitindo, até que 228 passageiros foram assassinados.

Definitivamente, o problema não está nos aviões, nem mesmo nos pilotos, mas nos homens sentados em confortáveis gabinetes, contabilizando lucros inescrupulosos, mesmo que isso implique na perda de vidas inocente...

Segue a matéria da Folha:

Defeito em sonda derrubou voo 447, afirmam pilotos

Relatório de presidente do Sindicato de Pilotos da Air France e de colega será enviado à Justiça

Autores do documento dizem que falha em sonda foi a principal causadora de acidente que matou 228 pessoas no trecho Rio-Paris

ANA CAROLINA DANI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS

Um relatório que será enviado nesta semana à Justiça francesa aponta os defeitos nas chamadas sondas pitot como a causa principal do acidente com o voo 447 da Air France, que caiu quando fazia o trecho Rio de Janeiro-Paris em 31 de maio, matando 228 pessoas.

O documento foi elaborado por Gérard Arnoux, presidente do Sindicato de Pilotos da Air France, e por um colega.Segundo o relatório, cujos detalhes foram revelados ontem pelo periódico francês "Journal du Dimanche", o acidente poderia ter sido evitado se a Airbus, as autoridades de segurança na aviação civil e a Air France tivessem levado em conta os problemas anteriores identificados nos sensores pitot da francesa Thales.

Segundo os pilotos, as autoridades aéreas sabiam, há 14 anos, que os critérios internacionais de certificação das sondas pitot eram inadequados.Também no banco dos acusados está a Airbus. Henri Marnet-Cornus, coautor do relatório, disse à Folha que, desde 2002, o construtor europeu já havia identificado problemas nos sensores pitot AA, mesmo modelo que equipava o Airbus A330 do voo 447 Air France. "Só em setembro de 2007, após ter verificado outros incidentes com modelos A330 e A340, a Airbus recomenda a instalação em seus aviões do pitot BA da Thales, mais resistente ao gelo e à chuva.

"O relatório também aponta a responsabilidade da Air France, que, apesar da recomendação e de pelo menos cinco incidentes ocorridos em 2008 com os sensores pitot, teria decidido não substituí-los imediatamente nos A330 e A340.

Em seu site, a Air France diz que durante oito meses a Airbus garantiu que as sondas BA não resolviam o problema do congelamento em altas altitudes, antes de mudar de opinião, em abril de 2009 -quando a Air France decide substituir o equipamento. A companhia diz ter recebido os primeiros novos sensores em 26 de maio.

Outro problema apontado é o tempo de reação das autoridades encarregadas da segurança dos voo e certificação dos equipamentos. Henri Marnet-Cornus lembra que foi somente após o acidente com o voo AF 447 que a Aesa (Agência Europeia de Segurança Aérea) pediu à Airbus mais detalhes sobre os incidentes.

Com base nessas informações, a agência ordenou no final de julho às companhias aéreas a substituição dos sensores da marca Thales. A recomendação atual é que todos os A330 e A340 passem a ser equipados com pelo menos dois sensores pitot produzidos pela norte-americana Goodrich. "Porque não fizeram a recomendação antes?", questionam os autores do relatório.

"Trata-se de uma simples medida de precaução. Nós realizamos testes e tanto os sensores Goodrich quanto os novos sensores da Thales obtiveram os mesmos resultados", afirmou a Aesa em entrevista ao "Journal du Dimanche".

Folha de S. Paulo, 5 de outubro de 2009.

2 comentários:

Adrianne Ogêda disse...

Que loucura Denilson! Sem comentários.

seletivamenezes@gmail.com disse...

Como vai Denilson?

Coisas inexplicáveis acontecem mesmo.
Instantes atrás li uma reportagem datada em 25/04/10 com seguinte título:
Perícia acusa falha de manutenção em queda do AF 447.
Em seguida fiz uma busca para encontrar outra fonte de informação e me deparei com seu blog.
Certamente a notícia não é novidade nenhuma, mas finalmente uma prévia de relatório oficial é revelado.
Na íntegra para você.
http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=24018880
Abraço
EMenezes