4 de outubro de 2009

Plínio de Arruda Sampaio: a lucidez do discurso socialista

'Anticandidato', Plínio diz que democracia e defesa do meio ambiente não se completam sem programa socialista

Diante da aparente decisão da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) de não disputar as eleições de 2010, um grupo de intelectuais lançou um manifesto em apoio à candidatura de Plínio de Arruda Sampaio à Presidência da República.

Atualmente com 79 anos, completando 80 em julho do ano que vem, o próprio Plínio avisa: "Evidentemente não é uma candidatura para ganhar. Não vamos fazer farsa, não vamos fazer cirquinho. É uma candidatura que a lei permite para mostrar o outro lado."

Plínio diz que seu nome ainda não é uma certeza, mas uma possibilidade. Ele, no entanto, explica porque aceitaria concorrer. "Essa não é uma campanha da política brasileira normal. É uma anticandidatura. É preciso que na próxima eleição haja uma voz que seja discordante do discurso que vem feitinho. Porque o discurso é um só."

Para Plínio, Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) representam a continuação do modelo Lula, com diferença apenas de nuances. Com Ciro Gomes (PSB) ou Aécio (PSDB), seria ainda pior. "Porque pelo menos o José Serra tem alguma coisa na cabeça, os outros não tem."

Dissidente do PT, Plínio afirma que, "pelo menos, a Marina traz um problema para você pensar". "Ela não vai discutir se o Ciro Gomes fala palavrão, não fala palavrão. Não. Ela vai discutir o meio ambiente. Isso é sério. Agora, ela não dá o passo verdadeiro da discussão do meio ambiente."

"Se quiser cuidar da ecologia, a acumulação do capital se faz mais lentamente. Ela é incompatível com a lucratividade atual das empresas. Agora, na sociedade capitalista, a primeira providência é o capital. Depois, o que sobrar, você gasta com o resto", diz ele.

"Não vai fazer nenhuma proteção. Não fez como ministra. Ficou seis anos lá, engoliu todos os sapos, a começar pelos transgênicos, porque não conseguiu. E quando cansou demais e pulou fora, vai ser presidente, como presidente não fará. Porque ou tem um discurso socialista ou não resolve."

Plínio criticou também "os verdes de maneira geral". "A estratégia deles está completamente equivocada. O negócio deles é o seguinte: a humanidade se divide pela luta de classes, entre capital, socialismo, capitalismo, etc., isso não é a nossa briga, a nossa briga é o macaco, o mico-leão aí preservado."

O objetivo seria, na sua avaliação, "ficar no muro" e pegar o voto dos dois lados. "Não pegam e, se pegarem, não conseguem cumprir o programa com que se elegeram."

Ele também chamou de "obscenos" os rendimentos dos diretores de instituições financeiras. "É preciso solucionar a crise defendendo a economia do povo, o emprego do povo, e não mandando um monte de dinheiro para os banqueiros. O que aconteceu não só no Brasil, aconteceu no mundo inteiro. Aconteceu o seguinte: segura a Previdência Social, reduz a Previdência Social, segura o emprego, reduz o emprego, obriga a fazer contratos de trabalho precarizados, menos do que já tinham. Por outro lado, joga trilhões nos bancos e não exige sequer que os diretores de banco ganhem menos. Eles continuam a ganhar um absurdo, uma coisa obscena."

Publicado no UOL Notícias, em 4/10/2009.

Um comentário:

Phelipe Cunha disse...

Grande adimiração tenho por Plínio e outros intelectuais da esquerda, mas como sempre eles nunca abandonam a postura "stalinista", dizer que o movimento ambiental hoje ganhando dizibilidade na grande impressa e assim vizibilidade é um espaço que se nega a discussão social e se limitando a questão de natureza é uma visão de contexto dos anos 80, o que demonstra que até nas críticas nossa "auto-definida" esquerda crítica, ou melhor verdadeira, se apega romanticamente e assim cegamente ao reprodução de um passado. De fato a crítica ao modelo preservacionista do ambientalismo ja foi válida, hoje não cabe, o movimento ambiental, posso assim da citando a REJUMA (Rede da Juventude Pelo Meio Ambiente e Sustenabilidade) ja assume um discurso anticapitalista e muito mais próximo de um ecosocialismo ou ecolibertarismo, poderiamos apontar essas como os grandes eixos da Rede. A REJUMA hoje tem em seus eixos a transversalidade de temas, questões como racismo ambiental, educação ambiental, habitação urbana, reforma agrária, lutas dos trabalhadores, Genero, raça e tolerancia religiosa, Eu penso que o senhor Plinio não devia desautorizar o discurso e a luta ambiental ao querer tecer críticas a ex-ministra Marina Silva e sua candidatura. E esse movimento não o é como afirma Plínio indeciso e pelego se colocando "em cima do muro" e incapaz de aplicação de um modelo se caso chegue a presidencia da répública, mas uma vez percebo um sectarismo da nossa "auto-definida" esquerda verdadeira, sua composição pura e perfeita se esconde atrás de um discurso fortemente crítico e nunca auto crítico, até hoje, PSOL, PSTU e outros "cromossomos" dessa esqueda nos devem um projeto de fato de Brasil e melhor a sua real possibilidade de aplicação, alguns esclarecimentos deviam ser feito por nossa vanguarda socialista, tipo: A insistência na Une, O ANEL, a FRente de Luta pela Reforma, Conlutes, ANDES, Golpes eleitorais a nivel de movimento de trabalhadores e estudantil, por que a grande diferença desta esquerda verdadeira para aqueles alvo de suas criticas como PCdoB e PT, ainda é seu a não inclusão nos meios de aparelhos no Estado por que o modelo é o mesmo, os vicios são os mesmo e a falta de participação e construção coletiva é a mesma. "ser coletivo, colaborativo e solidário é ser anticapitalista"

Phelipe Cunha
História-UFPI
www.coletivojovempiaui.ning.com
www.rejuma.org.br