6 de outubro de 2009

Um CD imperdível de Francis Hime


Tá, eu ainda sou do tempo do CD. Aliás, bom mesmo era o vinil, com aquelas capas fantásticas. E achei tão bacana a apresentação que o próprio Francis Hime faz do seu último trabalho, celebrando os 70 anos de vida, que faço questão de compartilhá-la com você:

O Tempo das Palavras ... Imagem - por Francis Hime

“Este é um álbum duplo comemorativo pelos meus 70 anos, completados recentemente, e onde, de uma certa maneira, guardo a impressão de que procurei — talvez inconscientemente — uma espécie de síntese de meu trabalho: de um lado o CD com quase todas as músicas inéditas, compostas com vários parceiros — como gosto de fazer — indo do mais frequente, Geraldo Carneiro, passando por outros queridos como Joyce, Olivia, Paulinho Pinheiro até uma primeira parceria, esta com Moska, além da regravação de O Sim pelo Não, com letra de Edu Lobo. De outro lado, um CD instrumental de piano solo, o primeiro de minha carreira como pianista, já que na minha primeira experiência de arranjos nesta vertente, Meus Caros Pianistas, com 15 solistas, tanto da área popular como da erudita, não participei como instrumentista. Esta ideia surgiu quando algum tempo atrás, conversando com a Olivia, minha mulher, e Tárik de Souza, este me sugeriu de um dia fazer um disco com minhas trilhas de cinema. A partir deste encontro, e já pensando no formidável piano Steinway da Biscoito Fino, me ocorreu de fazer este trabalho para piano solo, reescrevendo todos os arranjos orquestrais de minhas trilhas para este que é o meu instrumento desde os 6 anos de idade.

Para o disco instrumental, fiz uma seleção de 25 músicas de alguns filmes musicados por mim: Dona Flor e seus Dois Maridos, O Homem que Comprou o Mundo, A Estrela Sobe, Um Homem Célebre, A Noiva da Cidade, Lição de Amor, Marcados para Viver e Marilia e Marina, levando em conta a representatividade de cada uma, em sua trilha específica, bem como sua adequação pianística. Estes arranjos também refletem as lembranças que trago desses filmes, dos sentimentos dos seus personagens, da memória de determinadas cenas, como se eu tecesse musicalmente as sequências.


Esta é a compreensão que tenho sobre Imagem: parti da associação entre palavra e imagem, para nortear um disco onde não há a palavra nem a imagem, só música que, neste caso, agrega a palavra e gera a imagem. Já em relação a O Tempo das Palavras, penso que não há tanto a ser dito, deixando talvez que as letras falem por si sós. A palavra sempre foi importante para mim, embora como compositor e arranjador, minha linha de frente seja a música. Neste momento, palavra e imagem se fundem, música é a sintese dessa junção.

Ressaltaria apenas que o título do CD expressa exatamente o meu sentimento em relação a este trabalho: foi a palavra a origem, o parâmetro, o norte desta busca. Algumas músicas, eu compus primeiro, e depois foram letradas, caso das parcerias com Joyce, Olivia, Paulinho Pinheiro, Moska e Edu Lobo, além de O Tempo e a Rosa, com Geraldinho Carneiro. As outras cinco que completam o CD são todas poemas de Geraldo, que eu musiquei. E este disco, o processo de gestação dele, é um retrato flagrante da minha fase atual: a alegria de dividir o trabalho, convocando os músicos para que participem da construção dele coletivamente, expondo a grande admiração que tenho pelo músico e por suas inúmeras capacidades de improvisação, criatividade... O Tempo Das Palavras é uma ode ao músico e à palavra que, por si só, pode ser música, o que é ilustrado, quando ao final do disco, na “faixa escondida”, cada um dos músicos sola e se apresenta como num letreiro de filme.

Em suma, nesta comemoração homenageio nossos grandes cineastas, a habilidade única de nossos músicos e a força tranformadora das palavras, sempre a partir do meu piano. Era o presente maior que eu podia me dar”.


Francis Hime

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