11 de junho de 2007

Para entender o Fazendo Media


Reproduzo aqui um pequeno texto de Marcelo Sales, editor do Fazendo Media, sobre o que este veículo representa:

No dia 30 de maio, o fazendomedia.com registrou 2.081 visitas únicas. Isso significa que pelo menos 2.081 pessoas visitaram o jornal num único dia, sendo que esse número pode ser maior caso mais pessoas tenham acessado a página a partir do mesmo IP. Em todo caso, 2.081 é um número bastante expressivo, sobretudo se considerarmos que nosso investimento total em divulgação foi de R$ 0,00. Ou seja, só chegamos a essa visitação devido à divulgação boca-a-boca (ou emeio-a-emeio) dos leitores que por algum motivo acharam que vale a pena repassar as informações encontradas aqui.

Lembro do início, quando buscava incentivar os colegas. Não importava que fossem apenas 150, 180 visitantes por dia. Eu dizia: "Estão vendo, já estamos falando para um número de pessoas três vezes maior do que uma aula de nossos professores". Eu insistia nesse ponto porque em vez de 150, 180 pessoas, poderia não haver nenhuma. Bastava que nós fizéssemos como a esmagadora maioria dos estudantes de jornalismo: concluísse a faculdade e lutasse com todas as forças para entrar num dos veículos das corporações de mídia, onde o espaço para a prática do verdadeiro jornalismo é quase inexistente.

De lá pra cá, muita coisa mudou. O fazendomedia.com sofreu 3 modificações em seu desenho, sendo que a última foi realizada por uma profissional, a Mariana Simões. O conteúdo, inicialmente focado na análise de mídia, foi ampliado com as seções de política, movimentos sociais, educação, internacional, esportes e cultura. Cada uma delas tem um editor, que deve garantir ao menos uma atualização semanal. Além de ser um espaço de informação livre de interesses político-econômicos, as novas seções permitiram uma maior experimentação na estrutura dos textos. O resultado foi um significativo aumento no número de visitas.

Além disso, houve uma importante parceria com estudantes de Porto Alegre. Encabeçada por Eduardo Lorea, que conhecemos durante o Fórum Social de 2005, conseguimos até organizar um núcleo no sul. Hoje, a Thaís Fernandes, nossa editora de política, é quem segura a peteca por lá.

Eu não sei. Sou suspeito para falar. Mas os entendidos do assunto me garantem que 2.081 visitas diárias é um número expressivo. Deve ser. Outro dia o Emir Sader disse que seu blog chegou a ter dez mil, sendo que o Emir tem décadas de estrada e hospeda seu blog na Carta Maior, agência de notícias conhecida por qualquer pessoa bem informada. Em recente pesquisa dessa agência, o fazendomedia.com foi o veículo alternativo mais recomendado pelos leitores. Além disso, o jornal é elogiado por grandes nomes como Marcelo Yuka, Fausto Wolff, Jânio de Freitas, Georges Bourdoukan, Sérgio de Souza, Luiz Carlos Azenha, Gilson Caroni Filho, Alessandro Tarso, Gustavo Gindre e Gilberto Felisberto Vasconcellos, entre outros.

No fundo, todos aqueles que lutam pela democratização dos meios de comunicação querem uma sociedade mais justa. Nós já percebemos que a mídia, hoje, é a instituição com maior poder de produção de subjetividades. Isso significa que ela exerce grande influência nas formas de sentir, pensar e agir das pessoas. E uma sociedade funciona de acordo com as formas de viver da maioria. Se a maior parte da população acredita, por exemplo, que não pode fazer nada para mudar a situação do país (exatamente a visão conformista divulgada pelas corporações de mídia), tudo vai continuar como está. Do contrário, transformações profundas podem acontecer. Basta olhar para países vizinhos, onde não existem oligopólios de mídia, como no Brasil - ou, quando existem, são enfrentados pelo governo e pelo povo organizado.

Daí o terror que se abateu sobre as corporações de mídia em todo o mundo após a não renovação da concessão da RCTV pelo governo venezuelano. Porque qualquer avanço nessa área representa um avanço em todas as outras (sem-terra, sem-teto, educação, saúde, habitação, saneamento, movimento negro, movimento das mulheres, tudo). Democratizar a comunicação é democratizar a vida. Muito obrigado aos 2.081 visitantes e a todos aqueles que nos ajudam distribuindo nossos textos para suas listas de contato ou assinando nosso jornal impresso. Um grande abraço!