17 de fevereiro de 2008

Ciro Gomes

Da entrevista concedida por Ciro Gomes à Folha de S. Paulo, de 17/02/2008, destaco os trechos abaixo:

FOLHA - É possível formar uma maioria no Congresso para implementar esse projeto?
CIRO - Possível, sim. Vejo interlocução no PSDB e em parte do DEM, sendo eu do campo hostil a eles na política. Tive uma conversa explícita com FHC, reclamando do excesso de concessões e da frouxidão moral a pretexto da sustentação no Congresso. Lá pelas tantas, ele me disse: "Você é muito jovem e um dia vai se sentar aqui. Verá que caiu o presidente que não contemporizou com o patrimonialismo". Ele usou essa expressão. Fiquei muito chocado. No governo Lula, vi um pouco de novo a mesma coisa. Me incomodei muito.

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FOLHA - Por que o sr. não tem boa relação com a imprensa, sobretudo a escrita?
CIRO - Minha relação é boa. Como acho que a imprensa presta grande serviço ao criticar, a imprensa também tem de ter tolerância ao ser criticada.

FOLHA - Quais suas críticas?
CIRO - Primeiro, é nepotista. Lamento, mas são cinco famílias que controlam a grande imprensa do país. Isso não quer dizer que não tenho apreço e respeito por pessoas dessas famílias. Muitos têm espírito público. Tenho saudade do sr. Frias [Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, morto em 29 de abril do ano passado]. Eu ia almoçar com ele duas, três vezes por ano. Ele adorava minhas maluquices. Ele perguntava, eu respondia. Ríamos para caramba. Tenho respeito e boa relação com outras pessoas da imprensa, mas a imprensa brasileira não é neutra. É conservadora. Vamos tratar isso como? Mais imprensa, mais liberdade de imprensa.

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FOLHA - Em 2002, o sr. chegou a liderar as pesquisas. Dois episódios simbólicos, quando chamou de burro um ouvinte de uma rádio e afirmou que a função de sua mulher, Patrícia Pillar, na campanha era dormir com o sr., foram determinantes para não ir ao segundo turno?
CIRO - Foram duas das maiores besteiras das muitas que eu já fiz na vida. Nenhuma delas alcançou um centavo do dinheiro público. Me arrependo muito, mas aprendi amargamente. Não me perdôo. Mereci a repulsa dos eleitores porque não é sintoma de bom presidente.

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Perguntas que não querem calar:

1 - Teremos algum dia um presidente capaz de enfrentar o patrimonialismo?

2 - Que liberdade de imprensa pode existir num país em que a mídia é controlada por cinco famílias?

3 - Votarão em Ciro Gomes em 2010 o ouvinte burro e a mulher que só serve para ir pra cama?